Um Mané no meio dos Saints

Foto: Matt Watson & Michael Jones/Southampton FC

Foto: Matt Watson & Michael Jones/Southampton FC

Há quem discuta: Pelé ou Garrincha? Quem foi o melhor? Diante da certeza da enorme qualidade de ambos, não vale à pena o debate. Curiosamente, a dupla da Seleção Brasileira, nos anos 50 e 60, ganhou um “homônimo” no mínimo curioso e que vem chamando muito a atenção na Terra da Rainha.

Trazido do Feyenoord, Graziano Pellè mostrou impacto imediato quando de sua chegada ao Southampton e agora quem tem chamado a atenção é Sadio, o Mané, que veio do Red Bull Salzburg e complementa a dupla “Pellè & Mané”.

Foto: David Rodriguez Anchuelo/Redbull.com

Foto: David Rodriguez Anchuelo/Redbull.com

Senegalês, Mané é um veloz e habilidoso meia, que usualmente atua aberto pelo flanco esquerdo e é destro. Aos 22 anos, vive uma carreira de constante ascensão. Criado no Metz, da França, o africano teve de mudar-se para a Áustria para se afirmar no futebol. Aos 20 anos, desembarcou em Salzburg, onde defendeu, por duas temporadas o Red Bull. Se uma saída do futebol francês para o austríaco parecia uma queda, o tempo provou quão valiosa foi a transferência.

Trazido por €4 Milhões, teve desempenho, números e impacto imediatamente positivos. Em 2012-2013, seu ano de estreia no Red Bull, em 29 jogos, marcou 19 gols. Na temporada sequente, foram 23 tentos em 50 jogos, além de muitas assistências. Poder-se-ia argumentar que “é fácil fazer gols na Bundesliga Austríaca”, contudo, em 2013-2014, Mané também anotou cinco gols na Europa League, em 13 jogos, revelando uma média de quase meio gol por partida e mostrando-se efetivo além das fronteiras austríacas. Levando em consideração que não estamos falando de um atacante de área, a média é absurda.

É curioso que ainda muito jovem o senegalês já tenha feito tanto. Com as suas marcas na temporada 2013-2014 e somando sua qualidade à de seus companheiros de frente – o alemão Kevin Kampl, recém-chegado ao Borussia Dortmund, o brasileiro Alan, ex-Fluminense, e o espanhol Jonathan Soriano, ex-Barcelona B, vieram os títulos da Copa da Áustria e do Campeonato Austríaco.

Foto: Matt Watson & Michael Jones/Southampton FC

Foto: Matt Watson & Michael Jones/Southampton FC

Com números de saltar aos olhos, o esperado aconteceu e Mané deu mais um passo à frente em sua carreira. A próxima parada? Southampton. Na Premier League, torneio de indiscutível superioridade técnica em relação à Austrian Bundesliga, o africano ganhou a oportunidade de se provar em um grande torneio e, após um brevíssimo período de adaptação, vem demonstrando o quão importante e valioso é seu potencial técnico.

Praticamente sem sentir a diferença de intensidade do futebol praticado na Premier League, Mané já marcou quatro vezes e proveu duas assistências em 14 jogos pelos Saints, que ocupam a quarta colocação e é uma das gratas surpresas da atual edição do campeonato. Seu estilo ousado tem se tornado um pesadelo para os rivais que têm tido muitas dificuldades de pará-lo – especialmente em situação de um-para-um.

Foto: Matt Watson/Southampton FC

Foto: Matt Watson/Southampton FC

Não bastassem os quatro gols em 14 jogos serem uma marca considerável, soma-se a isso o fato de dois desses tentos terem sido contra Arsenal e Chelsea. E, é interessante ressaltar, dois belos gols. Outro dado importante é que o senegalês só foi titular em sete ocasiões e, curiosamente, seus gols saíram nas partidas em que o atleta esteve no onze inicial. A camisa 10 de um clube inglês, a qual poderia ser um fardo, parece ter caído como uma luva para Mané.

https://www.youtube.com/watch?v=0NopqQC1uYY

Com os dribles, o desequilíbrio e a inventividade de Mané, a veia artilheira de Pellè e o acréscimo do talento de outras peças chave, caso, por exemplo, do sérvio Dusan Tadic, os Saints surpreendem. Para o treinador do time, o holandês Ronald Koeman, ainda faltam alguns “dotes defensivos” para o atleta se tornar ainda melhor, mas sua qualidade o impressiona, o que ficou claro em entrevista concedida ao Daily Echo:

“Ele é um jogador que gosta de jogar no um-contra-um. Ele gosta de correr nos espaços atrás da defesa dos oponentes e isso é uma ótima qualidade. Essa é uma das qualidades que não tínhamos até agora e ele a trouxe, então isso é muito positivo.”

Foto: Matt Watson & Michael Jones/Southampton FC

Foto: Matt Watson & Michael Jones/Southampton FC

Infelizmente, o senegalês lesionou-se e deve ficar de fora dos gramados nas próximas seis semanas, perdendo, inclusive, a oportunidade de disputar a Copa Africana de Nações, neste mês. No entanto, levando em conta sua rápida adaptação ao futebol inglês, espera-se que, em seu retorno, suas grandes performances se mantenham. Afinal, na Terra da Rainha jamais se esperaria que um mané pudesse ser tão importante para os “Santos”.

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Atualização (18/05/2015)

Adaptação e impacto imediato na Premier League

Foto: Southampton FC

Foto: Southampton FC

Com o iminente fim de temporada, já é possível avaliar a chegada de Sadio Mané ao Southampton como extremamente positiva. Além dos 10 gols marcados e quatro assistências concedidas, o senegalês se mostrou um jogador de muita versatilidade. Durante a Premier League, em jogos mais duros como contra Chelsea e Arsenal, nos quais o treinador Ronald Koeman alinhou o time em um 4-4-2 conservador, Mané foi segundo atacante, atuando por trás de Pellè.

Mané deu muitas opções à Koeman

Mané deu muitas opções à Koeman

Além disso, a despeito de a ponta esquerda ser sua posição natural e por onde atuou na maior parte das vezes, quando o treinador holandês utilizou Elijero Elia,  Mané foi deslocado para a ponta direita, sempre auxiliando a equipe com sua velocidade e jogo agudo.

Com uma temporada de adaptação que tem superado as expectativas, o camisa 10 brilhou na pitoresca vitória de sua equipe contra o Aston Villa, na 37ª rodada, marcando um hat-trick em menos de três minutos (!). Aos 23 anos, o senegalês encheu os olhos em sua primeira temporada, e o torcedor dos Saints mal pode esperar pelos próximos capítulos de sua trajetória em sua equipe.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.