A insaciável fome de Robbie Keane

Um suspiro e um aperto no coração devem ser as sensações de qualquer torcedor do Tottenham ao ouvir o nome de Robbie Keane. Jogador de futebol por sua qualidade e centroavante por instinto, o irlandês, aos 34 anos, segue estufando as redes adversárias. E é justamente por sua conhecida e afamada qualidade para aterrorizar os goleiros rivais que o atacante foi eleito o jogador mais valioso da última edição da MLS, marcando 19 gols e proferindo 14 assistências na competição.

Desde sua chegada aos Estados Unidos, em 2011, sagrou-se campeão da MLS Cup em duas ocasiões – podendo conquistar sua terceira no próximo final de semana e impressionando sempre por sua infernal capacidade de marcar. Pelo LA Galaxy, seu clube atual, já anotou 68 tentos em 113 jogos, média de 0,60 gol por partida. O detalhe é que a qualidade de seu desempenho não é algo momentâneo e nem, tampouco, reflete a maior fragilidade de seus adversários atuais – em relação aos de seus clubes anteriores.

Desde o mais tenro início de sua carreira, entre os 17 e 19 anos, o atacante mostrou incrível química com as redes contrárias. Em seus três primeiros anos, marcou 29 gols em 87 encontros, ou 0,33 gol por jogo, pelo modesto Wolverhampton. Em suas duas passagens pelo Tottenham, time em que foi melhor sucedido na carreira e onde passou mais tempo, marcou 121 gols em 293 jogos, média de 0,41 gol por jogo.

Quando esteve emprestado ao Celtic, balançou as redes 16 vezes em 19 jogos, registrando assustadora média de 0,84 gol por partida. Pelo Aston Villa, foram apenas sete jogos, mas três vezes deixou sua marca (média de 0,42). Torcedores de Coventry City e Leeds United também desfrutaram dos gols do irlandês e, exceções feitas às suas breves passagens por West Ham, Liverpool e Internazionale, Keane nunca deixou de marcar menos de um gol a cada três partidas.

Outro dado que corrobora a afirmação de que seu desejo de fuzilar as metas contrárias é insaciável é sua média com a Seleção Irlandesa. Mesmo ladeado por jogadores de qualidade duvidosa e, na maior parte das vezes, atuando em um esquema conservador, Keane balançou as redes 65 vezes, em 138 ocasiões (média de 0,47 gols por jogo), sendo não só o recordista de jogos com seu selecionado, mas também o maior artilheiro da história do país.

Sua proficiência é tão grande que, em novembro deste ano, o ex-atacante alemão Jürgen Klinsmann, atual treinador dos EUA, derreteu-se em elogios em entrevista coletiva, após o encontro entre seu selecionado e o de Keane:

“Costumo dizer isso nos Estados Unidos, Robbie Keane é um modelo para todos os jogadores norte-americanos que estão crescendo no jogo. Isso é o que ele tem feito desde que chegou do exterior, ele mostra aos jovens o que é preciso para se tornar um profissional, quanta dedicação você precisa, quanto comprometimento você precisa.

O Robbie é o mesmo Robbie no treino e no jogo, ele é gigante para a MLS porque esse é o tipo de jogador que você precisa em seu ambiente para fazer a liga crescer e para fazer os jogadores jovens entenderem o que os jogadores realmente grandes estão fazendo. Ao mesmo tempo, ele continua jogando pela Irlanda no mais alto nível, marcando gols, indo e voltando, então eu definitivamente o uso, muitas vezes, como um exemplo.”

Por onde passa, Keane só busca derrubar defesas e metralhar goleiros; foi assim aos 17 anos e é assim aos 34. Sua precisão e facilidade para marcar o transformaram em um dos grandes goleadores de seu tempo. E não faz diferença a liga ou o clube em que jogue, seu papel artilheiro e sua aptidão têm estado sempre lá, acompanhando-o fielmente, em um script de filme antigo, que, de tão bom, o mundo da bola não se cansa de “pedir bis”.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.