Isco, o décimo segundo jogador do Madrid

No dia 27 de julho de 2013, Francisco Román Alarcón Suárez foi contratado com novo jogador do Real Madrid. Cerca de 30 milhões de euros custou o Golden Boy 2012 ao time do recém-contratado Ancelotti. Isco havia passado as duas temporadas anteriores no Málaga, onde ganhou o prêmio que chamou a atenção de Florentino Perez.

Isco chegou e plantou uma dúvida na cabeça do treinador: onde colocar tanto talento? O jovem atleta esteve acostumado, durante toda sua breve carreira, a jogar colado à linha lateral do campo. Era um ponta que partia com muita qualidade em diagonal. Porém, no Real, quem fazia este papel era ninguém mais, ninguém menos que Cristiano Ronaldo.

Ancelotti criou situações em busca da solução, a primeira idéia, no torneio internacional dos campeões, foi colocar Isco como ponta e Cristiano Ronaldo mais próximo do gol. Assim, desfazia-se o 4-2-3-1, marca registrada da era Mourinho, e partia-se para duas linhas de quatro, com Özil do outro lado.

Reprodução: Fox Sports | Isco e Ozil abertos com Ronaldo mais a frente.

Reprodução: Fox Sports | Em 2012, Isco e Ozil abertos com Ronaldo mais a frente.

Isco fez algumas partidas por ali, inclusive a estréia na Liga Espanhola contra o Bétis, onde marcou e deu uma assistência. Porém, Ronaldo não se adaptou à posição de ataque, que tirava dele o arranque em diagonal. Isco rodou pelo meio e perdeu espaço com a chegada de Bale e o meio formado por Alonso, Modric, Khedira e mais tarde Di María.

Mesmo assim, o camisa 23 foi o jogador merengue que mais jogou na temporada 2013/14, sendo providencial na decisão, quando entrou e colocou fogo no jogo contra o Atlético. Em La Liga, foram 31 jogos, com oito gols e seis assistências. Na Champions, 12 jogos, com três gols e uma assistência.

Mesmo com bons números, o meia não se firmou na primeira temporada e, na segunda, com a chegada de James Rodríguez, parecia seguir sem espaço, mesmo com a saída de Di María.

Até que, em meados de Outubro, quando a temporada já havia começado e Isco tinha jogado apenas dois jogos completos em dez, tudo mudou. Gareth Bale lesionou-se às vésperas dos jogos contra o Liverpool e contra o Barcelona. Ancelotti testou seu jovem reserva contra o Levante, novamente em duas linhas, novamente aberto e novamente com Ronaldo mais à frente, como em seus primeiros jogos, lá no início. Resultado: um gol e uma assistência e a confiança do chefe.

A partir daí, Isco teve contra o Liverpool uma atuação segura nos três a zero em Anfield. Contra o Barcelona, deu show! Participou em gols e lances de perigo criados. Ali nascia uma novo xodó da torcida madridista. Como os próprios fãs merengues dizem por lá: “Isco es pura magia”.

Reprodução: VK | Contra o Barça, Isco pelo lado do campo e Ronaldo avançado. Como a dois anos, nos EUA.

Reprodução: VK | Contra o Barça, Isco pelo lado do campo e Ronaldo avançado. Como a dois anos, nos EUA.

O camisa 23 fez mais seis jogos como titular e conquistou seu espaço e a torcida, até que Bale regressou. Nos cinco a um diante do Rayo Vallecano, O espanhol foi para o banco e a dupla de homens abertos foi Bale e James. Aparentemente, assim continuaria o Real, até que uma data FIFA “levou” Modric e trouxe um novo desfalque ao time de Ancelotti.

Até então, seria difícil imaginar Isco trabalhando na dupla de volantes com Kroos. Mas Ancelotti não pensou duas vezes para tentar. Bale e James abertos, Isco e Kroos por dentro, controle de bola e passes fáceis. Com todos marcando e se ajudando foi possível mostrar que a formação ofensiva pode sim dar certo. Nesse esquema, foram cinco vitórias em cinco jogos, com direito a show de Isco e James na vitória sobre o Cornellà pela Copa do Rei.

Isco segue pedindo passagem, ganhando a confiança de Carleto e caindo nas graças da torcida. Na atual temporada, tem 21 jogos, dois gols e sete assistências. Hoje, sem dúvida, é o 12º jogador do time de Madrid, além de polivalente.

Reprodução: Sky Sports | Isco vindo buscar a bola junto aos zagueiros. Volante com a lesão de Modric.

Reprodução: Sky Sports | Isco vindo buscar a bola junto aos zagueiros. Volante com a lesão de Modric.

 

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Estudante de jornalismo. Redator e editor no Taticamente Falando. Colunista no Doentes por Futebol. Contato: raimonteiro96@gmail.com