Retrospectiva 2014: A Libertadores das surpresas

  • por Gustavo Ribeiro
  • 4 Anos atrás
Foto: Conmebol - Jogadores do San Lorenzo erguendo a taça

Foto: Conmebol – Jogadores do San Lorenzo erguendo a taça

O ano de 2014 foi de surpresas no futebol sul-americano. Quando todos achavam que os times brasileiros fariam prevalecer sua supremacia financeira em relação aos seus vizinhos sul-americanos, o que se viu foi um time argentino, um paraguaio, um uruguaio e um boliviano serem os grandes destaques da competição mais importante do continente.

Mesmo sendo considerado um dos grandes de seu país, o San Lorenzo, que já tinha conquistado o país 15 vezes, sentia a falta de uma Libertadores, de conquistar o continente. Chegando a competição como atual campeão nacional da Argentina, o time de Boedo, depois de anos, via como possível a conquista do feito.

Abençoado pelo Papa Francisco, hincha declarado do clube, o San Lorenzo já teve que contar com um milagre logo na fase de grupos, na qual conseguiu a classificação apenas no saldo de gols. Nas oitavas de final, após vencer o Grêmio no Nuevo Gasômetro por 1×0, via a vantagem cair por terra com uma derrota em Porto Alegre pelo mesmo placar no jogo de volta. Mas, nos pênaltis, o time conseguiu a classificação às quartas de final.

Pela frente, o San Lorenzo iria encarar o Cruzeiro, até então o favorito a conquistar o torneio. Mas, mais uma vez, o time do Papa contrariou todos os prognósticos e, com uma vitória na Argentina por 1×0 e um empate por 1×1 em Belo Horizonte, o Ciclón garantiu uma inesperada classificação à semifinal. Ao contrário das fases anteriores, o adversário dessa vez seria o modesto e surpreendente Bolívar.

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Se as fases anteriores foram cheias de sofrimento e jogos difíceis, a semifinal foi um passeio. Logo no jogo de ida, disputado em Boedo, o San Lorenzo aplicou um 5×0 que praticamente garantiu sua classificação para a final. Só uma hecatombe tiraria o passe para a próxima fase. No jogo de ida, na altitude de La Paz, mesmo perdendo por 1×0, o Ciclón voltou para a Argentina finalista da Libertadores.

Do outro lado na final estava um inesperado Nacional do Paraguai, que com menos receita e menos torcida era a grande surpresa do torneio. No jogo de ida, disputado no Defensores del Chaco, o San Lorenzo saiu na frente com um gol do centroavante Mauro Mattos, aos 10 minutos do primeiro tempo. Mas a ansiedade de ver cada vez mais próxima a taça começou a atacar os argentinos e, aos 92 minutos de jogo, viram o Nacional chegar a um heroico empate, deixando a decisão mais do que aberta para o jogo de volta.

Para a grande final, o San Lorenzo não pôde contar com uma de suas principais peças: o meia Piatti viu seu contrato terminar e era contratado pelo Montreal Impact, do Canadá. Como era de se esperar, o jogo foi repleto de tensão, mas, com o apoio de sua torcida durante todo o jogo, o San Lorenzo abriu o placar aos 35 minutos do primeiro tempo, em penalidade cobrada pelo volante Ortigoza. Mesmos sendo pressionado, o time de Boedo segurou o marcador e, ao final do jogo, pôde finalmente dar a volta olímpica.

Depois de 54 anos, o San Lorenzo, o primeiro time argentino a disputar a Copa Libertadores, foi o último dos grandes a conquistá-la.

Outros destaques:

Defensor Sporting: com uma categoria de base forte e apostando na volta de jogadores já consagrados no clube, o Defensor Sporting foi um dos grandes destaques da Libertadores, seja pelo futebol apresentado ou pela jornada que o time percorreu, alcançando pela primeira vez a semifinal da competição. Em sua ótima campanha, las Violetas deixaram ótimas revelações, como o brasileiro Felipe Gedoz e o uruguaio De Arrascaeta.

Bolívar: Assim como todo time boliviano, o Bolívar já entrou desacreditado na Copa Libertadores, ainda mais quando caiu em um grupo que tinha Emelec, León e Flamengo. Mas sob o comando do espanhol Xabier Azkargorta, o Bolívar alcançou a semifinal do torneio, feito que não conseguia desde 1986 e foi uma das boas surpresas da competição. Na campanha, o time teve destaques como Juan Carlos Arce, ex-Corinthians, o centroavante Willian Ferreyra e Juanmi Callejón, Irmão gêmeo do meia Callejón, ex-Real Madrid e atualmente no Napoli.

Nacional: Com um trabalho a longo prazo, o Nacional conseguiu surpreender a todo o continente, chegando na final da Libertadores, sendo que nunca havia passado da fase de grupos em todas as suas outras participações no torneio.

Clubes brasileiros: Após ter conquistado as quatro últimas edições da competição, os clubes brasileiros entravam, mais uma vez, como favoritos a ficar com a taça. Mesmo podendo montar elencos mais caros e numerosos, o Brasil conseguiu fazer sua pior campanha nos últimos 23 anos na Libertadores, não tendo nenhum clube na semifinal.

Clubes uruguaios: Com a exceção do Defensor Sporting, a Libertadores dos clubes uruguaios foi medonha. Com times velhos e técnicos com ideias ultrapassadas, o futebol uruguaio viu Peñarol e Nacional darem adeus à competição ainda na fase de grupos.

Clubes chilenos: Mesmo com um dos campeonatos nacionais mais fortes da América do Sul, os times chilenos não vêm conseguindo boas performances nas últimas Copas Libertadores. Na edição de 2014, apenas a Unión Española passou da fase de grupos. Os fracassos chilenos já vêm de algumas temporadas, como já relatamos aqui no site.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.