Olho Nele: Paulo Dybala

  • por Arthur Barcelos
  • 4 Anos atrás
Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

15 de novembro de 1993, 21 anos
Laguna Larga, Córdoba, Argentina

Instituto 2011-12
Palermo 2012-atual

Senhoras e senhores, Paulo Dybala. Mais nova sensação do futebol italiano, o argentino tem chamado atenção no começo de temporada na Serie A. Suas características? O velho estereótipo argentino: canhoto, habilidoso, ágil, boa leitura de jogo e personalidade forte. Somam-se a isso sua grande capacidade de finalização e competência nas cobranças de falta e escanteio. As comparações vão desde Sergio Agüero a Vincenzo Montella.

Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

Cria do Instituto, time da província de Córdoba, onde nasceu e cresceu, fez sua estreia no futebol profissional no segundo semestre de 2011, aos 17 anos. Considerado uma promessa da base, treinava com as equipes infantis desde os 10 anos e foi morar na pensão do clube aos 15 anos, após a morte do pai. Não demorou para chamar a atenção do país e se firmar no time principal. Terminou a temporada com 38 partidas e 17 gols no campeonato, a Primera B, segunda divisão do futebol argentino.

Com o garoto em campo, o Instituto ficou em terceiro lugar, atrás de River Plate e Quilmes, porém acabou perdendo para o San Lorenzo no play-off que o levaria para a primeira divisão. Ainda assim, Dybala fez seu nome e bateu alguns recordes, inclusive da maior cria do clube e um dos principais jogadores do futebol argentino: Mario Kempes. Foi o mais jovem a marcar um gol e o primeiro a jogar 38 partidas consecutivas em um campeonato profissional, além de ser o primeiro a marcar três gols duas vezes em um campeonato e marcar em seis jogos seguidos, superando a marca anterior de quatro em fila.

Tais exibições e marcas rapidamente chamaram atenção de equipes europeias, como a Internazionale. Recomendado pelo então capitão Javier Zanetti, hoje vice-presidente do clube, Dybala esteve próximo de fechar com os nerazzurri. Na época, o então garoto de 18 anos foi até entrevistado por um correspondente da Sky Sport, maior canal esportivo da Itália. Especuladores apostavam em uma negociação envolvendo 2 ou 3 milhões de euros, mas, meses depois, quem acabou contratando o garoto foi o Palermo, que adiantou 3,5 milhões de euros e completou o resto posteriormente, numa transação de 12 milhões de euros.

Na Sicília, chegou muito badalado pelo presidente do Palermo, Maurizio Zamparini. Chamado pelo cartola de “o novo Sergio Agüero”, assinou um contrato de quatro anos e 500 mil euros por ano, um enorme incremento em relação a seu salário no Instituto: 4000 pesos por ano, o salário mínimo. A camisa escolhida foi a 9, e a estreia oficial veio na segunda rodada da Serie A 12-13. O primeiro gol veio em dobro, na 12ª rodada, porém acabou não tendo impacto imediato. Na campanha que rebaixou o time rosanero, fez 27 partidas, 10 como titular, e marcou três gols.

Já na Serie B, começou a temporada como titular e representava a grande esperança para levar o time de volta para a primeira divisão. O desempenho, contudo, foi irregular. Além disso, o atleta enfrentou problemas físicos e acabou participando de apenas 28 das 42 rodadas, 26 como titular, com cinco gols e seis assistências. O clube voltou para a elite, porém Dybala ainda não tinha convencido.

Mas a desconfiança não era nada que dois anos de adaptação não pudessem curar. Em um futebol mais tático e físico, Dybala teve problemas para vencer os defensores e conseguir explorar suas qualidades técnicas. Ágil e habilidoso, encontrou nessas duas características a forma de passar pela defesa e marcar seus gols ou ajudar companheiros, concentrando-se nos treinos com o treinador Giuseppe Iachini.

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No simples sistema tático do time, que defende baixo com oito jogadores entre sua área e a intermediária, Dybala tem liberdade de movimentação para cair pelos lados, buscar desmarques entre os defensores adversários, fazer associações com o apoio dos alas, meias e o compatriota Vázquez, parceiro no time. A mudança facilitou sua adaptação e alavancou seu desempenho na primeira temporada como titular.

A confiança do clube, que preferiu apostar em seu potencial a investir em outra contratação, tem sido revertida em gols e pontos para o Palermo, que se encontra tranquilo no meio da tabela. Para se ter ideia do impacto de Dybala nesta temporada, seus sete gols e três assistências representam 53% dos tentos marcados pelo time no campeonato. Através desses gols, o Palermo somou 12 dos 17 pontos conquistados, ou seja, 70% dos pontos do time têm alguma participação do atacante.

Com média 7,42 no WhoScored, tem como características no site o drible, passe e contribuição defensiva, sendo seus pontos fortes chute de longa distância, passes à frente, faltas sofridas e ameaça nas bolas paradas. Com esses números e quatro gols seguidos em quatro jogos desde o início de novembro, tem colocado seu nome em outro patamar e gerado especulações envolvendo Arsenal, Inter e Napoli.

Seu preço? Zamparini não tem a menor intenção de facilitar. Já de olho na renovação do contrato, fala que Dybala “em dois anos será melhor que Cristiano Ronaldo, Messi e Ibrahimovic” e que “é o melhor atacante da Serie A. 42 milhões de euros? Talvez eu diga não… 42 milhões pode não ser o bastante”. “Eu acho que ele fica mais um ano com a gente, se escutar meus conselhos. Estamos falando sobre renovar o contrato. Ele é um cara inteligente. Quando o contratamos, ele estava com seus agentes, mas fez questão de ler cada palavra do contrato”, completa o presidente do Palermo.

E o interesse não é apenas de grandes clubes europeus, mas também da seleção italiana. Descendente de poloneses e italianos, Dybala também pode jogar por esses dois países. Recentemente, Antonio Conte, treinador da Itália, manifestou o desejo de contar com o atacante, que recusou. Por quê? “Sonho em jogar com Messi”, alegou Dybala. Sem minutos jogados pelas seleções de base da Argentina (convocado pela sub-17, não chegou a entrar em campo e recusou outra convocação pela sub-21), espera atrair Tata Martino e realizar seu sonho. Se continuar sua evolução, quem sabe Dybala não consegue realizar seu sonho?

Olho Nele!

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