Raúl Madrid, a Lenda

  • por Victor Mendes Xavier
  • 5 Anos atrás
Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

Em 1994, estreou com 17 anos sob o comando de Jorge Valdano. Era jogador do time C, mas havia encantado o treinador argentino durante os treinamentos para a pré-temporada. No mesmo ano, marcou pela primeira vez, num dérbi de Madrid.

Aliás, uma atuação de ouro: gol, assistência e pênalti sofrido. Em 1995, já titular do ataque merengue, anotou seu primeiro gol na Liga dos Campeões da Uefa, competição na qual viria fazer história ao passar dos anos. Em 1998, adicionou ao currículo sua primeira orelhuda, a sétima do Real Madrid, quebrando um jejum de 30 anos sem o principal título europeu. Entre 2000 e 2002, foram mais duas UCL.



Jogador que mais atuou e mais marcou gols pelo Real Madrid (741 jogos e 323 gols). Cinco vezes melhor jogador espanhol do ano, quatro vezes seleção da Liga dos Campeões, três vezes melhor atacante da UEFA, duas vezes artilheiro da Liga Espanhola, uma vez goleador do ano da IFFHS, seleção da Eurocopa 2000. Mais jovem jogador a chegar a 100 gols no futebol espanhol e o terceiro maior artilheiro da história da Liga dos Campeões, competição na qual entrou em campo por 144 vezes.

A história de Raúl González Blanco seria capaz de encher vários parágrafos. Para muitos, Raúl Madrid. A camisa branca do maior clube da capital da Espanha nunca foi tão bem representada entre 1995 e 2010. 16 títulos, sendo seis La Liga e três UCL. Blanco de corpo e alma, Rául é uma lenda viva quando o assunto é Real Madrid.

https://www.youtube.com/watch?v=p74trcWCluo

Raúl tem fama no Brasil de jogador mediano que só teve destaque por anos por ser queridinho da mídia. Maldade. Ele surgiu como candidato a craque e foi realmente um dos melhores jogadores do mundo na posição por um bom tempo. Polivalente, poderia atuar como segundo atacante (como no Real Madrid pré-Galáticos), centroavante (como no finalzinho da carreira) e até mais recuado como meia-atacante (como em alguns momentos com Jupp Heynecks em 1998 e no Real Madrid Galáticos, sobretudo após a chegada de Ronaldo e, logo depois, Michael Owen).

A importância e a qualidade do madrilenho merecem sempre ser ressaltadas. Se ele nunca teve o mesmo destaque midiático de seus companheiros Bola de Ouro, não deixou der ser, dentro de campo, protagonista do Santiago Bernabéu. Em 2000/2001, na primeira temporada de Figo, foi artilheiro e campeão espanhol. Na temporada seguinte, com Zidane, anotou um gol na final da Liga dos Campeões, que terminou com título madridista. Ao lado de Ronaldo, o bom entendimento no ataque voltou a dar a taça da Liga Espanhola ao Real Madrid.

Atacante técnico, frio, com um bom arremate de esquerda e especialista nos gols de cobertura e de cabeça, ganhou notoriedade pelas atuações nos jogos decisivos. Em suma, era aquele jogador confiável, que não inflava seus números somente nos jogos pequenos. Contra o Barcelona, por exemplo, Raúl marcou 15 gols. Após um deles, em 1999/2000, temporada do centenário blaugrana, mandou a torcida rival se calar, despertando a fúria dos culés no Camp Nou.

Raúl tem muita história para contar em âmbito nacional, mas suas atuações nas competições europeias chamam a atenção. Titular nas três finais que disputou, marcou dois gols em duas delas. Entre 1999 e 2002, assistir a um jogo do Real Madrid pela Liga dos Campeões era ter certeza de uma boa atuação do camisa sete: ele dominava e condicionava a competição. Clubes como Juventus, Roma, Inter, Lazio, Milan, Manchester United, Barcelona, Bayern de Munich, Borussia Dortmund e Porto sofreram nos pés do espanhol.

Para Josep Guardiola, Raúl é o melhor jogador espanhol da história. Se é (realmente) ou não, melhor deixarmos de lado. O importante é que Raúl eternizou sua história no Real Madrid. Capitão, camisa sete e uma bandeira para o clube e para torcida. Eternamente, Raúl Madrid.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.