Éverton Ribeiro, o motor celeste

  • por Henrique Joncew
  • 5 Anos atrás

Éverton Ribeiro foi eleito pela segunda vez consecutiva pela CBF o craque do Brasileirão. Fundamental na criação de jogadas do Cruzeiro, o meia canhoto vive o melhor momento de sua carreira, ambientado a Belo Horizonte, entrosado com seus companheiros e colecionando títulos e prêmios individuais. O futebol vistoso do camisa 17 o alçou à condição de ídolo celeste logo em seu primeiro ano de clube. O torcedor acostumou-se a esperar e vibrar com suas impetuosas arrancadas em diagonal, enfileirando adversários.

O futebol de Éverton Ribeiro chama a atenção de qualquer fã de futebol, em especial o variado repertório de dribles que o meia aplica sobre seus marcadores. Mas Ribeiro também se destaca por sua capacidade de deixar os companheiros na cara do gol. As assistências do jogador – líder no quesito nas duas últimas edições do Campeonato Brasileiro – foram fundamentais ao Cruzeiro na conquista do bicampeonato. E Ribeiro também mostra recursos variados para presentear os companheiros com chances de balançar as redes. São chances criadas em escanteios, cobranças de falta, cruzamentos e passes em profundidade. A qualidade de jogo do camisa 17 o coloca como um dos principais jogadores do futebol brasileiro na atualidade, com vaga de titular em qualquer equipe do país.

Também saltam aos olhos seus gols. O jogador não é nenhum goleador, mas, quando marca, vira manchete. Ao longo da carreira, o meia já colecionou belíssimos tentos: pelo Coritiba, um belo voleio contra o Operário; pelo Cruzeiro, fila contra Santos e Bahia, cobrança de falta contra o Defensor e, claro, o chapéu seguido de chute no ângulo contra o Flamengo. E esses são apenas os principais exemplos da categoria na hora de balançar as redes.

Ao longo de sua passagem pelo Cruzeiro, Everton Ribeiro ainda desenvolveu progressivamente sua qualidade em regular o ritmo do jogo. Em alguns jogos em 2014, foi deslocado de sua posição original na meia-direita para o meio-campo, onde mostrou qualidade na distribuição de jogo e saída de bola. O alto nível em campo e a evolução do jogador chamaram a atenção de Dunga, que o convocou para a seleção brasileira nas vitórias contra Colômbia, Equador e Japão.

Mas o sucesso do jogador não é fruto apenas de seu trabalho no Cruzeiro. Éverton Ribeiro iniciou sua carreira no Corinthians como lateral-esquerdo. Na base do clube paulista, já dava mostra de sua vocação ofensiva e sua intimidade com a bola. Entretanto, foi mantido na posição de defesa, e assim estreou como profissional, na campanha do rebaixamento do time em 2007, sem grande brilho. Sem espaço, foi emprestado ao São Caetano, onde sua carreira começou a mudar de rumo.

No Azulão, o lateral começou a jogar esporadicamente como meia. E como criador de jogadas, seu futebol cresceu. As assistências e arrancadas passaram a ser sua marca. O trato com a bola chamou a atenção de Rogério Lourenço, à época treinador da seleção brasileira sub-20, que convocou o talentoso jovem para a campanha que culminaria com o título Sul-Americano da categoria em 2009.

Em 2011, Éverton Ribeiro foi contratado pelo Coritiba, onde começou seu trabalho com o treinador Marcelo Oliveira. Na capital paranaense, tornou-se definitivamente jogador de meio-campo e fundamental à equipe. Ribeiro foi um dos principais destaques do time nos vice-campeonatos da Copa do Brasil em 2011 e 2012 e nas estáveis campanhas no Brasileirão após o retorno do alviverde à Série A.

Finalmente, quando Marcelo Oliveira foi contratado pelo Cruzeiro em 2013, precisava de um homem de confiança em campo para escalar sua nova equipe. Para isso, trouxe consigo Éverton Ribeiro. Na equipe celeste, o jogador correspondeu e, mais do que titular, tornou-se um pilar de sustentação da equipe. Escalado como meia-direito, encontrou rapidamente encontrou rapidamente entrosamento com os colegas, aproveitando a movimentação de Ricardo Goulart para realizar suas infiltrações, buscando a saída de bola com Lucas Silva e tabelando com os laterais Mayke e Ceará nas jogadas de linha de fundo. O camisa 17, em geral, posiciona-se na intermediária de ataque para explorar ataques em diagonal e tabelas pela lateral. Dessas jogadas sai boa parte dos gols marcados pelo avassalador ataque cruzeirense. O atleta, ainda, combate e marca o avanço dos laterais e atacantes adversários pelos flancos, e é uma das principais alternativas para a saída de bola em velocidade nos contra-ataques.

A evolução do meia ainda não está completa. Em 2013, foi mais regular, enquanto em 2014 alternou partidas apagadas com jogos em nível ainda mais elevado que o do ano passado. No final da temporada, ainda sofreu com o desgaste físico, que deve ser melhor trabalhado para 2015. E, ainda, existem fortes críticas quanto à sua postura em campo, às vezes um tanto displicente e preciosista, e à sua participação em confrontos adversos ou decisivos, especialmente no Cruzeiro, que vive bom momento e é mais habituado a disputar títulos. Nesses pontos, Ribeiro ainda precisa se consolidar, especialmente agora que tem sido convocado para a seleção.

O momento para um jogador destacar-se individualmente com uma veia decisiva em geral é no auge de sua carreira. E isso é o que aguarda Éverton Ribeiro nas próximas temporadas. Aos 25 para 26 anos, o jogador encaminha-se para o que, em tese, para o seu auge. O camisa 17 já é fundamental à equipe por sua criatividade e controle de bola. Já conquistou dois títulos brasileiros e foi eleito craque de ambas as conquistas. Já é ídolo da torcida e tem bom ambiente e suporte técnico em seus companheiros. Terá pela frente chances de conquistar objetivos raríssimos no futebol nacional: o tricampeonato brasileiro em sequência e o terceiro título de Libertadores. Apenas o São Paulo detém esses feitos. Se já é um dos destaques do futebol nacional na atualidade, o desafio de Éverton Ribeiro, agora, é o de parafrasear seu clube e escrever suas próprias páginas heroicas imortais.

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Geólogo. Fã de futebol, Fórmula 1, paleontologia, astronomia e pirataria desde criança. Belo horizontino, cruzeirense e líbero, armador ou atacante canhoto. Tem Zidane e Velociraptor como grandes ídolos e modelos de vida. Gosta de batata frita, do espaço e de combater o crime à noite sob o disfarce de Escorpião Negro.