Quando o justo supostamente é injusto e os “detalhes” ajudam a definir a totalidade

  • por Lulu
  • 6 Anos atrás

O poder midiático, a politicagem e o “voto por afeição” pesam bastante, é quase impossível quebrar o paradigma do clichê anunciado. Desde 1991, exceto em 2008, nenhum jogador fora de Juventus, Milan, Inter, Barcelona e Real Madrid conquistou o prêmio, seja antes ou depois da fusão da FIFA com a Bola de Ouro da França. Com a queda do Calcio, tudo se resume agora aos dois clubes grandes da Espanha em termos de status superior e vitrine respaldada.

A Alemanha se destacou coletivamente na Copa, mas assim como a Espanha de 2010 os alemães são “auxiliares de protagonistas” nos seus respectivos clubes. Manuel Neuer teve um grande ano, agarrou muito com frieza, segurança e até ficou famoso pela incrível aptidão que detém como líbero. Ele conseguiu ser o melhor goleiro e um dos melhores zagueiros de 2014, ao mesmo tempo. Mas cometeu, sim, um pênalti (não marcado) em Higuaín na final, na única vez que saiu de forma estabanada no Mundial (atingiu a bola antes, mas também o rosto do argentino com uma joelhada grosseira). Sem contar que o alemão é “apenas” um guarda-metas, não tem o pedigree dos atacantes.

Pois é, se Messi converte um hipotético pênalti na final da Copa e ainda leva o título, suas chances de conquistar a Bola de Ouro seriam praticamente absolutas por todo o “contexto inserido”. Mas o argentino decepcionou no Maracanã e – apesar dos ótimos números em 2014, com direito a recordes históricos –, também não conquistou títulos. Isso pesa, ele é azarão por justa causa.

E isso torna a disputa suave para o favorito Cristiano Ronaldo, que – assim como se safou de ser taxado (talvez injustamente) de “pipoqueiro” na final da UCL 07/08 pelo escorregão de John Terry na decisão por pênaltis –, tem que beijar as mãos de Ramos e Bale quando abocanhar sua terceira Bola de Ouro. O gajo foi uma máquina goleadora durante 2014, entretanto fez partidas pífias na final da Liga dos Campeões e do nem tão relevante Mundial de Clubes. Também passou despercebido pelo Brasil. Inclusive perdeu inúmeras chances de balançar as redes diante de uma Gana deveras tumultuada, na última chance de classificação de Portugal para as oitavas.

Então por que Robben não está na lista? Eis a indagação dos boleiros que avaliam “meritocracia” com critérios rasos. Ei, vem cá, ok, o holandês talvez tenha sido o melhor da Copa, no entanto… Conquistou o título? Decidiu os jogos contra Costa Rica e Argentina? Atuação de gala em decisão inútil de terceiro lugar pesa mesmo, é? E aquele vareio do Real Madrid em cima do Bayern no primeiro semestre? E a dificuldade da Holanda nas eliminatórias para a Euro 2016? E o fato dele não ser tão efetivo como Messi e CR7? Há uma certa “superestimação” no ótimo ano do habilidoso canhotinho. Ele fez muito, mas não tanto assim, óbvio ululante. E atua numa liga “de um time só”, o resto é “estágio bônus”.

Bem, os 3 atletas que estão disputando o prêmio individual mais cobiçado do futebol merecem estar em Zurique hoje, dia 12 de janeiro de 2015. Porque cada um carrega uma gama de bons feitos para tal, mesmo que cada um também carregue algumas ressalvas para não merecer a coroação. Sumariamente, o fato é que o que resta de sensato agora é apreciar a premiação e compreender que a Bola de Ouro ficará em boas mãos, independentemente.

Comentários

Homem garoto de convicções grisalhas formado em Ciência da Menstruação, Agronomia Espacial, Lirismo Marginal e Terapia Libidinosa. Com repertório vocacional fincado em irreverência, improviso, cinismo lúdico e boleiragem plena.