Hora e vez do Internacional

  • por Rogério Júnior
  • 6 Anos atrás

Um cheiro muito agradável paira sobre as margens do Rio Guaíba, em Porto Alegre. Trata-se de um aroma instigante e que proporciona uma sensação que provoca interesse e emoções afloradas em todo o povo vermelho do Rio Grande do Sul. O cheiro é de Libertadores da América.

Tradicionalmente bairristas e mentores de uma espécie de pátria paralela, os gaúchos são apaixonados pelos sabores que só o torneio continental é capaz de trazer. Verdadeiras batalhas nas canchas, euforia dos torcedores nos palcos, especialmente de Porto Alegre, e disputas acirradas em terrenos vizinhos são alguns dos componentes inerentes ao exercício de disputar uma Libertadores.

Há uma sinergia evidente no Gigante da Beira Rio para a disputa da Libertadores 2015: Honra do povão da arquibancada e qualidade do elenco. O futuro é promissor.

Nesta edição, de 2015, há ainda um item extra e que só corrobora a importância do torneio continental para o povo do chimarrão: o Internacional representará o Rio Grande do Sul e isto, que pode parecer irrelevante para torcedores de times de outros estados, para o gaúcho é questão de honra.

Será a quarta vez neste século que o Colorado terá esta incumbência. Em 2006 e 2010, sem a companhia do maior rival na disputa, honrou o estado de forma magistral, alcançando o título das duas edições. Falhou apenas em 2012.

Mais do que honra

No entanto, a honra não será a única arma vermelha em busca do tão sonhado tricampeonato da América. O escrete, que será conduzido por Diego Aguirre, regido por Andrés D’Alessandro e administrado por Vitório Piffero, eleito presidente há alguns meses, tem bola a mostrar e oferece uma série de variações táticas que podem colocar a terceira taça na vitrine no Museu do Inter.

O mercado de verão do Colorado foi satisfatório. Píffero foi capaz de aparar as arestas do elenco, trazendo peças-chave para a disputa da Libertadores, aliando jogadores experientes no torneio, jovens promessas e pratas da casa. A fórmula é simples.

Para a lateral direita, o Internacional resolveu apostar no garoto Leo, que se destacou no Atlético-PR em 2013, levando o clube ao vice-campeonato da Copa do Brasil daquele ano. Na apresentação, o garoto de 23 anos de idade disse estar realizando um sonho e constatou: “Libertadores é uma oportunidade única”. Para supri-lo, em determinadas ocasiões, o clube ainda conta com o jovem Cláudio Winck.

Outro buraco do Internacional, versão 2014, foi o sistema defensivo. Para resolver a questão, o Inter foi até a Cidade do Galo e buscou Rever, o grande xerife do fatídico Atlético-MG de 2013, campeão da Libertadores. Com Rever em forma e disposto a comandar a defensiva vermelha, Ernando, Paulão e Juan, seja qual for a escolha de Aguirre, poderão crescer ao natural.

O chileno Charles Aránguiz será um dos homens da meia cancha colorada e terá o papel de se infiltrar e flutuar no campo adversário.

Mas é no meio de campo onde se encontra o grande charme do atual Internacional. É possível estabelecer diversas variações e disposições táticas, sem perder a força de conjunto na meia cancha.

Ao que tudo indica, Willians será o primeiro homem e terá os papeis de contenção e desarme, na charmosa meiuca colorada. Seu papel será reter a bola e entregar a Nilton, a grande sacada do Internacional nesta janela. Com o objetivo claro de recuperar a forma que o levou a ser um dos pilares do Cruzeiro de 2013, campeão brasileiro, Nilton terá a chancela de pegar a bola de Willians, rodear a meia lua, abrir espaços e entregá-la ao chileno Charles Aránguiz, outro moderníssimo volante, que flutuará no campo de ataque e se infiltrará na grande área adversária, da mesma forma que atuou na Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

O que no papel parece muito óbvio de entender, na prática é tarefa quase inexistente no Brasil. O que Nilton fará no Internacional, acredite, pouquíssimos outros jogadores fazem na terra do 7×1. Nilton, além destas características ressaltadas acima, tem boa visão de jogo e capacidade de lançamento longo, o que o torna elemento essencial no processo.

Nilton espera recuperar o bom futebol de 2013, quando se notabilizou como um dos pilares do campeão brasileiro Cruzeiro.

Os três volantes, ordenados e trabalhando em conjunto, terão a obrigação de encontrar o argentino D’Alessandro, o grande maestro vermelho. De personalidade fortíssima e ciente de seu papel no campo, é de seus pés que sairão as bolas alçadas para o centroavante, seja ele Rafael Moura ou o próprio Nilmar, ídolo colorado e que atuou como centroavante no Catar, junto de Diego Aguirre. Partirá, também de D’Alessandro, as bolas na paralela enfiadas para a correria tática de Vitinho, outra grande contratação do Internacional.

Aguirre ainda poderá contar com a juventude e os improvisos de Valdívia, Eduardo Sasha, a experiência de Jorge Henrique e de Alex e a provável contratação de um jogador estrangeiro para auxiliar o 10 argentino. Depois de perder De Arrascaeta para o Cruzeiro, o time gaúcho flerta com a possibilidade de contratar o colombiano Sherman Cárdenas, vice-campeão da Sul-Americana 2014 pelo Atlético Nacional.

O Internacional de 2015 tem muito a nos oferecer.

Comentários

Curitibano, jornalista, 24 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.