Raio-X de Lucas, o cara da temporada parisiense

Foto: C.Gavelle/PSG

Foto: C.Gavelle/PSG

Quando o assunto é protagonismo, podemos dizer que os tempos são outros no Paris Saint-Germain. A condição física já impede o sueco Zlatan Ibrahimović de ser o mesmo de anos atrás, enquanto o uruguaio Edinson Cavani tem números pouco expressivos, colocando em xeque a permanência na Cidade Luz. Quem foi obrigado a bater no peito e chamar a bola para si foi o brasileiro Lucas.

O camisa 7 parisiense assumiu a bronca e é, reconhecidamente por torcida e imprensa, o melhor jogador do time até o momento. Apenas Ibra participou de mais gols do time do que ele. Na França ninguém driblou mais que o brasileiro!

O Doentes Por Futebol traz agora alguns dos dados que mostram o crescimento do brasileiro e de como se tornou o principal nome do PSG na temporada.

Treinador

LUCAS E BLANC

A melhora de Lucas passa, indiscutivelmente, pela troca de treinadores no Paris Saint-Germain. Quando chegou ao clube, o brasileiro se deparou com o PSG engrenando no Campeonato Francês nas mãos de Carlo Ancelotti. No debute contra o Ajaccio, em 11 de janeiro de 2013, o Paris vinha de quatro vitórias consecutivas sem sofrer gols. Parte dessa melhora vinha da mudança de esquema tático. O 4-3-2-1 foi deixado de lado e o italiano passou a adotar o 4-4-2 britânico, com duas linhas de quatro e tendo como novidade o argentino Javier Pastore pelo lado direito, onde finalmente passou a ter um pouco de regularidade.

Ali estava a grande dificuldade de Lucas na primeira temporada na Europa. Ele havia deixado um país onde não precisava marcar de verdade e partiu para um onde precisaria fechar as laterais, sendo encaixado na segunda linha de quatro, compondo o meio-campo.

Ancelotti bem que insistiu com o brasileiro, mas ele pouco rendeu, terminando a temporada com uma assistência e nenhum gol marcado em 15 partidas – lembrando que jogou apenas metade da temporada. Segundo números do Squawka, Lucas finalizou apenas 13 vezes e acertou apenas 31% destes chutes em dez jogos no Campeonato Francês. Os números contrastavam com os 43 milhões de euros investidos por Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, e já fazia muitos colocarem a alcunha de “flop” no brasileiro.

Entretanto, a saída de Carlo Ancelotti para o Real Madrid e a chegada de Laurent Blanc à capital francesa fizeram bem para Lucas. Adepto do 4-3-3 em Paris, o campeão do mundo em 1998 adiantou o camisa 7 e o fez jogar no ataque, disputando posição com o argentino Ezequiel Lavezzi.

O crescimento do brasileiro foi notório logo de cara. Se nos primeiros 15 jogos da temporada anterior pouco fez com Ancelotti, com Blanc marcou três gols e deu quatro assistências. Ao fim do Campeonato Francês, Lucas anotou cinco tentos e deu dez passes para gol. No quesito assistências, foi responsável por 25% delas. Muito disso deve-se ao novo posicionamento que Blanc lhe atribuiu.

Finalização

Foto: C.Gavelle/PSG

Foto: C.Gavelle/PSG

Lucas demorou nove meses para marcar o primeiro gol com a camisa do Paris Saint-Germain. Parece ter sido mesmo um parto para esse tento sair. O brasileiro chegou a virar piada nas redes sociais por esse rendimento baixo. Como citei anteriormente, o aproveitamento nos chutes na primeira temporada na França foi de apenas 31% em 13 tiros. Ibrahimović, por exemplo, teve 53%, mesmo tendo jogado mais que o dobro de partidas (o que facilitaria para a média cair).

Com Blanc e jogando mais à frente, Lucas começou a melhorar os números. Na temporada 2013/2014, participou de 36 dos 38 jogos na Ligue 1 e teve aproveitamento de 43% em 44 chutes. Na temporada atual, o percentual de acertos do brasileiro subiu para 50% – em 30 finalizações – um pouco abaixo da média total do time, que é de 54%. Em média, Lucas só finalizou menos que Ibra e Cavani.

A melhora na pontaria é notada também no número de chutes bloqueados. Em 2012/2013, foram 11 tiros bloqueados e, na temporada seguinte, o número aumentou para 18. Na atual temporada, apenas seis chutes de Lucas foram impedidos pelo adversário. É possível constatar, portanto, que ele não está mais finalizando de qualquer jeito e já está com o pé mais calibrado.

A calibragem também é registrada nos números. Na temporada 2013/2014, ele terminou em terceiro no ranking de assistências da liga francesa, com dez passes para gol. Na atual temporada foram apenas dois, mas, em compensação, já são sete gols (dois de pênalti) que lhe rendem o status de terceiro artilheiro da equipe, atrás apenas de Ibrahimović, com nove (dois de pênalti), e Cavani, com oito (um de pênalti). Aliás, importante ressaltar que o brasileiro já tem dois gols a mais que em toda temporada passada.

Dribles

Lucas se notabilizou no Brasil pelos dribles em velocidade, mas isso não estava acontecendo na França. Desabituado aos defensores que atuam no país (muitos são africanos viris e outros são europeus um tanto quanto atabalhoados), os dribles do brasileiro não aconteciam. Quando conseguia driblar, era desarmado. Inegável que o posicionamento com Ancelotti prejudicava um pouco, pois precisava driblar mais marcadores para chegar ao gol. Com Blanc, a história mudou.

Dados do WhoScored apontam que Lucas teve a maior média de dribles na temporada 2013/2014: 2.3. O brasileiro manteve o pique nesta temporada e continua encabeçando o ranking de dribladores. Segundo o mesmo site estatístico, ele tem média de 3.7 no campeonato.

Na Liga dos Campeões, Lucas também teve bom retrospecto e esteve no top-10 da fase de grupos do torneio, com média de quatro dribles, ficando em oitavo. Neymar, por exemplo, ficou em 26º, com média 2.6.

Voltando ao Campeonato Francês, Lucas participou de 23% dos gols do PSG, só Ibra participou mais no elenco atual, isso graças ao tento de pênalti contra o Saint-Étienne no último domingo (25). O reconhecimento disso é visto por parte da torcida. O camisa 7 foi escolhido, pelo torcedor, como o melhor jogador dos meses de setembro, outubro e dezembro. O brasileiro vai amadurecendo com o passar do tempo e hoje é, indiscutivelmente, o melhor jogador parisiense na temporada.

Comentários

Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.