O lado sombrio da Força

  • por Nilton Plum
  • 5 Anos atrás

Na epopeia cinematográfica “Guerra nas Estrelas”, a “Força” se institui como um poder metafísico no universo criado por George Lucas. Todo bom nerd sabe muito bem que a força é contrabalanceada entre duas ordens monásticas: os honrados Jedi e os corrompidos Sith. Um dos seus personagens mais importantes, o mestre jedi Obi Wan Kenobi, a descreve como “um campo de energia criado por todas as coisas vivas: ela nos cerca, nos penetra; ela mantém a galáxia coesa; ela provém de tudo; ela é tudo.” Desta maneira, prossegue o raciocínio que durante décadas vem comovendo quem gosta desta franquia: os Jedi usam a Força para o bem, os Sith a usam para o mal.

A despeito de toda simplicidade quase ingênua da obra de Lucas (e talvez isso seja seu maior mérito e segredo de sucesso), é interessante observar o fascínio, mesmo no século atual, que o confronto dúbio provoca nas pessoas: Bem x Mal, Yin x Yang, Jedi x Sith. No futebol, não. No futebol tudo é ambíguo, volátil; cinza. A paixão não é vermelha como o coração romântico. Ela é cinzenta; difusa.

Numa época na qual o torcedor mais esclarecido debate sobre o futebol de maneira geral, suas leis, seu viés administrativo, extrapolando o jogo em si, e que tudo resvala na questão da responsabilidade fiscal, acontecimentos recentes suscitam algumas reflexões.

Fluminense e seus patrocinadores

Independente do bem que tenha feito ao clube, isto é indiscutível, é fato que o ex-patrocinador do Flu inflacionava e muito o mercado. Especulações altíssimas, preços nas alturas, Freds, Concas e Cíceros. O Fluminense tem um desafio pela frente, o de acordar “porque Kansas foi pelos ares”.

Kalil e sua entrevista

Mesmo que tenha sido para levantar novamente a bandeira da equalização da distribuição das cotas de TV, conceito do qual é árduo e incansável defensor, o ex-presidente do Atlético-MG citou, recentemente, num programa esportivo de TV fechada, que se Flamengo e Corinthians “se arrumarem” é o fim do futebol brasileiro. E o Flamengo já estaria sendo arrumado…

A declaração é curiosíssima. Ora, TODOS os clubes brasileiros deveriam estar sendo “arrumados”. Isso deveria ser regra, não exceção. É muito, muito difícil ser decente num meio indecente. O clube que quer “ser arrumado” quita dívidas, aperta o cinto, corre inúmeros riscos, compra antipatias variadas, cria inimigos dentro e fora do seu habitat e assiste de camarote supertimes sendo montados janela após janela às custas de irresponsabilidades. Assiste a um São Paulo fechando o ano em déficit, a um Atlético-MG campeão, porém endividado e com atrasos, a um Corinthians que deixará apenas 20% de sua cota de TV para ser usufruída por seu próximo mandatário porque adiantou o resto, a um Fluminense que revela vários problemas que eram obscurecidos pelo mecenato que era seu ex-patrocínio…

É difícil resistir ao lado sombrio da paixão que cega o indivíduo e admite loucuras para ter seu desejo saciado, mesmo que momentaneamente. Poder em estado bruto.

Então a notícia que movimentou os bastidores na manhã de terça foi a investida, que partiu do Inter, sofrida por Luxemburgo, técnico do Flamengo. Luxemburgo ganha 350 mil reais no clube carioca. Um valor “módico” num mercado vertiginosamente inflacionado. É dito que o Inter teria lhe oferecido 700 mil… Ele negou. Justo o técnico que sempre teve suas atitudes ligadas ao capital, ao mercado, às negociações… Parece finalmente ter seu “pojeto”. O que sempre fora interrompido em épocas anteriores.

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