La “U” volta a conquistar o Chile

  • por Gustavo Ribeiro
  • 4 Anos atrás
Foto: Latercera - Martín lasarte com ataça

Foto: Latercera – Martín lasarte com a taça

No começo da temporada, Martín Lasarte foi anunciado como novo técnico da Universidad de Chile, que ainda procurava um substituto à altura para Jorge Sampaoli. Desde a saída do atual técnico da seleção chilena, três treinadores assumiram o cargo e todos fracassaram. Lasarte pegava uma base que ainda tinha alguns jogadores da época que encantou o continente sob a batuta de Sampaoli, mas que, desde então, havia conquistado apenas um título (a Copa Chile em 2012, sob o comando de Dario Franco).

Que a rivalidade no Chile é forte já é de conhecimento geral, mas isso ficou mais visível quando Lasarte foi anunciado como novo técnico. Antes de assumir a La “U”, o treinador uruguaio comandou a rival Universidad Católica, onde mesmo realizando um ótimo trabalho, não conseguiu traduzir em títulos. Foram três vice-campeonatos (a Copa Chile 2012/2013, o Torneio Nacional e o Apertura 2013) e uma eliminação na semifinal na Copa Sul-americana em 2012. A rejeição ao novo técnico foi enorme, o que mostrava como o trabalho seria duro.

Após se livrar de alguns jogadores, Lasarte começou as contratações. Dos nomes que chegaram, podemos destacar Gustavo Canales, Mathías Corujo, Cristián Suárez e Gonzalo Espinoza. Todos se tonaram titulares e peças essenciais no esquema implantado pelo treinador, que não é tão audacioso como o de Sampaoli, mas que também prioriza o futebol ofensivo. Mesmo com várias contratações, o time ainda teve remanescentes de temporadas anteriores como Johnny Herrera, Lorenzetti, Rojas, González e Rubio.

Assim como na Universidad Católica, Lasarte implantou o 4-2-3-1 na Universidad de Chile, que teve Johnny Herrera no gol; Mathías Corujo na lateral direita, Osvaldo González e Cristián Suárez na zaga e José Rojas na lateral esquerda; formando a dupla de volantes, temos os jovens Guzmán Pereira e Espinoza; na trinca de meias, responsáveis pela criação, temos Rubio pela direita, Fernández pelo centro e Lorenzetti na esquerda; e, mais à frente, responsável pelos gols, Gustavo Canales.

Mesmo vivendo sob a sombra de Sampaoli, Martín Lasarte procurou dar sua cara ao time. Passes curtos, compactação e marcação-pressão são algumas das características dessa Universidad de Chile, que em 17 jogos do Apertura teve apenas uma derrota (1×0 no clássico contra o Colo Colo), foi dona do melhor ataque com 37 gols marcados e a segunda melhor defesa com apenas 13 gols sofridos.

Outras estatísticas também ratificam o ótimo trabalho de Lasarte, o quarto estrangeiro a conquistar um campeonato nacional no clube: com 86,27% de aproveitamento, a Universidad de Chile é melhor campeão desde o Magallanes de 1934, que teve 93,34% de aproveitamento. Esse time também bateu o recorde de pontos (44) da história do Campeonato Chileno, superando o Colo Colo da temporada passada (42).

Sob o comando de Lasarte, vários jogadores conseguiram render o seu melhor e foram peças fundamentais na conquista. Na defesa, ao lado de experientes no clube como José Rojas e Osvaldo González (este último atingiu a marca de 200 jogos pelo clube), podemos destacar Mathías Corujo, que após se destacar na Libertadores pelo Cerro Porteño, foi uma das primeiras contratações para a temporada. Se na equipe paraguaia atuava como meia pela direita, na La “U” tomou conta da lateral direita.

Mais à frente, na dupla de volantes, as jovens contratações Espinoza e Gunzmán Pereira se firmaram rapidamente na equipe. Mesmo com apenas 24 anos, Espizona construiu a maior parte de sua carreira na Argentina. Chegando a pedido de Lasarte, fez o papel de segundo volante, e dos 12 jogos que disputou foi titular em 11. Em votação realizado entre jogadores do Apertura, foi eleito o melhor jogador do torneio Enquanto isso, Pereira foi contratado após ótima temporada no Wanderers para compor o elenco Azul, mas nas últimas rodadas acabou virando titular.

Passando para o ataque, outro que merece menção é Patricio Rubio, artilheiro do time na conquista do título com 11 gols em 16 jogos, além de quatro assistências. Vale destacar que a maioria dos gols foram marcados quando o vice-artilheiro e ídolo do time, Gustavo Canales, ficou fora por lesão. O número surpreende pelo fato da faixa de atuação de Rubio no campo ser a ponta direita, mesmo que em algumas ocasiões tenha sido improvisado para fazer a função de centroavante.

Na verdade, 2014 foi ótimo para o atacante, que é o maior goleador do time no ano com 22 gols em 31 jogos, uma média de 0,7 por partida. E, mais uma vez, vale ressaltar que Patricio Rubio não é centroavante e que nenhum dos seus gols no ano foi de pênalti. Além disso, o atacante mostra gostar de aparecer em jogo grande, já que sua maior vítima é a Universidad Católica, em quem marcou quatro vezes.

Foto: Terra.cl - Canales, um dos destaques da conquista

Foto: Terra.cl – Canales, um dos destaques da conquista

Depois de destacar tantos nomes, não podemos deixar de citar Gustavo Canales. Com 10 gols em 15 jogos, Canales conseguiu uma incrível marca pelo clube: conquistar todos os campeonatos que disputou. Em sua primeira passagem, disputou e conquistou a Apertura, o Clausura e a Copa Sul-americana de 2011 e agora, nesse seu retorno, ergueu a taça do Apertura 2014-2015.

Gustavo Canales foi contrato no começo da temporada, depois de várias especulações. Dentro de campo o retorno técnico foi imediato. Centroavante no 4-2-3-1, Canales também recua para armar, abrindo espaço para os dois pontos, principalmente para Rubio pela direita, artilheiro do time no campeonato. O ótimo momento do atacante chamou tanta atenção que chegou a ser convocado por Jorge Sampaoli para a seleção chilena.

Mesmo convivendo com lesões durante a competição, Canales foi peça fundamental quando esteve em campo. Foi seu o gol do título, no jogo da última rodada contra a Unión La Calera, de pênalti, aos 43′ minutos de jogo. Até aquele instante, o Colo Colo empatava e ambos ocupavam a liderança com 42 pontos, o que levaria a um jogo de desempate. Mas Canales, com toda experiência, cobrou a penalidade que daria a Universidad de Chile seu 17º título nacional.

Com a vitória no Apertura, a Universidad de Chile está garantida na Copa Libertadores 2015 como Chile 2. No Grupo 4, terá a companhia do campeão equatoriano, que ainda não está definido, do Internacional e do vencedor do confronto entre Morelia e The Strongest pela primeira fase da competição, a famosa Pré-Libertadores.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.