Os Imortais de Nova Friburgo

  • por Matheus Mota
  • 6 Anos atrás
Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

Em tempos de futebol moderno, com altas cifras envolvidas, relações midiáticas e afins, é difícil haver identificação de um atleta com um clube. Exemplos não faltam, como Rogério Ceni – São Paulo e Marcos – Palmeiras, pra ficar em dois exemplos, enquanto no exterior, Gerrard – Liverpool e Totti – Roma vêm automaticamente à mente. Porém, cabe salientar que os atletas supracitados, por mais dragas que tenham enfrentado, sempre foram jogadores extremamente conceituados, ganhando títulos e prêmios individuais. Se falar nos clubes, que estão entre os mais tradicionais de seus respectivos países. Não dizemos isso para diminuir o feito deles, longe disso: o que fizeram (e alguns deles ainda fazem) é simplesmente notável, sendo reconhecido até mesmo pelos adversários.

O caso abordado hoje é tão notável quanto, mas não é tão conhecido do grande público. Já foi salientado que os clubes mencionados anteriormente são grandes, mas eles não possuem algo que o Friburguense, do Rio de Janeiro, possui: quatro ídolos jogando. Há mais de 15 anos, o zagueiro Cadão, o lateral Sérgio Gomes, o volante Bidú e o meia Ziquinha disputam juntos o Campeonato Carioca pela equipe da Região Serrana. Claro, existiram algumas idas e vindas, geradas pelo calendário brasileiro, mas pode-se dizer que é quase uma heresia ver a escalação do Frizão sem esses quatros nomes.

Comecemos pela defesa, e pelo integrante mais antigo desse quarteto: o zagueiro Cadão. Nascido como Ricardo Jerônimo, o jogador recebeu a alcunha, que carrega até hoje, ao chegar no Friburguense, em 96, de onde saiu ocasionalmente para jogar no Barreira, de Saquarema, e, em seguida, no Anápolis de Goiás. Porém, sempre houve a certeza do regresso à Nova Friburgo. Tanto que recebeu a faixa de capitão há 16 anos. Ainda na defesa, vemos Sérgio Gomes. Capixaba de Viana, o lateral chegou no Frizão três anos depois de Cadão e passou por situação similar: com a necessidade de ocupar o 2º semestre, teve que jogar em outros times. Ambos já estão nos 40 (Cadão tem 43 anos e Sérgio está com 40), cientes que suas carreira estão no final, mas é quase certo que os dois estejam disponíveis para o Cariocão de 2015, esbanjando vitalidade.

Nesse grupo, há os “caçulas”: o volante Bidú e o meia Ziquinha, ambos com 35 anos. O mineiro Flávio Chagas recebeu a alcunha de Ziquinho por ser fã assumido de Zico e, por tabela, ter sido flamenguista na infância. O atual apelido veio do fato de um zagueiro do Friburguense não conseguir usar o diminutivo “nho”, falando invariavelmente “Ziquinha”, o que acabou pegando. Revelado no próprio clube, no final da década de 90, Ziquinha é indiscutivelmente o dono da camisa 11.
Por sua vez, Márcio Soares, ou simplesmente Bidú, nasceu na própria Nova Friburgo, começando no clube da cidade no começo dos anos 2000, tendo saído de lá pouquíssimas vezes. Somente isso geraria uma grande identificação com o clube, mas Bidú conseguiu o feito de marcar o milésimo gol da história do Friburguense, o que aumentou o seu status de celebridade na cidade.

Mais do que jogadores, Cadão, Sérgio Gomes, Ziquinha e Bidú são ídolos do Friburguense, reconhecidos por torcedores e cidadãos de Nova Friburgo. Depois de tantos anos, adotaram a cidade e o clube. Embora não tenham conquistado títulos, tornaram-se ídolos, pois demonstraram as virtudes mais reconhecidas pelo torcedor:determinação e fidelidade.

Comentários

Paulista e torcedor do Santo André. Historiador, acompanha o futebol como um todo, mas sobretudo o lado mais alternativo da coisa.