Fim da fila do Santos de Diego e Robinho

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 6 Anos atrás
Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

Um dos maiores times do país. Uma equipe que nos anos 60 encantou o mundo do futebol. Uma equipe que teve Pelé, Zito, Pepe, Gilmar. Campeã das Américas, do Mundo. Uma equipe que parou uma guerra civil.

Vendo todos esses feitos, fica difícil acreditar que essa equipe sentia a falta de um título específico. Mas o Santos e sua torcida sentiam falta de um título do Campeonato Brasileiro. Vice em 1983 e 1995, a equipe do litoral do estado de São Paulo era a única das grandes do estado que não possuía um título Brasileiro. Isso acabaria em 2002 e de forma extremamente surpreendente.

Após um pífio primeiro semestre, quando foi eliminado prematuramente na Copa do Brasil e ficou longe da disputa pelo título do Torneio Rio-São Paulo, o Santos teve três meses de pré-temporada forçada antes do início do Campeonato Brasileiro.

Sem dinheiro em caixa para grandes contratações, a equipe da Baixada apostou na garotada. Nas primeiras rodadas da competição, o Santos venceu 3 partidas, empatou outra e perdeu apenas uma, somando 10 pontos em 5 rodadas. Nos jogos seguintes, apesar de ter vencido Vitória, Grêmio e Vasco, o time empatou com CAP, Goiás e Palmeiras dentro da Vila e com o Gama fora, prejudicando sua campanha.

A maré virou no clássico contra o Corinthians, quando o Peixe venceu por 4×2 fora de casa. Foram mais duas vitórias, contra CAM em casa e Cruzeiro fora, dando uma respirada na classificação. Mas três derrotas seguidas – contra São Paulo, Portuguesa e Paysandu – novamente complicaram a vida da equipe no Brasileiro. Entretanto, 7 pontos nos 3 jogos seguintes – venceu  o Flamengo na Vila, empatou com o Bahia e derrotou o Guarani fora – deixaram a classificação encaminhada, mesmo com duas derrotas nas duas últimas rodadas. O Santos estava nas quartas, mas enfrentaria o São Paulo, líder da fase de classificação.

Quartas contra o São Paulo

Líder disparado da fase de classificação, dono do melhor ataque, contando com o artilheiro do Campeonato Brasileiro até então – Luís Fabiano – e com Kaká e Ricardinho, o São Paulo era considerado favorito para o confronto.

Mas no primeiro jogo o Santos exerceu muito bem seu mando, fazendo 3×1 e levando larga vantagem para a segunda partida, a ser disputada no Morumbi. O São Paulo confiava na força do seu ataque para reverter a situação e a esperança aumentou logo no começo do jogo, quando Luís Fabiano abriu o placar para os donos da casa. Mas a tranquilidade foi embora quando Reinaldo saiu machucado ainda no primeiro tempo. O ex-jogador do Flamengo vivia boa fase, tinha grande entrosamento com Fabuloso e sua saída foi muito sentida.

O São Paulo pressionou para ampliar o marcador ainda na primeira etapa, mas, na volta do intervalo, o Santos, antes dos quinze minutos, empatou com gol de Léo. Nos acréscimos, Diego se livrou de três marcadores e tocou na saída de Ceni para sacramentar a classificação do Peixe.

A semi contra o Grêmio

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Se no confronto contra o São Paulo o grande destaque foi Diego, na partida contra o Grêmio esse papel coube a Alberto e Robinho. O camisa 9 fez dois dos três na vitória por 3×0. O primeiro, num chute forte de fora da área e o segundo, de letra. Robinho completou o placar no fim do jogo, mas a atuação do jogador ficou marcada pela humilhação imposta ao zagueiro Anderson Polga, que acabou expulso de tanto fazer faltas no camisa 7. Na volta, o Grêmio venceu por 1×0, mas o placar foi insuficiente.

O ano do Corinthians

Campeão do Rio-São Paulo e da Copa do Brasil, a equipe treinada por Parreira buscava seu terceiro título no ano e tinha no seu ataque o ponto mais forte. Deivid e Gil viviam grande fase e a equipe ainda contava com Guilherme, um jogador que sempre apareceu em decisões. No Campeonato Brasileiro, o Corinthians fez campanha sólida na primeira fase, classificando-se sem sustos para o mata-mata. Nas quartas, despachou o Atlético-MG com um sonoro 8×3 no placar agregado. Na semi, a vítima foi o Fluminense, num confronto em que o Corinthians passou por ter melhor campanha na primeira fase, já que o placar agregado foi 3×3 (vitória de 1×0 para os tricolores na ida, vitória do Corinthians por 3×2 na volta).

A final

O primeiro jogo

Se no começo da fase eliminatória o Santos era encarado como zebra, a história mudou na final. A equipe do litoral de São Paulo não deu chances aos adversários nos confrontos anteriores e entrou na final com o moral alto. Pelo lado do Corinthians, a esperança era o forte ataque, um dos mais positivos da competição, além da experiência do grupo, que contava com jogadores como Scheidt, Vampeta, Rogério e Guilherme. Mas, no primeiro jogo, o Santos não deu chance ao rival e, com um gol em cada tempo, fez 2×0, com grande partida de Diego.

O segundo jogo

Precisando reverter a derrota na partida de ida, o Corinthians partiu pra cima logo no começo e viu que, além de Robinho e Diego, outro jogador do Santos estava inspirado na tarde do dia 15/12/2002: o goleiro Fábio Costa. A equipe de Parreira pressionava, mas pouco antes do fim da primeira etapa, ocorreu um lance que entraria para a história:

Após dar oito pedaladas, Robinho foi derrubado por Rogério dentro da área: pênalti, que o próprio Robinho cobrou para fazer 1×0. Nessa altura do jogo, o Peixe já não tinha mais Diego, que saiu de campo machucado no primeiro tempo.

Na volta do intervalo, o Corinthians seguiu pressionando e sempre parando em Fábio Costa, até que Deivid recebeu cruzamento de Gil e cabeceou sem chance de defesa. Dez minutos mais tarde, Anderson escorou bola levantada sobre a área santista e virou para o Corinthians. Faltavam pouco mais de cinco minutos para o fim do jogo e a clássica cena do time inexperiente entregando veio à mente de todos.

Mas dessa vez a história foi diferente e o Santos virou novamente, com duas grandes jogadas de Robinho. Na primeira, o atacante se livrou da marcação e serviu Elano, que bateu sem chances para Maurício. Na segunda, Robinho fez um carnaval na zaga do maior rival e entregou para Léo, que ajeitou e bateu no ângulo. Não havia tempo para mais nada.

Santos saía da fila e era Campeão Brasileiro de 2002!

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.