O Diamante Negro

  • por Rafael Rodrigues
  • 6 Anos atrás

Craque da seleção brasileira e campeão por onde passou, Leônidas da Silva é considerado por muitos o maior jogador da história do Brasil no período antes de Pelé.

Carioca, Leônidas começou sua carreira em times do Rio de Janeiro, alcançando um patamar de destaque quando defendia o Bonsucesso, sendo ali convocado para as seleções carioca e brasileira.

Foi no Bonsucesso que Leônidas executou, pela primeira vez, a jogada que o deixaria imortalizado na história do futebol mundial, a bicicleta. Apesar de, segundo sua viúva, ter admitido não ser o inventor da jogada, como muitos acreditam, o craque foi quem aperfeiçoou a jogada, aplicando-a com maestria e chamando a atenção de todos.

Após ser campeão da Copa Rio Branco com a seleção brasileira, enfrentando o Uruguai na final em pleno Estádio Centenário e tendo marcado dois gols, o jogador foi contratado pelo Peñarol, um dos maiores clubes uruguaios e sulamericanos. Em Montevidéu, Leônidas não conquistou títulos, mas ganhou um dos apelidos que levaria consigo pelo resto da vida, o de “homem-borracha”, por conta da elasticidade que o jogador mostrava ter para executar a bicicleta.

Leônidas teve rápida passagem por Botafogo e Vasco da Gama, clubes de sua cidade natal. Apesar de ter ficado apenas alguns meses no cruzmaltino e cerca de um ano no alvinegro, o homem-borracha foi campeão carioca pelos dois, confirmando seu faro de vitórias e títulos.

Após sair do Botafogo, Leônidas atingiu o auge de sua carreira, quando jogou por anos com as camisas de Flamengo e São Paulo. De 1936 até 1941, período em que defendeu o rubro-negro carioca, Leônidas se tornou o maior artilheiro do clube em média de gols por partida, marcando 153 tentos em 149 jogos.

Foto: Divulgação / Site Oficial do Flamengo

Foto: Divulgação / Site Oficial do Flamengo

No tricolor paulista, Leônidas não conseguiu fazer tantos gols quanto fez por seu clube anterior, apesar de ter disputado maior número de partidas, mas foi igualmente idolatrado pela torcida são paulina.

Tanto pelo São Paulo quanto pelo Flamengo, Leônidas foi campeão estadual, chegando a ser penta do Campeonato Paulista.

Durante seu tempo no rubro-negro, Leônidas também ganhou seu segundo apelido, quando voltou da Copa do Mundo de 1938, o de “diamante negro”, dado pelo jornalista francês Raymond Thourmagen, de tão vislumbrado que ficou com a participação do jogador no mundial daquele ano.

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O apelido de diamante negro acabou por chamar a atenção da Lacta, que criou um chocolate com esse nome, em alusão à maior sensação do futebol brasileiro daquela época, Leônidas da Silva. À época, o chocolate alavancou as vendas da empresa, sendo o “diamante negro” o mais vendido no Brasil até os dias de hoje.

Após a carreira de jogador, Leônidas se aventurou como técnico pelo São Paulo e como comentarista, tendo inclusive ganho várias vezes o prêmio Roquete Pinto, o mais badalado da época para comunicadores.

Leônidas morreu em 2004, aos 90 anos de idade, na cidade de Cotia, em São Paulo. Apesar de ter sido jogador há mais de meio século, é lembrado até hoje como um dos maiores da história do Brasil (alguns, inclusive, o consideram melhor que Pelé). Leônidas tem até hoje o respeito que um grande craque merece.

Como disse Nelson Rodrigues: “Um jogador rigorosamente brasileiro, brasileiro da cabeça aos sapatos. Tinha a fantasia, a improvisação, a molecagem, a sensualidade do nosso craque típico”.

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Estudante de Jornalismo, carioca e torcedor apaixonado do Vasco da Gama. Trabalha no projeto "Embaixadores da Colina", do próprio Vasco, representando a faculdade ESPM. Sócio e frequentador assíduo de jogos do clube