O bravo derrotou os brutos

  • por Lulu
  • 5 Anos atrás

Desdém não condiz com ousadia no drible. Desabilitar a habilidade deveria ser crime inafiançável. Desdém condiz com aplaudir a truculência, vaiando a arte e adotando a vilania como lado correto da história. O Atlético tem seus méritos. Simeone fez uma fusão entre fortaleza e guerrilha, fisicamente forte e taticamente disciplinada. Os colchoneros têm do que se orgulhar nos últimos anos, equiparando-se constantemente ao Barça e ao Real. Mas mais técnica ainda é o principal trunfo no planeta bola.

Na primeira oportunidade de réplica ao gol relâmpago de Torres, Messi em espaço curto fez muito, aplicando finta desconcertante em Mario Suárez e acionando Luizito, que com giro rápido e toque cirúrgico proporcionou ao protagonista do dia, Neymar, correr em diagonal e bater cruzado sem chances para o goleiro. O Atlético até ganhou sobrevida em cobrança polêmica de pênalti, convertida por Raúl García. Mas mais sorte teve o Barcelona, que empatou na infelicidade de Miranda e pôs o adversário nas cordas em outro contra-ataque mortal puxado por Messi, servido por Alba e sacramentado magistralmente pela estrela da noite, Neymar; 3 a 2 para os visitantes nos melhores 45 minutos de futebol de 2015 até então e classificação praticamente assegurada.

Depois disso, houve reclamação do time da casa em outro lance de pênalti pedido por Griezmann, em lance que antecedeu a virada do Barcelona, quando o lateral-esquerdo do Barça bloqueou um chute com o cotovelo dentro da área. Discussões, confusões e Gabi expulso, para liquidar de vez o ímpeto do Atlético, foram os elementos destemperados do intervalo.

Na sequência, a partida ganhou ares sonolentos, com o clube catalão conduzindo o jogo na maciota, sem tanta agudez. Exceto pelo surto de Arda Turan, que arremessou sua chuteira contra o auxiliar após reclamar da não marcação de uma falta, pouco houve de notório nos 45 minutos finais da peleja. Que teve Neymar servindo de bode expiatório para jogadores e torcedores do Atlético de Madrid, injustamente. Que teve Neymar reverenciado como herói decisivo para os afeiçoados blaugranas e outros amantes do futebol, justamente!

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Homem garoto de convicções grisalhas formado em Ciência da Menstruação, Agronomia Espacial, Lirismo Marginal e Terapia Libidinosa. Com repertório vocacional fincado em irreverência, improviso, cinismo lúdico e boleiragem plena.