Temos Willian e Oscar: Falta o Fàbregas

  • por Helena Martinelli Serra
  • 5 Anos atrás
Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

Por: Sérgio Lopes

A vitória do Chelsea sobre o Swansea no último sábado, pelo Campeonato Inglês, impressionou não só pelo elástico placar construído (5 x 0), mas pela forma que o time de Londres impôs seu jogo de toques rápidos e extrema verticalidade. A equipe de José Mourinho talvez seja aquela que mais impressiona do ponto de vista coletivo na atual temporada europeia. Em tempos de frequentes debates sobre o que seja futebol moderno, assistir ao Chelsea de Mourinho é dever de casa obrigatório para entender o que há de mais atual no esporte.

O setor de destaque do Chelsea é, sem dúvidas, o seu meio de campo. Fàbregas, Willian, Oscar e Hazard se movimentam intensamente, trocam passes rápidos, possuem drible. A habilidade desses jogadores desarticula defesas bem montadas e a presença de Matic protegendo a defesa torna o meio campo da equipe londrina ainda mais sólido.

Em um momento de discussão sobre o estado de estagnação do futebol brasileiro, surge a seguinte questão: como pode um dos melhores times do mundo na atualidade contar com dois titulares do Brasil como jogadores-chave da equipe e a nossa seleção ser criticada, corretamente, como um time de meio campo pobre? A resposta está no título da matéria: Se a seleção brasileira já pode contar com jogadores como Willian e Oscar, que se destacam em um dos melhores times da atualidade, ainda nos falta o Fàbregas.

https://www.youtube.com/watch?v=4hBGA54m2bs

Há poucos dias, Tostão escreveu que “há mais de 20 anos, o Brasil não produz um único craque meio-campista, mistura de volante e de meia”. O colunista se refere a jogadores como Kroos, Schweinsteiger, Modric, Xavi, Pirlo, Yaya Touré e Fàbregas, esse último tomado como exemplo neste texto. É exatamente desse tipo de jogador, aquele que arma a equipe vindo de trás, que o Brasil mais carece.

Muito se fala sobre a falta de um grande centroavante ou de um armador clássico (aliás, como são chatos e repetitivos os debates sobre a inexistência do camisa 10 clássico no futebol brasileiro). Contudo, apesar de também sentirmos falta desses jogadores, o tipo de atleta que mais marca a diferença no futebol atual é o citado por Tostão. Aquele jogador que nos desperta a dúvida: é volante ou é meia? A presença desse meio-campista é que separa os times ótimos dos comuns no futebol de hoje.

Aliás, é de se notar que as últimas três seleções campeãs mundiais contavam com esse “meio-campista craque, mistura de volante e de meia”.

https://www.youtube.com/watch?v=zv_3ggMN0TI

A Itália de 2006 contou com um Pirlo fazendo Copa formidável.

A Espanha de 2010 tinha Xavi.

A atual campeã do mundo, por sua vez, contava “só” com Toni Kroos e Schweinsteiger preenchendo o seu meio de campo. Não é coincidência ou acaso. É precisamente esse tipo de jogador que dá títulos no futebol moderno.

É difícil visualizar, entre os jogadores brasileiros em atividade, algum que tenha essa característica. Talvez quem mais se aproxime disso seja Fernandinho. Entretanto, apesar de o atleta do Manchester City ser um excelente jogador, ele não figura entre os melhores da posição, sendo, por exemplo, coadjuvante do marfinense Yaya Touré na equipe inglesa. Outro que merece menção é a promessa Lucas Silva, do Cruzeiro, o qual, se bem trabalhado, poderá se transformar em referência na posição.

Na busca pela melhoria do futebol brasileiro, é preciso identificar os reais problemas do jogo praticado pelos times brasileiros. Um deles é certamente a carência do “volante-meia” aqui descrito. Se entre os jogadores em atividade não é fácil encontrá-lo, faz-se necessário produzi-lo na base. É preciso pegar o jovem meia ofensivo e habilidoso e colocá-lo para jogar como primeiro volante, como segundo volante, enfim, em todas as posições do meio campo, a fim de se produzir um meio-campista completo. Afinal, é a falta desse jogador que faz com que a seleção brasileira não consiga competir com a melhores seleções europeias atualmente. Em outras palavras, é preciso encontrar o Fàbregas brasileiro para acompanhar Willian e Oscar.

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