A hora e a vez de Juan Cuadrado

  • por Tiago Lima Domingos
  • 6 Anos atrás
Arte: Doentes por Futebol

Arte: Doentes por Futebol

A Udinese tem um olhar especial para o mercado sul-americano – diga-se de passagem, muito melhor que o de todos os clubes brasileiros juntos. O colombiano Juan Cuadrado é mais um na enorme lista de talentos pinçados pela ótima rede de olheiros do time italiano. Porém, a história de Cuadrado é diferente das de Zapata, Alexis Sánchez e Isla, nomes que fizeram alguma história e deixaram saudades em Udine. O novo jogador do Chelsea virou o que é hoje graças a ótimas apresentações com a camisa do Lecce e, sobretudo na Fiorentina.

Contratado junto ao Independiente Medellín no meio de 2009, Juan Cuadrado nunca se firmou no clube, muito porque na época era reserva do chileno Maurício Isla, titular absoluto. Em duas temporadas de Udinese, o colombiano disputou apenas 24 jogos, sendo somente 11 como titular, 7 delas na Série A. Cuadrado disputou apenas 1203 minutos, números baixos em dois anos de clube. Para a temporada seguinte, o atleta seria emprestado ao Lecce. Começava ali a transformação de sua carreira.

No modesto Lecce, tudo foi diferente. Juan Cuadrado desembarcou na Itália como um lateral direito de origem, mas que nunca chegou a atuar nessa posição, dada a sua vocação extremamente ofensiva. Jogando a maior parte da temporada avançado pela direita, seja como ala ou ponta, o colombiano já mostrava seu talento com o drible em velocidade causando apuros nos marcadores.

Em um time que tinha dois atacantes rápidos na frente, Di Michele e Muriel, Cuadrado era uma ótima válvula de escape. O reconhecimento viria na temporada seguinte. Mesmo com o Lecce rebaixado, Cuadrado se destacou a ponto da Fiorentina contratá-lo por empréstimo junto à Udinese.

A mudança para a Fiorentina não poderia ocorrer em melhor momento. O clube havia acabado de contratar o treinador Vincenzo Montella, ex-atacante da Roma, que havia feito um ótimo trabalho no Catania. Cuadrado precisava de um time melhor que o Lecce e que a Udinese (já em declínio após as perdas de Sánchez, Isla e Inler) para continuar aprimorando seu futebol. Montella fez do Catania um dos times com futebol mais vistoso na Itália jogando em um 3-5-2 ofensivo, melhor pedida para o colombiano.

Na Fiorentina, o colombiano só cresceu. A vocação ofensiva e a facilidade em partir para cima e ultrapassar adversários com enorme facilidade continuaram, mas ganharam um importante aliado. Cuadrado melhorou (e muito) um de seus pontos fracos: a finalização. Os chutes de fora da área foram crescendo, assim como os gols. Se na temporada 2012-13 foram 5, na 2013-14 foram incríveis 15 – aliás, essa temporada merece uma citação especial.

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O período 2013-14 foi o melhor da vida de Juan Cuadrado. Afinal, foram 15 gols em 43 jogos, além de 11 assistências. Tornou-se a referência da equipe após graves lesões de Giuseppe Rossi e Mario Gomez. Muitas vezes, Cuadrado foi escalado como atacante pela direita no 4-3-3 de Montella. Mais perto do gol, o colombiano tomou gosto por balançar as redes, virando um dos melhores jogadores da Serie A, abaixo apenas de Tévez e Vidal, em minha opinião.

http://youtu.be/Ew_hJK0H5ok?t=39s

A excelente temporada foi fechada com chave de ouro na Copa do Mundo no Brasil. A Colômbia de Cuadrado chegou às quartas de final como um dos melhores times do Mundial, conquistando sua melhor posição na história. O colombiano encerrou sua participação como líder de assistências do torneio, com 4 passes para gol.

Foto: Darren Walsh; Chelsea FC/Press Association Images

Foto: Darren Walsh; Chelsea FC/Press Association Images

Cuadrado chega a um grande clube europeu com seis meses de atraso. No Chelsea, chega com status e promete brigar pela posição de Willian, lugar que vejo o colombiano atuando no 4-2-3-1 de José Mourinho. Polivalente, ainda pode fazer as vias de lateral, caso seja necessário em algum momento da partida. Fato é que Mourinho brigou para ter o jogador agora em janeiro, e sabe das suas qualidades. Aos 26 anos, Cuadrado está no auge da carreira. Após brilhar em um clube pequeno e um médio, chegou a hora de vermos aquele colombiano abusado, sem medo de partir pra cima do adversário, ganhando a Europa de vez.

Talento não falta.

 

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Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.