Os melhores do primeiro turno do Campeonato Espanhol

  • por Victor Mendes Xavier
  • 5 Anos atrás

Com a excelente vitória do Sevilla ante o Málaga no dérbi da Andaluzia e o importante triunfo do Elche contra o Levante, foi encerrado o primeiro turno da Liga Espanhola 2014/2015. O “título de inverno” ficou com o Real Madrid, de campanha impressionante: em 18 jogos, os merengues venceram 15 vezes e perderam somente três, somando 45 pontos. Com um jogo a menos a fazer, a equipe de Carlo Ancelotti ainda pode ampliar a vantagem para Barcelona e Atlético de Madrid (atualmente, está um e quatro pontos à frente dos rivais, respectivamente). Após o mau início, o líder emplacou uma sequência alucinante: 14 vitórias consecutivas, da 4ª à 16ª rodada. 

Quem quebrou o ritmo vencedor madridista foi o Valencia. Em um jogo de alto nível no Mestalla, os chés venceram por 2×1, em mais uma demonstração de força. No início do campeonato, havia batido o Atlético de Madrid por 3×1 em seu estádio. De treinador novo, os blanquinegros tiveram bons resultados no primeiro terço. O 4-3-3 que variava para o 4-1-4-1 apostou tudo no forte meio-campo, que tem em Dani Parejo organização, em André Gómes um ponto de verticalidade e drible, e em Javi Fuego uma consistência defensiva. Na zaga, a temporada de Otamendi garante segurança, enquanto o surgimento do promissor Gaya dá sequência à dinastia valencianista na lateral esquerda. Na ausência de seu maestro Parejo, Nuno aposta no 4-4-2, enquanto o 3-5-2/3-5-2 foi uma alternativa encontrada para encaixar Enzo Pérez.

Acima do Valencia estão Barcelona e Atlético de Madrid. Os blaugranas tiveram um início promissor: sete vitórias e nenhum gol sofrido nos primeiros oito jogos. No entanto, após a queda para o Real Madrid no Santiago Bernabéu, o cenário foi se invertendo. Luis Enrique ainda tenta dar uma cara ao time, que parece perdido frente as deveras rotações do treinador. Poucos nomes se destacam na temporada blaugrana: somente Cláudio Bravo, Javier Mascherano, Lionel Messi e Neymar merecem notas azuis pelo que fizeram no primeiro semestre de 2014/2015.  A dupla formada pelos melhores jogadores da Argentina e do Brasil na atualidade é uma grande fonte de inspiração: Messi é o grande nome do Barça na temporada, garantindo gols, assistências, criação, drible e decisão, enquanto Neymar, melhor e mais maduro em relação a seu ano de estreia na Europa, vem logo em seguida. Qualquer pretensão barcelonista passa pelos pés dos sul-americanos. Suárez ainda está em fase de adaptação e a perspectiva é de crescimento.

Por outro lado, o atual campeão segue firme rumo à manutenção do título. Ainda que não tenha Diego Costa, que, a essa altura da temporada no ano passado, garantia uma alta cota de pontos ao Atlético, o time de Simeone continua contando com um forte coletivo. Na volância, Gabi, uma peça tão essencial, demorou a encontrar sua melhor forma, mas atualmente já está com o prestígio em alta. O sistema defensivo viu no jovem uruguaio José Giménez seu novo grande nome: na ausência de Miranda por lesão, o zagueiro de 19 anos mostrou uma qualidade única, ganhando o apreço da torcida. Nas laterais, a saída de Filipe Luís abriu espaço para um maior protagonismo de Juanfran. Com Arda Turan, o espanhol tem feito uma grande parceria pelo lado direito do campo. Aliás, o turco e Koke são os protagonistas dos colchoneros. O ataque viu o crescimento de Griezmann (cada vez melhor) nos últimos jogos, a contínua importância de Raúl García, os picos de decisão de Mandzukic e o retorno de Fernando Torres.

O primeiro turno foi marcado, também, pela estabilização do trabalho de Unai Emery frente ao Sevilla. Após perder Rakitic, seu grande craque durante a temporada passada, o treinador manteve o estilo de jogo baseado nas fortes transições ofensivas e continua tendo em Bacca a grande opção de gol à frente. Denis Suárez, o teórico substituto do croata, alternou bons e maus momentos, deixando importantes lampejos. Quem também falta mostrar consistência é Gerard Deulofeu, que tem sido transformado em uma importante válvula de escape pela direita do 4-2-3-1 andaluz. Nos últimos jogos, um personagem voltou a ganhar destaque: José Maria Reyes, tão talentoso e, ao mesmo tempo, preguiçoso. O lateral-esquerdo Tremoulinas e o volante Krychowiak caíram como uma luva no sistema de Unai, reafirmando a grande capacidade de mercado da diretoria sevillista.

Encantador. Um adjetivo que descreve o Villarreal. Em sua segunda temporada após retornar à elite espanhola, a equipe de Marcelino Toral não para de ganhar elogios dos fãs de La Liga. Ofensivo, veloz e vertical, o Submarino Amarelo não sabe o que é perder um jogo desde outubro. O poderoso contra-ataque é a arma mais mortal do time, que tem em Cheryshev e Vietto seus grandes nomes na temporada. Sem esquecer de mencionar o bom papel desempenhado pela dupla de volante Bruno Soriano e Trigueiros, que liberam os pontas às jogadas ofensivas. O lateral brasileiro Gabriel demorou a se adaptar, mas hoje é peça importante dos amarillos.

Málaga e Eibar foram duas das surpresas mais agradáveis das 19 primeiras rodadas. Duas temporadas depois do fim do projeto do sheikh Abdullah Al-Thani, que teve seu ápice nas quartas de finais da Liga dos Campeões da Uefa, os andaluzes voltam a ganhar os holofotes com um futebol envolvente, equilibrado e leve. A disciplina tática permite à equipe do bom Javi Gracia se recompor defensivamente com rapidez e sair para o ataque dando poucos toques na bola.

Por sua vez, enquanto seus vizinhos Athletic Bilbao e Real Sociedad decepcionam cada vez mais, o Eibar, de uma destacável transição e organização defensiva, é o melhor basco da temporada. A força pelos lados (com a dupla Lillo e Saúl Berjón pela esquerda e um elétrico Capa à direita), a distribuição de jogo de Dani Garcia e a competência tática do treinador Gaizka Garitano também merecem elogios. Sem dúvidas, Eibar e Garitano são dois dos grandes nomes da Liga até o momento.

Seleção do primeiro turno: Cláudio Bravo (Barcelona); Juanfran (Atlético de Madrid), Sergio Ramos (Real Madrid), Diego Godín (Atlético de Madrid), Marcelo (Real Madrid); Toni Kroos (Real Madrid), Koke Ressurreción (Atlético de Madrid), Arda Turan (Atlético de Madrid); Lionel Messi (Barcelona), Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Neymar (Barcelona). Treinador: Carlo Ancelotti (Real Madrid).

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.