A Juve de Allegri

  • por Lucas Sousa
  • 6 Anos atrás

A fase da Juventus no futebol italiano nas últimas três temporadas é espetacular. Sob o comando de Antonio Conte, a Velha Senhora voltou a ser gigante na terra da bota e venceu com alguma tranquilidade as últimas três edições da Serie A – sendo uma delas, na temporada 2011/2012, de forma invicta. Por discordâncias com a diretoria, Conte deixou o clube para comandar a seleção italiana. Para seu lugar, a Juventus acertou com Massimiliano Allegri, ex-Milan. A Juve segue vencedora, mas o novo treinador trouxe mudanças.

Monaco - Juventus

Adepto de um futebol de posse, Allegri faz a Juventus trocar mais passes e controlar a bola. Nesta temporada, o time tem uma média de 511 passes curtos por partida, 39 a mais em relação à última de Conte. Como resultado disso, a posse de bola cresceu de 54% para 58% e é a segunda maior do campeonato. Embora a diferença não seja tão expressiva, o novo treinador começa a implantar um estilo menos direto na Juve.

 O que pode melhorar ainda mais esse controle sobre a bola é a mudança do esquema tático. Dando sequência ao ótimo trabalho de seu antecessor, Allegri manteve o 3-5-2 no início da temporada, mas as contusões na defesa forçaram uma mudança no esquema. Barzagli, titular nos últimos anos, se machucou duas vezes e ainda não entrou em campo nesta temporada. Os zagueiros Cáceres e Ogbonna (já recuperado) também sofreram com lesões, assim como o ala-esquerdo Asamoah.

Com tantos problemas na linha de defesa e com apenas dois zagueiros de origem à disposição (Chiellini e Bonucci), Allegri adotou o 4-3-1-2 que utilizava no Milan. Deu muito certo. Com este esquema, são cinco jogos e cinco vitórias, com 17 gols marcados e apenas três sofridos. Com um losango no meio e dois jogadores no ataque, é mais fácil controlar a bola nos setores mais avançados do campo, tanto que a Juventus é a equipe que mais tem posse de bola no campo do adversário, com 33%, e a que tem menos posse no seu próprio campo, 22%.

Foto: Reprodução - À esquerda, o time base campeão na temporada passada. À direita, a nova formação que Allegri testa na Juve

Foto: Reprodução – À esquerda, o time base campeão na temporada passada. À direita, a nova formação que Allegri testa na Juve.

Pirlo continua armando o time de trás, “carimbando” e qualificando a saída de bola como o homem mais recuado do meio-campo. Pogba, geralmente o vértice esquerdo do losango, é outro com cadeira cativa neste setor. Cada vez melhor, o francês aparece de área-a-área para construir e finalizar as jogadas. Pelo lado direito, Marchisio é o atual titular, deslocando Vidal para ser o enganche. Com a lesão do chileno, quem ganhou oportunidade entre os onze foi o recém-contratado Roberto Pereyra. Apesar das boas exibições, não conseguiu manter a vaga quando Vidal se recuperou, mas se mostrou bastante promissor e tem entrado no decorrer das partidas.

Defensivamente, a equipe de Turim teve uma leve melhora. A média de gols sofridos por partidas nos três anos de Conte era de 0,6 e caiu para 0,3 nos primeiros jogos de Allegri. Esses números passam por uma premissa básica (e até certo ponto boba): quando a bola está comigo, não está com eles, então não serei atacado. Como a nova Juve tem mais posse de bola, tende a ser menos atacada. Claro que não é somente a posse de bola que explica essa melhoria, mas é um dos fatores para que ela aconteça.

Se a defesa melhorou um pouco, o ataque evoluiu mais. A média de 1,9 gol por jogo subiu para 2,1 com Allegri, muito por causa de Carlitos Tévez. Nos seus dois primeiros anos de Juventus, Conte não contava com um matador desse porte no seu ataque. Antes de ver Tévez balançar as redes 19 vezes no último ano, teve de se contentar com Matri e Vucinic como principais goleadores do time, ambos marcando 10 gols por temporada no Italiano.

E nesta temporada Tévez é ainda melhor. Aos 30 anos, está voando com a camisa bianconeri e retornou, com muitos méritos, à seleção argentina. Com vigor físico, raça e técnica, é um dos atacantes mais decisivos da Europa nesta primeira metade de temporada e sem ele a Juventus não faria um começo de campeonato tão bom. Com nove gols e cinco assistências, Carlitos é responsável direto por 14 dos 30 gols da sua equipe, uma marca de 46% que mostra a importância do atacante para o time de Massimilano Allegri.

Ao menos neste início de temporada, a saída de Conte não parece tão significativa como se desenhava anteriormente. A Juventus continua acima de seus principais concorrentes no que diz respeito à qualidade técnica de seus jogadores e isso parece fundamental nesse período de transição. No cenário italiano, Allegri demonstra que pode dar conta do recado moldando a Juve ao seu estilo, mas o que a torcida quer é o passo que Conte não deu: a Liga dos Campeões. O antigo comandante parou nas quartas. O novo precisa mostrar que pode ir além.

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Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.