Te cuida, Cruzeiro!

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Imagem original: Reprodução Youtube

Macaé é um município litorâneo do Rio de 201 anos e 224 mil habitantes. Graças ao petróleo da Bacia de Campos, seu IDH e PIB por pessoa são altos, grandes empresas e hotéis se estabeleceram na região, a economia cresceu e o potencial turístico aumentou.

Macaé é também o principal time da cidade, e acaba de garantir o acesso à Série B do Brasileiro. Fundado em 1990, chega à Segunda Divisão após disputar a Série D pela primeira vez em 2009. O primeiro jogo da final contra o Paysandu foi 1×1. Levantando ou não a taça, ele já fez história.

Mas o grande desafio da vida do jovem clube começa em 2015: sobreviver a um campeonato de 7 meses recebendo uma cota de TV de menos de R$ 3 milhões, com viagens de norte a sul do país e disputas contra equipes de maior tradição, torcida e experiência. Se possível, ficando na parte de cima da tabela.

Como?

Normalmente escrevo textos analisando fatos. Dessa vez, vou propor ideias. E gostaria de saber a opinião de vocês sobre elas.

Ponto um: sua ligação com a cidade. A Prefeitura é a principal patrocinadora do time. Como contrapartida, ele deve aproveitar a visibilidade de uma competição televisionada para promover Macaé como destino de turismo e negócios. Ao dar retorno – comprovado – sobre o investimento recebido, fica mais fácil manter a verba ou até aumentá-la.

Outro ponto é sua relação com a população. O time representa a cidade, suas conquistas e potencial. Esse orgulho precisa ser aproveitado para que as pessoas abracem a equipe, compareçam aos jogos, comprem produtos oficiais, vivam diariamente o Macaé. Algo diferente do que acontece hoje: o público da final histórica contra o Paysandu foi de pouco mais de 7 mil torcedores.

Para mudar isso, o clube deve trabalhar seu quadro de sócios e facilitar a compra de ingressos para a temporada; ter produtos licenciados de boa qualidade; criar ações de relacionamento na vida real, internet e em dias de partidas (essa tal de match day experience); melhorar pontos de contato como site, Twitter, Facebook e outras mídias sociais, que possuem um potencial gigantesco e custam muito menos para se trabalhar. Isso, só para citar alguns pontos relevantes.

O estádio deve ser bem aproveitado. Ainda mais agora, que o Moacyrzão acaba de ser dado de presente ao clube. E não falo só de DCS (Digital Connected Stadium). A própria estrutura pode ser alterada para suportar outros tipos de eventos e estabelecer uma relação melhor com os frequentadores.

Ainda poderia falar sobre outros pontos e ações, mas correria o risco de escrever um tratado em vez de um artigo. Além do mais, acredito que as ideias acima sejam suficientes para um pesado – e produtivo, se bem realizado – trabalho de marketing.

O importante é que os dirigentes comecem a agir o quanto antes. Planejamento e visão de longo prazo serão fundamentais nessa nova fase da vida. Com tudo indo bem, o Macaé pode se tornar a nova força do futebol carioca. Quem sabe até do futebol brasileiro.

E aí se cuida, Cruzeiro, porque o leão macaense vai caçar a raposa mineira.

Comentários

Sou coordenador de redes sociais do America-RJ e planejamento publicitário. Escrevo sobre marketing esportivo e futebol. Etc e tal.