Burnley – Quando o suor não basta

  • por Gregor Vasconcelos
  • 5 Anos atrás

A maioria dos times, caso se encontrasse perdendo por 2×0 para o Manchester City fora de casa com pouco mais de meia hora jogada, entraria em pânico. Se preparariam para defender e evitar um resultado humilhante. Talvez, na melhor das possibilidades, eles perderiam por 3×0, uma derrota pesada, mas compreensível na casa dos atuais campeões. O Burnley não é um desses times.

Descartada por todos no início da temporada, a equipe de Sean Dyche vem atraindo admiradores de todos os cantos na Premier League, mesmo se encontrando na vice-lanterna da competição.

Diferentemente de outros pequenos que encantaram a Premier League nos últimos anos, o Burnley não se diferencia dos outros recém-chegados pelo futebol ofensivo e bem jogado, como Swansea e Blackpool fizeram depois de seu acesso. Os Clarets têm duas características que os destacam: sua organização tática e seu espirito de luta.

Foi esse espirito que fez o time – com gols de Boyd e Barnes – buscarem o empate no Eithad e que, quatro dias depois, ajudou a equipe a buscar o empate fora de casa contra o Newcastle, mesmo estando atrás do placar três vezes.

É de se esperar de um time recém-promovido à Premier League esse tipo de vontade, mas em um ano que viu o letárgico Leicester e um QPR rico de futebol pobre subirem à primeira divisão, o futebol dinâmico e vibrante praticado pelo Burnley representa uma injeção de ânimo na Premier League.

Infelizmente, falta uma coisa ao Burnley, que operaria o milagre de sua permanência: qualidade.

Apesar de Danny Ings se destacar a ponto de ser considerado pela seleção inglesa e Barnes se mostrar um bom escudeiro, o Burnley tem muitas dificuldades atacando. Eles têm o terceiro pior ataque da liga, com 19 gols, perdendo apenas para Aston Villa e Sunderland.

Um exemplo da falta de eficiência na frente do gol foi a partida contra o Liverpool. Foram 16 chutes, nenhum na direção das traves. Apesar de ter dominado grande parte do jogo e criado mais oportunidades que o Liverpool, o Burnley perdeu o jogo em um lance de qualidade de seu adversário, quando Philippe Coutinho deu uma assistência de costas para Raheem Sterling driblar o goleiro e marcar. Foi um momento de inspiração, um momento que toda a transpiração do Burnley jamais conseguiria recriar. A diferença entre a Premier League e o Championship.

A ascensão na última temporada já foi um milagre. Sem dinheiro para investir, se manter na elite do futebol inglês seria outro maior ainda. Mas, se existe um grupo de jogadores e técnico capaz de realizar este milagre, é este.

Infelizmente, nesse caso, parece que a falta de qualidade, e não a raça, será determinante. Mas o que importa para o Burnley é que, com 20 jogos, eles ainda se encontram em uma posição que os permite sonhar. Seja lá qual for o resultado dessa briga, os Clarets podem se orgulhar de uma campanha digníssima, na qual eles foram de saco de pancadas a um time contra o qual ninguém gosta de jogar.

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Torcedor fanatico do Arsenal e do Flamengo, Gregor é fã de longa data da Premier League, acompanhando a liga avidamente há 10 temporadas. Formado em linguística inglesa pela universidade King's College em Londres, agora faz mestrado em linguistica e literatura na universidade de Zurich. Colunista da extinta revista "Doentes por Futebol", hoje é o editor de futebol inglês no site.