Raúl García, discreto e vital

#459616284 / gettyimages.com I Raúl vive momento excelente na carreira

Por O Futebólogo

Desde o retorno de Diego Simeone ao Atlético de Madrid, em dezembro de 2011, o clube voltou, rápida e destacadamente, a figurar nos cenários nacional e continental. Com nomes da qualidade de Falcao García, Diego Costa, Thibaut Courtois, do garoto Koke – que amadureceu sob o comando de Cholo – e outros mais, os Colchoneros conquistaram a Europa League 11-12, a Copa del Rey 12-13, o Campeonato Espanhol da última temporada e chegaram à final da UEFA Champions League (sem falar nas conquistas da Supercopa da Espanha e da Europa). Nesse período, um jogador de grande adaptabilidade cavou seu espaço na equipe e tem sido importantíssimo: Raúl García, discreto, porém vital.

Aos 28 anos, o jogador vive a melhor fase de sua carreira, galgando, ainda, seu espaço na Seleção Espanhola, que representara nos escalões sub-21 e 19. O mais interessante sobre o jogador basco, de Pamplona, na Comunidade Foral de Navarra, é que é difícil determinar qual é a sua posição natural. Meia-central, meia-atacante, ponta ou centroavante? Tendo desempenhado todas essas funções em determinados momentos de sua carreira, Raúl representa o jogador moderno, o atleta modulável. Entretanto, nem sempre foi assim.

Desde sua chegada, em 2007, esteve sempre presente, atuando com muita frequência, mas sem brilho ou destaque, sendo apenas “mais um”. Em sua temporada de estreia, atuou 49 vezes (marcando 4 gols), número que confirma sua assídua utilização. Em seu segundo ano, foram 48 jogos e novos 4 gols. Todavia, permanecia um figurante sem identidade e variava de função conforme a necessidade, por vezes volante, em outros turnos meia. Sua dispensabilidade ficou evidenciada na temporada 11-12, quando foi emprestado ao Osasuna, clube que o criou.

#83836889 / gettyimages.com I O jogador chegou ao Atleti em momento conturbado

E foi nesse ano que o atleta confirmou que seu destino não era ser só mais um. Aos 25 anos, mais maduro, marcou 11 gols e criou 7 assistências em 37 jogos, jogando, na maioria das vezes, como Camisa 10. A prova de seu excepcional momento foi a sétima posição de seu clube, um ponto atrás da zona de classificação para a Europa League (se serve de comparação, já sem Raúl, na temporada seguinte, o Osasuna foi o 16º).

Veio 2012-2013, e, mais organizado, o Atlético de Madrid de Simeone recebeu de volta o atleta, dando-lhe novo voto de confiança. E foi essa a chave para o sucesso do jogador: a confiança. Já sendo utilizado em diversas funções – pelo centro do campo, mais recuado ou avançado, ou pelos lados – Raúl viveu sua melhor temporada nos Rojiblancos, até então, atuando 46 vezes e marcando em nove ocasiões. Não obstante isso, o ápice de sua forma ainda viria, junto com o do time.

#125524567 / gettyimages.com I Emprestado ao Osasuna, evoluiu muito

Na última temporada, atuando cada vez mais perto do gol, Raúl García foi às redes 17 vezes em 53 jogos. Sua importância traduziu-se na tarja de capitão, que envergou em ocasiões esporádicas no decorrer do ano. Jogador de boa estatura, força física e qualidade técnica, fincou seu lugar dentre os titulares e, como já era de se esperar, finalmente, após o fracasso da Fúria na Copa do Mundo, ganhou um chamado hispânico de Vicente del Bosque.

A aposta, contratada em 2007 e renovada em 2012, mostrou-se um tiro de rara felicidade e acurácia dos Colchoneros. Como se refletisse a forma de seu time, Raúl teve dificuldades em períodos desorganizados do clube – que, na última década, abusou do número de contratações e da falta de planejamento – e desabrochou com a calmaria. Na presente temporada, já leva 17 partidas disputadas e 5 tentos anotados. Além disso, no último encontro válido pela UEFA Champions League, contra o Olympiacos, Raúl García igualou Adelardo Rodríguez, ídolo do clube (com mais de 500 jogos pelos alvirrubros, entre 1959 e 1976), e, com 66 jogos, é o jogador que mais vezes representou o Atleti em competições continentais.

#455027782 / gettyimages.com I Vivendo excepcional fase, chegou à Seleção

Sobre o momento de seu comandado, em abril deste ano, Simeone rasgou elogios: “É um exemplo de esforço, trabalho e querer. Tudo o que tem passado na temporada, não é casualidade, é causalidade,” disse ao ABC.es.

Agora fixado na história dos Rojiblancos, Raúl, aos 28 anos, vive grande momento e está em forma espetacular. Pelo meio, pelos flancos ou pelo centro do ataque, o espanhol vai bem e é peça essencial do time de Cholo. Enquanto muito se falou de outros nomes, encontrou seu espaço. Com discrição, doação e eficiência, paulatinamente, se tornou vital e um dos jogadores mais admirados pelos torcedores e por seu comandante.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.