Pogba e o protagonismo na Juventus

  • por Victor Mendes Xavier
  • 5 Anos atrás

Paul Pogba é um dos principais nomes da atual geração do futebol mundial. Nascido em Lagny-Sur-Marne, uma comuna francesa localizada no departamento de Sena e Marne, o meio-campista ganhou destaque após as grandes atuações vestindo o uniforme da Juventus. Seu talento sempre pôde ser visto pelas categorias de base da seleção francesa.

O auge foi em 2013, quando foi campeão e melhor jogador do Mundial Sub-20, unindo-se a nomes como Diego Maradona, Lionel Messi e Sérgio Agüero, que unificaram as duas premiações pelo torneio.

Pogba aterrissou em Turim em 2012. Após uma curta passagem pelo Manchester United, quando fora pouco aproveitado por Alex Ferguson, o jovem buscava uma espécie de redenção em sua carreira. Um ano antes, a cúpula da Juventus encarregava Antonio Conte de comandar o novo projeto do time de futebol. Começava ali uma hegemonia bianconera em cenário nacional: foram três títulos italianos consecutivos, quebrando o jejum de dez anos sem taças pelo principal campeonato da Itália (vale mencionar que os títulos de 2004/2005 e 2005/2006 foram revogados pela justiça após o escândalo de corrupção de resultados).

O sistema de Conte era bem peculiar. Ele resgatou a linha de três zagueiros e a figura dos dois alas baseado num estilo onde a proposta era ter a bola. Conte montou uma equipe que privilegiasse as características de Pirlo e o deixasse menos sobrecarregado aos atributos defensivos. O treinador encarregou o volante italiano e Arturo Vidal, o termômetro do time, de serem os protagonistas. Ao deparar-se com esse cenário, Pogba incrementou potência física e muita chegada à frente no modelo de jogo. Pelos lados, os alas davam profundidade e geravam superioridade.

A dominância doméstica não foi vista nos torneios europeus. Se o 3-5-2/5-3-2 de Conte nadava de braços abertos na Serie A, na UCL foi exposto às falhas. Não à toa, tomou um vareio do Bayern de Munich em 2012/2013 e caiu precocemente na fase de grupos em 2013/2014. Na mesma temporada, não foi capaz de superar o Benfica na semifinal da Liga Europa, desperdiçando a chance de disputar a final que seria no Juventus Stadium.

Por divergências com a diretoria, Conte acabou deixando o cargo técnico da Juve antes do início da atual temporada. Para seu lugar, foi contratado Massimilliano Allegri, que havia sido campeão italiano com o Milan há três anos. Allegri não fez mudanças radicais no time base em relação ao seu antecessor, mas ajustou certos pontos: abandonou os três defensores para dar a entrada de mais um meio-campista (o 3-5-2/5-3-2 passou a ser 4-3-1-2) e moldou o time em torno de Pogba.

A partir daí, a Juventus de Pirlo (e Vidal) passou a ser a Juventus de Pogba. O jogador que, segundo dados do Whoscored, era o quarto do time que menos tocava na bola na época de Conte tornou-se o líder do conjunto do meio para frente. Pogba continua partindo do vértice esquerdo do meio de campo, mas tem liberdade para abrir e jogar quase como um ponta-esquerda, algo semelhante ao que Ancelotti fazia com Di María no Real Madrid. É nesse deslocamento que ele se senta mais à vontade, usando e abusando de seu drible, a entrada em diagonal e sua visão de jogo. Além disso, abre espaço para as subidas de Evra ao ataque.

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O perfil do Opta Sports no twitter registrou uma estatística interessante sobre o francês: o aumento no volume de jogo sem a bola. Com Conte, o número de intervenções era por volta de 46,2. Atualmente, passa perto de 76,1. O crescimento não é por acaso. Allegri confia em Pogba. Tévez é o artilheiro do time (e talvez o grande nome da temporada juventina), mas é o meio-campista quem o faz funcionar. O número de assistências diminuiu, o que mostra o novo peso do jogador. O paradoxo faz sentido: Pogba não é mais o homem do último passe, e sim da construção de jogadas.

Por outro lado, a Juventus ainda tem bastante problemas a serem corrigidos visando os confrontos na UCL contra o Borussia Dortmund. A vulnerável saída de bola pode ser o mapa da mina para a intensa marcação-pressão dos comandantes de Klopp. Pirlo tem menos protagonismo em relação às temporadas passadas, mas é o homem experiente do elenco. A recuperação de Vidal, que tem jogado como enganche atrás de Llorente e Tévez, será fundamental. O chileno, que começou a temporada em baixa, tem subido de nível nas últimas partidas.

Pogba reúne características para ser grande na elite do futebol europeu. O domínio de bola que, em certos momentos, lembra Zidane, a condução de bola, a quebra de ritmo para confundir o adversário e o bom arremate ajudam a Juventus a se manter no topo da Itália. Até pela pouca idade, peca pela inconsistência em jogos de maior nível. No entanto, a atual temporada pode, realmente, ser sua afirmação: prestes a completar 22 anos, ele comanda uma equipe que tenta voltar às glórias nas competições europeias.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.