Análise MESSIntática

  • por Lulu
  • 4 Anos atrás

Não adianta, ele não adianta. Messi conduz a bola junto ao corpo, acelerando e desacelerando, em passadas curtas, suaves e ligeiras, sob a eminência da verticalização. Ele percorre o campo num ritmo coeso, tanto veloz quanto precavido.

Não pedala, ele patina. Messi e a bola são siameses, conectados em prol de dribles secos, práticos e indefectíveis. Ele corta e recorta, infiltrando-se, superando adversários com malemolência e explosão.

Não transpira, ele inspira. Messi faz mais se esforçando menos, distribuindo o jogo e abocanhando tentos. Ele arma e executa com calma, frieza, dosagem e astúcia; finalizando, passando, cruzando e lançando na levada da plasticidade.

Não desagrega, ele agrega. Messi é do duo, da tabela, da parceria em toques incisivos de primeira. Ele tem sede de protagonismo, mas sabe ceder ao companheirismo, buscando afiar o entrosado a cada nova intervenção ofensiva.

Não opõe, ele prepõe. Messi premonitoriamente inicia lances, alguns em ações de relance, bem promissores. Ele vê além do alcance, estimulando movimentos técnicos “jazzísticos” em espaço curto.

Não samba, ele encanta. Messi isenta firulas e fanfarras, seu repertório erudito descarta zombarias. Ele lapida-se, prezando por uma habilidade objetiva e deslumbrante, impulsionado pelo estilo vocacional de enriquecer o futebol.

Comentários

Homem garoto de convicções grisalhas formado em Ciência da Menstruação, Agronomia Espacial, Lirismo Marginal e Terapia Libidinosa. Com repertório vocacional fincado em irreverência, improviso, cinismo lúdico e boleiragem plena.