Queria ser Juan Román Riquelme

  • por Alexandre Reis
  • 5 Anos atrás

Muitos, na infância, sonharam um dia ser Ronaldinho e Ronaldo nos campos de várzea, balançando o dedo indicador na comemoração dos gols ou revivendo os famosos chapéus seguidos. Outros tantos, atualmente, se passam por Messi, Cristiano Ronaldo ou Neymar nas escolinhas de futebol, nas categorias de base ou fora do esporte. Seja imitando o estilo de correr, seja a cor ou o estilo do penteado. Alguns também já foram Zico, Pelé e Maradona.

Quando pequeno, queria ser Juan Román Riquelme.

Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

O cara folclórico com a camisa por dentro do calção. Com as chuteiras pretas, sem muitos detalhes, e um andar cadenciado, como quem quisesse que todos o vissem por mais tempo.

Que fazia de conta que, no escanteio, pouco se importava com a torcida, mas que, ao mesmo tempo, era solícito com quem estivesse perto – com o policial portando o escudo, protegendo-o das pedradas sul-americanas, ou com uma criança na torcida, que também o imitava na arquibancada.

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Queria ser o cara que, nas faltas, dialogava com o juiz, como quem tivesse autoridade para tal e fosse seu amigo. E que ficava insatisfeito quase sempre, também, como se não concordasse até quando a decisão era a seu favor. Que cavava uma falta quando o momento pedia calma. Que descarregava cusparadas a cada armação de barreira pelo goleiro adversário, como quem estivesse passando o giz no taco. Que, nas assistências, recebia um elogio maior do que o companheiro que marcou o gol. E, quando o fazia, queria comemorá-lo não com danças ou cambalhotas, mas direcionando as mãos aos ouvidos, como quem sentisse que o gol só era completo depois que a torcida se manifestasse. Ou, às vezes, nem comemorá-lo.

Queria ser o tipo de jogador que, em um Boca x River, consegue segurar a bola como se fosse só sua, quando o jogo caminha para o fim, sem precisar correr muito para isso. Mas que, ao mesmo tempo, faz de todos donos dela.

Que, na hora de cobrar um pênalti, na caminhada para tomar distância, dava ao goleiro suas costas. Como quem não soubesse o que era nervosismo em um momento de decisão, principalmente contra o Brasil – no país, fora dele ou na China. E queria levantar o troféu da Libertadores.

Queria ser Juan Román Riquelme.

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Estudante de Jornalismo, apaixonado por futebol. Seja a final da Copa do Mundo, as semifinais de uma Copa Rural, um jogo da Liga dos Campeões ou eliminatória da 4° divisão de algum campeonato amador do interior.