Montezuma

  • por Nilton Plum
  • 6 Anos atrás

A civilização asteca, no século XII, constituía um dos diversos povos nômades, caçadores e guerreiros que viviam no norte do atual México. Viajaram, assentaram-se, mesclaram-se, adaptaram-se e se estabeleceram como uma formidável civilização  pré-colombiana. Uma sociedade complexa, que assimilou dos tepanecas e de outros povos conhecimentos técnicos, científicos, militares e políticos.

No século XVI, os espanhóis chegaram à América liderados por Cortez. Montezuma era o Imperador Asteca e a fé iniciou o processo de decadência de sua civilização. Direcionados por uma profecia mal interpretada, os astecas deram a Cortez todo o espaço de que precisava. Dizimou-os com violência e doenças propagadas. Doenças modernas. Enquanto atribuíam a Cortez a face de um Deus, Quetzalcátl, a serpente emplumada, ele massacrou mais de 6 mil de seus habitantes dentro de um templo. A História é escrita com sangue e sofrimento. Às vezes se repete, às vezes é irônica, agourenta. Às vezes simplesmente é esquecida.

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O Botafogo já foi o maior clube praticante de futebol no Brasil. Ele caiu de divisão ontem, pela segunda vez em sua História, ironicamente perdendo para outro clube de suma importância, o Santos, por 2×0. Quando os títulos e as glórias foram rareando, a máxima botafoguense do esteio da seleção brasileira, do clube de origem de Heleno, Nilton Santos, Garrincha e outros serviu de muleta pra uma torcida que recebeu a decadência tal qual os astecas no templo receberam a fúria conquistadora. Mas um clube é como uma divindade; ele precisa de crentes para existir e ter poder.

A simples assimilação por consanguinidade não basta já.

Por incrível que pareça, pior do que as dívidas, do que a má gestão, do que as polêmicas, do que as penhoras, do que o fraco elenco, do que o abatimento e a apatia da torcida, do que a segunda queda é a indiferença com que o fato é tratado, que massacra o alvinegro. Pelas redes sociais, brotam tímidas brincadeiras. Muito, muitíssimo aquém do que seria com uma queda de um time grande. O Botafogo caiu e ninguém, além dos botafoguenses, parece se importar. A torcida tem sua parcela de culpa? Os astecas iludidos pela profecia a tiveram quando deixaram a arma e a doença entrarem?

Ainda hoje, em meio ao caos, o clube alvinegro presta um grande serviço ao futebol brasileiro: o Botafogo é um aviso a todos os clubes. Do multicampeão São Paulo à novata Chapecoense, dos incensados mineiros aos cambaleantes Palmeiras e Vasco. É um aviso para todos os 39 clubes que constituem as duas divisões do futebol. Resta saber como passará à História e se deixará a decadência tomar-lhe a última grandeza.

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