¡Amunt València! Título de La Liga 01/02

  • por Raniery Medeiros
  • 4 Anos atrás

Dor, sofrimento, tristeza, frustração e uma torcida em choro compulsivo após duas derrotas em finais de Champions League. O Valência chegara tão perto de conquistar a Europa que a derrota para o Bayern de Muinque, nos pênaltis, em 2001, fez com que o futuro do clube fosse questionado. Como se reerguer após duas decepções? Como reformular e dar motivação ao elenco? A final disputada no San Siro jamais será esquecida, até pelo tom de dramaticidade vivido naquele dia.

View image | gettyimages.com – Numa das cenas mais impactantes da história da Champions’ League, Oliver Kahn consola Santiago Cañizares.

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Mas o Valência precisava pensar na temporada 2001/2002.

Se já seria difícil retomar as forças para jogar a temporada seguinte, a situação ficou ainda mais complicada quando Héctor Cúper (treinador) e Gaizka Mendieta foram embora.

O time perdia seu líder, capitão e principal jogador para a Lazio. Um martírio sem fim? Para quem sonhava alto, não. Lutar contra Barcelona e Real Madrid era preciso, e remoer o passado não ajudaria em nada. Aliás, seria necessário batalhar contra equipes que, naquela época, faziam frente aos grandes: Celta, Betis, La Coruña. Sendo assim, após tantas perdas, como o Valência voltou a ser campeão espanhol após 31 anos de espera? Vamos aos fatos.

Contratações

Além do técnico Héctor Cúper, seis jogadores foram embora: Francisco, Diego Alonso, Björklund, Zahovic e Didier Deschamps. Mas a principal perda foi, sem sombra de dúvidas, Gaizka Mendieta. Contratações de peso? Grandes nomes? Não! O método utilizado foi o de fichar jogadores baratos e pontuais. Chegaram ao clube: Salva Ballesta, Mista, Marchena, Denis Serban, Gonzalo de los Santos, Curro Torres e Rufete. E quem comandaria o time?

O clube resolveu apostar em Rafa Benítez, que no ano anterior havia levado o Tenerife de volta à elite de La Liga.

Uma final, na primeira rodada, contra o Real Madrid

Superar os medos do passado era tudo o que esperava o torcedor de Los Che. Para dar um ponto final ao fantasma da Champions, o Real Madrid surgiu como o primeiro obstáculo a ser superado. Os merengues, que haviam contratado Zidane, foram completamente anulados. Aliás, David Albelda marcou de forma implacável o camisa 5. Pressão para cima do Madrid e, logo aos 8 minutos, gol de Angulo. O Madrid perdeu a cabeça e Luís Figo foi expulso, após falta em Carboni. A torcida foi ao delírio com a vitória magra, sofrida e de extrema importância.

O Valência chegava à marca impressionante de 13 jogos de invencibilidade, tendo vencido 5 partidas e empatado 8 delas. Pablo Aimar e Vicente despontavam como os grandes destaques até então, e a diferença do Valência (4º colocado) para Deportivo La Coruña (1º colocado) era de apenas três pontos. Os comandados de Benítez sofreram a primeira derrota na rodada 14, com o revés de 2×0 contra a Real Sociedad. Cañizares fez grandes defesas, mas nada pôde fazer para evitar os dois gols de Jankauskas.

O trabalho do treinador começava a ser questionado, principalmente após os cinco jogos sem vencer. A derrota no confronto direto contra o La Coruña, e o Real Madrid, que se recuperava do péssimo início de campeonato, assustaram os Morcegos. A situação de momento? A 8ª colocação, seis pontos atrás do surpreendente Alavés, líder de La Liga. Benítez modificou o esquema tático e a equipe conseguiu três vitórias seguidas: 3×2 Espanyol, 2×1 Málaga e 3×1 Betis. A boa notícia surgiu com o retorno de Rubén Baraja, afastado dos campos após alguns meses.

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O primeiro turno terminou da seguinte maneira:

1º – Real Madrid: 35 pts
2º – La Coruña: 33 pts
3º – Valência: 33 pts

Segundo turno avassalador

O confronto contra o Real Madrid foi polêmico e nervoso. Os merengues venceram por 1×0, mas o destaque da partida foi o gol mal anulado de Ilie. Após o revés no Bernabéu, derrota para o Valladolid em pleno Mestalla. A equipe superou o péssimo início de segundo turno e, ao vencer três partidas, chegou à liderança de La Liga. Santiago Cañizares, goleiro e capitão do time, foi o destaque da vitória contra o Alavés, defendendo um pênalti nos minutos finais.

O campeonato foi tão disputado que a diferença na 26ª rodada entre o primeiro (Valência) para o sexto colocado (La Coruña) era de apenas três pontos. O confronto contra o Barça, na rodada seguinte, elevou o moral da equipe. Com gols de Rufete e Aimar, o time manteve-se na ponta da tabela, com o Real Madrid sendo vigiado de perto.

O Valência seguiu bem por mais duas partidas, mas caiu diante do Rayo Vallecano na 30ª rodada e dividiu a liderança com o Real Madrid. A briga pelo título foi feroz e as equipes seguiram empatadas até a 34ª rodada, com vantagem para os Blancos no saldo de gols. O Madrid perdeu para o Osasuna. O Valência empatou com o Mallorca e assumiu a liderança. Rubén Baraja, lenda do clube, transformou-se no elemento principal rumo ao título.

O apogeu estava mais perto do que nunca. O Estádio Mestalla ficou completamente lotado para a partida ante o Espanyol. Mesmo com toda a festa dos mandantes, foi o adversário quem abriu o placar, com Raúl Tamudo. Quer ainda mais sofrimento? Carboni foi expulso ainda na primeira etapa. Os fantasmas da Champions circundaram o entorno do Mestalla e o choro parecia ser, mais uma vez, de tristeza.

O placar do estádio mostrou que o Real Madrid estava perdendo para a Real Sociedad, e a torcida ganhou o ânimo que precisava para apoiar, ainda mais, seus jogadores. Rubén Baraja personificou a alcunha de herói e virou a partida, na raça, na vontade, no desejo de dar aos “sofredores” a alegria que só o futebol pode proporcionar. Com isso, bastou vencer o Málaga, fora de casa, para soltar o grito preso na garanta há 31 anos.

Momento surreal para a torcida que, um ano atrás, sofreu com a derrota para o Bayern de Munique. O palco do título foi o estádio La Rosaleda. Aqueles jogadores mereciam a glória após tanto sofrimento, e foi exatamente o que aconteceu.

Roberto Ayala e Fábio Aurélio fizeram os gols do título, da quebra do jejum, do alívio, do 5º título valencianista. A escalação daquele 5 de maio de 2002: Cañizares, Pellegrino, Ayala, Curro Torres, Fábio Aurélio, Albelda, Baraja, Angulo, Vicente, Aimar e Rufete.

O vídeo a seguir detalha, passo a passo, o caminho percorrido pelos comandados de Rafa Benítez rumo ao título.

Campanha:

38 jogos
21 vitórias
12 empates
5 derrotas
51 gols a favor
27 gols sofridos

Artilheiro: Rubén Baraja (7 gols)

Formação tática (jogo do título):

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