Ruim com ele, pior sem ele

  • por Lucas Sousa
  • 5 Anos atrás

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A dependência que um time sente do seu principal jogador é assunto recorrente nos debates futebolísticos. É comum um time cair de rendimento quando seu grande destaque não joga. Até Barcelona e Real Madrid já tiveram quedas quando Messi e Cristiano Ronaldo não entraram em campo. Neymar é um dos exemplos mais recentes. Diversas vezes acompanhamos discussões e vimos estatísticas do aproveitamento do Santos com e sem o camisa 11. Precisar do grande jogador para atingir o melhor nível é aceitável, mas o Queens Park Rangers exagerou nisso.

O time londrino amarga a penúltima colocação na Premier League, tem a pior defesa da competição e há cinco jogos não vence. Seu desempenho fora de casa é assustador: 10 jogos, 10 derrotas, 5 gols marcados e 24 sofridos. É o único time no campeonato que ainda não pontuou fora de casa. Difícil imaginar um cenário pior que esse, certo? Errado. Se não fosse por seu camisa 9, o QPR já estaria com o rebaixamento encaminhado.

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Charlie Austin é um centroavante que honra o número dos artilheiros. Alto (1,88m), de boa força física e qualidade na finalização com os pés ou com a cabeça, é o terceiro goleador da Premier League, com 13 bolas na rede. Ele é responsável por 57% dos 23 gols do Rangers no Inglês, nenhum jogador nas cinco grandes ligas da Europa tem números tão expressivos. Se considerarmos também as assistências (duas), este números sobe para 65%. E a Austin-dependência fica ainda mais evidente analisando os jogos.

Já se passaram 22 rodadas do campeonato Inglês e o Queens Park Rangers tem apenas cinco vitórias. E o que há em comum entre elas? Em TODAS Charlie Austin marcou gol. Se não tem gol do camisa 9, não tem vitória. Além disso, apenas quatro gols do atacante inglês não alteraram o resultado final da partida, mostrando o quanto ele é decisivo e essencial para o QPR. Quando observamos a produção do restante do time, a situação fica ainda mais preocupante – se é que é possível.

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O outro centroavante, Bobby Zamora, marcou somente uma vez na Premier League em 19 jogos. Em 10 ele entrou no decorrer da partida, é verdade, mas não deixa de ser um número para lá de ruim. Leroy Fer, vice-artilheiro, foi à rede apenas três vezes. O atacante Eduardo Vargas, o meio-campista Niko Kranjcar e o zagueiro Steven Caulker marcaram um gol cada. E para por aí. Os gols do Queens Park Rangers foram marcados somente por seis jogadores diferentes. É a pior marca do campeonato ao lado do Aston Villa, dono também do pior ataque (11 gols). Ou seja, os tentos são mal distribuídos duas vezes: poucos no elenco marcam e, entre os que marcam, um detém a grande maioria.

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Olhando para o elenco do QPR, é difícil entender uma campanha tão ruim e uma dependência tão grande de Charlie Austin. Além dos jogadores citados acima, Harry Redknapp ainda conta com Sandro, Rio Ferdinand, Mauricio Isla e Joey Barton, jogadores que podem estar longe do auge, mas que podem dar muito mais ao time. Certamente, é um elenco mais caro que o de Crystal Palace e Burnley, ambos acima na tabela.

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A saga para permanecer na elite deve durar até as últimas rodadas. Para o artilheiro, um rebaixamento pode não ser tão desastroso, uma vez que teria vaga na maioria dos times da primeira divisão. Para o Queens Park Rangers, depender tanto do seu centroavante nessa missão é horrível. Pior ainda seria um rebaixamento após os investimentos feitos e o dinheiro gasto na construção do elenco. Resta ao time se agarrar a Charlie Austin para escapar das últimas três posições da tabela. Se já está ruim com o camisa 9, imagina sem ele…

Comentários

Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.