Olho Nele: José Giménez, o futuro xerife

  • por Gustavo Ribeiro
  • 4 Anos atrás
Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

Uruguai

(por Gustavo Ribeiro)

De Arrascaeta, Jonathan Rodríguez, Diego Rolán, Gastón Silva e Sebastián Cristóforo são alguns dos principais nomes da nova geração do futebol uruguaio, que já vê figuras como Lugano, Forlán e Arévalo Ríos encerrando seus ciclos com a camisa celeste. Mas um dos principais destaques desta nova geração, e que já vem se consolidando na Seleção, é o zagueiro José María Giménez de Vargas ou simplesmente José Giménez.

Nascido em 20 de janeiro de 1995, Giménez sempre teve o futebol como foco. Aos três anos de idade, já jogava no Toledo Junior, clube que leva o nome da cidade em que nasceu. Alguns anos depois, transferiu-se para as categorias de base do gigante Nacional, onde ficou pouco tempo até chegar ao Danubio, com sete anos.

Quando estava apenas começando sua trajetória no Danubio, o zagueiro chegou a fazer testes no Peñarol, onde não foi muito bem recebido e afirma que os diretores da época mandaram ele seguir outro caminho e esquecer o futebol. Mas, segundo diretores aurinegros, o jogador não continuou no clube porque já tinha um vínculo com o Danubio e o Peñarol não estava interessado em entrar em nenhuma briga por um garoto que ainda era uma incógnita.

Em 2012, com apenas 17 anos, Giménez jogava na Terceira Divisão das categorias de base do Danubio quando, em um treinamento, chamou a atenção de Juan Ramón Carrasco, então técnico do time principal, que não hesitou em promover o jovem zagueiro ao elenco profissional. Sua estreia aconteceu em novembro contra o modesto Central Español, entrando no final do primeiro tempo para substituir o lesionado Gastón Bueno. Num time desorganizado e que terminou o Apertura na última colocação e com técnico interino, Giménez foi um dos poucos que conseguiu deixar alguma boa impressão.

“Josema”, como é conhecido, não demorou muito para se tornar titular incontestável na equipe de Montevidéu, mesmo após a saída de Carrasco e a chegada de Leonardo Ramos no comando técnico. No Clausura de 2013, no time que terminou na quinta posição e teve a quinta melhor defesa com 16 gols sofridos em 15 jogos, Giménez foi titular em 10 dos 11 jogos que disputou. Sua ótima performance chamou a atenção do Atlético de Madrid, que em abril anunciou sua contratação por cinco temporadas.

No meio do ano, após ótima temporada pelo Danubio, foi convocado para a disputa do Mundial Sub-20, que seria disputado na Turquia. Titular nos sete jogos da competição, Giménez foi um dos responsáveis pela defesa que sofreu apenas três gols no torneio. O destaque que obteve chamou a atenção de Óscar Tábarez, que não demorou muito para convocá-lo para a seleção principal.

Em setembro de 2013, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo, fez sua estreia com a camisa da seleção. Para enfrentar a Colômbia, Tábarez não podia contar com Lugano e Godín, que estavam suspensos, e não hesitou em apostar em Giménez. Com uma atuação impecável na vitória celeste por 2×0, anulando, nada mais, nada menos que Falcao García, o jovem zagueiro passou a ser convocado constantemente até a Copa do Mundo.

Chegada a Copa, Giménez já sabia que teria que esperar por uma chance no banco de reservas, já que a dupla titular seria formada por Godín e Lugano. Mas após a estreia contra a Costa Rica, o capitão Lugano sofreu uma lesão no joelho esquerdo, obrigando Tabárez a promover a entrada de Giménez no onze inicial, formando a zaga com Godín, seu companheiro de clube no Atlético de Madrid. Mesmo com seus 19 anos, Josema mostrou uma personalidade assustadora e terminou a competição como titular indiscutível.

Espanha

(por Victor Mendes)

Após a boa participação na Copa do Mundo, Giménez queria sentir-se importante em seu clube. Apesar de ter feito parte do elenco que conquistou a Liga Espanhola, o jovem disputou apenas uma das 38 partidas do campeonato. De início, o banco de reservas continuava seu melhor amigo: Miranda e Godín, titulares indiscutíveis, seguiam num ritmo impecável.

No entanto, uma lesão muscular do brasileiro marcou um novo rumo ao uruguaio. Obrigado a substituir uma das peças-chave do sistema de Simeone, Giménez enfim teria a chance de mostrar todo seu talento. E não deu em outra: titular em sete partidas consecutivas, “assustou” o treinador argentino com sua capacidade defensiva, não tardando a cair nas graças da torcida colchonera. Aliás, o garoto tornou-se outra arma mortal nos escanteios a favor do Atléti: seu bom cabeceio já garantiu dois gols aos rojiblancos na temporada (sendo um deles contra o Real Madrid).

https://www.youtube.com/watch?v=4Sm4oFrJ7Dc

O duelo contra a Juventus pela última rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões ratificou toda a qualidade de Giménez. Impecável, ganhou todas de Tévez pelo chão, Llorente pelo alto e qualquer outro que se atrevesse a pisar em sua zona de atuação:

https://www.youtube.com/watch?v=BCstxL3bPdc

A parceria com Godín tem funcionado numa sintonia única e enche qualquer uruguaio de esperança. Se a seleção celeste tinha dificuldade de achar um companheiro para seu capitão (e, volta e meia, teve que usar Lugano ou Cáceres como zagueiro), a afirmação de Giménez desbanca qualquer rival.

Domínio de sua área, jogo aéreo, antecipação, velocidade são características que definem José Giménez. Um estilo de jogo que nos faz lembrar de Fábio Cannavaro, uma referência na posição. Uruguaio de corpo e alma, aos 19 anos o garoto parece um veterano em campo. Olho nele! Um monstro da zaga está surgindo.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.