O faxineiro da Gávea

  • por Fernando Carreteiro
  • 6 Anos atrás

Rodrigo Caetano fez uma verdadeira faxina no elenco do Flamengo. Vinte jogadores já deixaram o clube carioca.

Rodrigo Caetano em sua apresentação no Flamengo (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Rodrigo Caetano em sua apresentação no Flamengo (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Mal termina a temporada, já começam as expectativas dos torcedores sobre novos reforços. Presidentes, vice-presidentes, diretores e até treinadores são julgados a respeito de possíveis contratações. O interesse principal, aliás, é sempre este: contratações. Porém, muitos menosprezam o outro lado do planejamento.

Ao fim de 2014, o técnico Vanderlei Luxemburgo já havia definido quais jogadores, em contrato com o Flamengo para a próxima temporada – alguns retornando de empréstimos – não fariam parte dos planos para 2015. Eram 19* atletas no total: os goleiros Felipe e João Paulo, os zagueiros Fernando, Erazo e Renato Santos, os volantes Amaral, Recife, Caio Quiroga, Val e Muralha, os meias Mattheus, Rodolfo, Bruninho e Thomás, e os atacantes Rafinha, Negueba, Igor Sartori, Darlan e Elton. O lateral Leo não foi citado oficialmente na lista, provavelmente por possuir um potencial de mercado relevante, mas também não constava nos planos do pofexô.

Nos últimos anos, as dispensas do Flamengo foram sempre desastrosas. Muitas vezes por via judiciais. Aqueles que eram emprestados não conseguiam vingar vestindo outra camisa, mesmo em times com pouca concorrência. Retornavam ainda mais desinteressantes. Aparentemente, o mercado passou a olhar os não-aproveitados do Flamengo com desconfiança.

Thomás jogou a Série B do Calcio pelo Siena em 2013 e não agradou (Foto: AC Siena / Divulgação)

Thomás jogou a Série B do Calcio pelo Siena em 2013 e não agradou (Foto: AC Siena / Divulgação)


O cenário para o início de 2015 não era muito diferente. Dos atletas emprestados que retornariam à Gávea, só Thomás conseguiu um desempenho razoável atuando pela Ponte Preta*, despertando interesse do clube de Campinas pela sua permanência. Todos os demais entraram na janela de transferência desvalorizados. Como conseguir “se livrar” de tantos jogadores assim?

Rodrigo Caetano é o homem que pode responder. O diretor executivo do Flamengo assumiu o cargo no início de dezembro diante deste cenário nada satisfatório para negociar os “indesejados” do clube. Em menos de dois meses, o ex-diretor de Vasco e Fluminense, conhecido por ter uma boa “network” no futebol brasileiro, conseguiu fazer a chamada faxina completa. A barca zarpou! Com o anúncio das saídas de Élton, Felipe e Matheus esta semana, Rodrigo conseguiu remover da Gávea todos os jogadores fora dos planos (à exceção do goleiro João Paulo, que nunca atuou como profissional e tem um custo irrisório para o clube). Felipe foi o único que não foi negociado sem envolver a Justiça, mas saiu em uma “demissão amigável” segundo seu empresário, numa negociação que agradou tanto ao clube como ao atleta.

Veja o destino dado aos “indesejados” do Flamengo:

Emprestados:

Léo (LD, Internacional)
Erazo (Z, Grêmio)
Fernando (Z, Bragantino)
Muralha (V, Bragantino)
Igor Sartori (A, Bragantino)
Renato Santos (Z, Bragantino)
Amaral (V, Vitória)
Thomás (M, Ponte Preta)
Recife (V, Atlético/GO)
Rafinha (A, Atlético/GO)
Rodolfo (M, Coritiba)
Welinton (Z, Coritiba)
Mattheus (M, Estoril-POR)
Val (V, Mogi Mirim)
Bruninho (A, XV de Piracicaba)
Caio Quiroga (V, ASA)
Darlan (A, ASA)

Liberados:

Negueba (A, Coritiba)
Élton (A, Vitória)
Felipe (G, sem clube)

Amaral e Erazo foram usados como moeda de troca para a aquisição de Arthur Maia e Bressan, respectivamente. Quiroga e Darlan também foram usados para adquirir o lateral Thallyson junto ao ASA. Com o Bragantino, o Flamengo aproveitou a negociação de quatro jogadores para ampliar a relação com o clube e ter preferência sobre futuras revelações do time do interior paulista. Estes casos mostram como o planejamento da saída de jogadores foi bem realizado, ajudando, inclusive, a fortalecer o elenco principal de Vanderlei Luxemburgo com peças desejadas pelo treinador.

"El Elegante" vai jogar na zaga de Felipão no Grêmio (Foto: Rodrigo Fatturi/Grêmio)

“El Elegante” vai jogar na zaga de Felipão no Grêmio (Foto: Rodrigo Fatturi/Grêmio)

Como já foi dito por um dirigente do Rubro-Negro: “Comprar Ronaldinho é fácil, quero ver conseguir se livrar do Welinton”. Negociar atletas que não fazem parte dos planos é de fundamental importância para qualquer clube, e é um trabalho tão complicado quanto subestimado.

Um elenco inchado prejudica o trabalho da comissão técnica e gera desconforto no grupo pela quantidade de insatisfeitos. Além disso, a saída de atletas da folha de pagamento, mesmo que parcialmente, diminui custos que muitas vezes são importantes para que o clube possa adquirir novos jogadores. Até a equipe para qual se empresta o profissional possui importância na valorização/desvalorização do mesmo. É importante saber se o jogador terá espaço para atuar, o que parece o caso de todos os listados. Mais um ponto para Caetano. Se o atleta indesejado fica apenas afastado, além de não sair da folha, ele ainda desvaloriza e dificulta ainda mais uma futura negociação.

A solução é a faxina! E o Flamengo parece ter encontrado o faxineiro ideal. Rodrigo Caetano fez o que não se vê na Gávea há muito tempo. Pode ser chamado de Alexandre Mattos às avessas. Enquanto o dirigente da moda realizou diversas aquisições de atletas para o Palmeiras, o novo diretor de futebol do Fla cedeu jogadores na mesma proporção. Atendeu bem a uma necessidade do Flamengo. Belo começo de trabalho!

Na playlist de Rodrigo Caetano, só deu Molejão:

*1 – O lateral Digão terminaria o contrato em dezembro, mas uma lesão obrigou o Flamengo a renovar por mais 3 meses. Não faz parte dos planos, mas ainda se encontra no elenco.

*2 – Adryan, embora emprestado pelo Flamengo, só tem previsão de retorno no mês de julho, ao fim da temporada europeia.

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