Cruzeiro com De Arrascaeta, sem Goulart: o que muda?

  • por Alexandre Reis
  • 5 Anos atrás
Arte: Doentes por Futebol

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Contribuição: Danilo Moreira

Após vender Ricardo Goulart, uma das principais peças do elenco bicampeão brasileiro, para o Guangzhou Evergrande, por cerca de 48 milhões de reais, o Cruzeiro já se mobilizou para conseguir um substituto à altura.

No último fim de semana, a diretoria celeste confirmou a chegada do uruguaio Giorgian De Arrascaeta. Principal nome do Defensor Sporting na última Libertadores e promessa uruguaia para a Copa de 2018, o jovem de 20 anos foi contratado por pouco mais de 10 milhões de reais.

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O meia contribuiu com dois gols e duas assistências em sete jogos na campanha do vice-campeonato uruguaio no Mundial sub-20 de 2013 e marcou 18 gols em 64 partidas pelo clube de Montevidéu, levando-o às cabeças do futebol sul-americano.

O que muda no time mineiro com a vinda do meia armador? Quais são as variações táticas que o técnico Marcelo Oliveira pode utilizar ao longo do ano? O Doentes por Futebol traz algumas opções a seguir:

Goulart se destacou no Cruzeiro pela grande capacidade de concluir as jogadas, como pode ser visto em 2013, mas principalmente pela excelência no posicionamento e pela presença de área. Mesmo sendo lento e tendo uma qualidade de passe regular, abria espaços para que os pontas do 4-2-3-1 pudessem infiltrar em diagonal e tabelar com o centroavante. Quem mais se beneficiou dessas características foi Everton Ribeiro, craque do Brasileirão por duas vezes consecutivas. Ricardo Goulart também se sobressaiu pela força física, atuando em raras ocasiões como um armador clássico, que segurava a bola e cadenciava o jogo quando preciso. Um claro exemplo foi sua atuação contra o Santos, no segundo jogo das semifinais da Copa do Brasil de 2014.

Arrascaeta, entretanto, possui exemplarmente as características inversas de Goulart. Trata-se de um jogador técnico, marcado por sua ótima condução de bola e pela habilidade com que arma as jogadas, sempre com a bola nos pés, como um autêntico camisa 10. Na Libertadores, atuou centralizado na maior parte do tempo, mas sabe também jogar pelos lados, como no esquema que Marcelo Oliveira utiliza desde 2013.

Se o treinador celeste optar pela continuidade do sistema, o que seria benéfico para a consolidação do elenco inicial que a Libertadores tanto pede, Arrascaeta pode ocupar o centro, mantendo Everton Ribeiro à direita e Willian/Alisson/Marquinhos à esquerda. Esta formação, talvez, seria a mais ideal, uma vez que o meio campo teria um jogador que cumpre a função de buscar a bola na defesa e, ao mesmo tempo, contaria com um Everton Ribeiro mais à vontade e menos sobrecarregado.

Caso queira testar um esquema tático diferente, o 4-4-2 é outra opção para Marcelo Oliveira. Nesse caso, o uruguaio continuaria ao centro, mas com um posicionamento pouco aberto, e Everton Ribeiro seria deslocado ao meio. Com isso, Willian, caso fosse o titular, relembraria sua fase de segundo atacante dos tempos de Corinthians, atuando ao lado de um centroavante. A opção favoreceria o sistema defensivo, compactando a equipe na defesa. A princípio, porém, pode comprometer os lances contra-ataques, estes que são marcas registradas do time, já que contaria com menos homens no meio campo para conduzir a bola ao gol.

Uma possibilidade alternativa, mas válida, é aderir ao 4-3-3, com Henrique e Lucas Silva pelos lados direito e esquerdo do centro defensivo e Arrascaeta um pouco mais à frente. Dessa forma, Everton Ribeiro e Willian/Alisson/Marquinhos continuariam com abertura, mas um pouco mais próximos do centroavante, que provavelmente será Leandro Damião ou até mesmo Joel. É um esquema um tanto quanto ousado, que certamente sacrificaria o futebol de Lucas Silva ao lado de Henrique e careceria de laterais muito mais cuidadosos nas descidas ao ataque. No entanto, o fator positivo seria a liberdade dada ao uruguaio, que teria mais espaço e criatividade para municiar os atacantes.

Certamente, opções e inteligência não faltarão a Marcelo Oliveira para encaixar o talentoso meia uruguaio no time celeste. Um ponto positivo nesta contratação, independente de resultado, é ver um clube brasileiro apostando num jovem talento de um país vizinho. O Brasil tem que aproveitar melhor seu poderio financeiro frente aos outros países sul-americanos e garimpar joias que possam render aqui e futuramente serem revendidas com margem de lucro. Bons nomes existem e De Arrascaeta se apresenta como um deles. Para encontrá-los, basta saber procurar:

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Estudante de Jornalismo, apaixonado por futebol. Seja a final da Copa do Mundo, as semifinais de uma Copa Rural, um jogo da Liga dos Campeões ou eliminatória da 4° divisão de algum campeonato amador do interior.