Óliver Torres, o prodígio da Furia

  • por Doentes por Futebol
  • 5 Anos atrás
Arte: Doentes por Futebol

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ESPANHA (por Victor Mendes)

Destaque no time da cidade, o Cáceres, Óliver Torres foi comprado pelo Atlético de Madrid em 2006, após interesses de Espanyol e Barcelona. Não tardou até fazer sucesso na divisão de base colchonera. Sua preciosa perna direita o transformou em uma das maiores promessas da Espanha de sua geração, ao lado de Jesé Rodríguez, do Real Madrid, e Gerard Deulofeu, do Barcelona. Ao lado dos dois, Óliver ganhou a Copa Atlântico Sub-18, competição na qual foi eleito o melhor jogador, e a Eurocopa Sub-19 na Estônia em 2012. Um ano depois, caiu nas quartas de finais do Mundial Sub-20 contra o Uruguai, mas deixou o torneio como o maior destaque da mini Roja.

A chegada de Diego Simeone ao time principal do Atlético de Madrid foi o primeiro passo para a afirmação de Óliver em Manzanarez. Depois da conquista da Liga Europa em 2012, o treinador argentino convocou o jovem espanhol à pré-temporada em terras sulamericanas. Sua estreia oficial viria a acontecer na primeira rodada da Liga Espanhola daquela temporada. Contra o Levante, Óliver jogou por apenas 27 minutos, o suficiente para deixar uma amostra de seu talento.

Ao longo de 2012-2013, o natural de Navalmoral alternou entre partidas pelo time A e o time B do Atléti. Tanto a diretoria madrilenha, como Simeone não queriam apressar o progresso de Óliver. Aliás, o objetivo de Cholo sempre foi ter calma e paciência com o menino. A temporada seguinte parecia promissora. Em agosto, ele assinou um contrato para se tornar jogador do time principal. Passou a usar a camisa 16 e a entrar em campo com frequência por La Liga e Uefa Champions League. Em sua primeira partida como titular, marcou um gol contra o Bétis na segunda rodada, aos 13 segundos do primeiro tempo (é o gol mais rápido da história do Atlético de Madrid).

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No entanto, uma infeliz lesão no ombro acabou tirando Óliver de combate por três meses. Com o time A disputando ponto por ponto o título da Liga Espanhola com Barcelona e Real Madrid e o elenco sendo pouco rodado devido à alta competividade, a saída que Simeone teve para não frear a evolução de Óliver foi emprestá-lo a um time aonde ele pudesse ter mais oportunidades após a recuperação.

Cedido ao Villarreal (aquele clube que dá oportunidades aos jovens, preza pelo talento e tem um estilo de jogo bem leve e ofensivo) Óliver demorou a estrear, mas fez boas partidas aberto à esquerda do 4-4-2/4-2-3-1. Com liberdade de movimentação para se deslocar ao centro e criar jogadas, o espanhol foi importante ao Submarino Amarelo no restante da temporada: o time de Marcelino Toral terminou em sexto lugar e conquistou uma vaga na Liga Europa.

 

O fim do empréstimo pelo clube da Comunidade Valenciana resultou no início de outro. Dessa vez, rumou à Liga de Portugal, para jogar pelo Porto, que iniciava a temporada sob um novo projeto, comandado pelo também espanhol Julen Lopetegui. A estratégia de mercado do ex-treinador da Espanha Sub-21 foi montar seu elenco com base em jogadores espanhóis ou de passagem pela Liga Espanhola. Não à toa, fechou, além de Óliver, com Casemiro (Real Madrid), Brahimi (Granada), Tello (Barcelona), Adrián López (Atlético de Madrid), Campaña (Sevilla), Andres Fernández (Osasuna), Iván Marcano (Racing Santander, Villarreal e Osasuna) e José Ángel (Real Sociedad e Sporting Gijón). Ou seja: Óliver estava, praticamente, em casa.

 PORTUGAL (Por Levy Guimarães)

Óliver Torres chegou de empréstimo ao Porto em julho deste ano por uma temporada, indicado por Julien Lopetegui, o mesmo que o treinou nas categorias de base da Furia. Comandado por um treinador que o conhecia como poucos e atuando por uma liga de nível técnico menor, tudo indicava que seria o momento ideal para que ele, enfim, engatasse uma sequência mais longa de jogos como profissional.

E foi o que aconteceu. Apesar de enfrentar uma vasta concorrência dentro do elenco portista – como o colombiano Quintero, o brasileiro Evandro e o prata da casa Rúben Neves -, ganhou a confiança do treinador e foi um dos primeiros reforços a se garantir no time titular. Logo nas primeiras partidas da temporada, o reformulado Porto já apresentava um futebol dinâmico, veloz, de marcação-pressão e ótimo toque de bola, e Óliver Torres passou a ter um papel central nisso.

Em constante movimentação, o jovem espanhol tem sido uma grata surpresa para os Dragões. Busca o jogo na intermediária, aparece pelos flancos para tabelar com os atacantes e, por vezes, também aparece para finalizar, tendo marcado três gols na atual temporada. Tem chamado a atenção não só pela habilidade e agilidade, mas também pelo senso coletivo. Ele e o argelino Brahimi têm sido as principais peças da equipe vice-líder do Campeonato Português e classificada para as oitavas de final da Liga dos Campeões. Pode-se dizer que Torres tem sido até um pouco mais regular, ao passo que Brahimi, apesar da temporada brilhante, tem seus momentos de displicência.

É improvável que Torres continue no Porto para a próxima temporada. Afinal, com a boa performance que vem tendo em Portugal, Diego Simeone deve querer contar com o jogador para 2015/2016, quando retornará de empréstimo ao Atlético de Madrid. Julgando pelo potencial do jovem meia, a tendência é que, a partir daí, ele consiga se firmar na liga espanhola e ganhar maior projeção no futebol europeu. Olho Nele!

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