As promessas de outros carnavais do Paulistão 2015

  • por Lucas Sartorelli
  • 6 Anos atrás

Eles já foram algumas das principais promessas brasileiras do futebol e hoje estão disputando o Paulistão por clubes menores

A trajetória é bem conhecida no futebol: uma jovem promessa se destaca nas categorias de base, às vezes obtém algum brilho entre os profissionais (ou nem isso) e torna-se desejado por diversas equipes do exterior. Uma multa é fixada, empresários surgem de todos os lados, o atleta é fatiado economicamente e começa a sondagem dos supostos milhões de euros pelos quais ele será vendido numa próxima janela de transferência. Então, uma negociação finalmente se concretiza e todos saem felizes e satisfeitos, mas só até o jogador chegar ao novo local de trabalho e se dar conta de sua nova realidade. Estilo de jogo diferente, clima, comida, língua. E ele não se adapta. O futebol não rende mais como antes.

Quando não, em outro caso comum, a joia continua no clube para ser testado no time profissional, mostrar todo o seu potencial e se valorizar ainda mais, mas os testes se iniciam, as chances são dadas e ele não corresponde dentro de campo, frustrando expectativas e irritando a torcida. Ou ainda, ele se destaca por um clube pequeno, é disputado a tapa pelos grandes e experimenta o doce gosto da fama, mas, em questão de alguns jogos, mostra que não tem condições de fardar uma camisa gigante.

Em muitos destes casos, a carreira desanda, porém, um fato muito comum é que o nome do jogador simplesmente desaparece da mídia e do cenário futebolístico e não se ouve mais falar dele. O tempo passa, novas promessas surgem, outros destaques florescem e a história se reinicia. Até que em um estadual de início de ano, você está desatentamente acompanhando um jogo, e durante a escalação de um clube pequeno, ouve um nome que lhe soa familiar. Enfim, após um rápido regresso de memória, se dá conta de que se trata daquela velha promessa tentando um novo começo ou simplesmente fazendo seu trabalho escondido onde lhe restou atuar.

Assim, escalamos uma seleção (esquema 4-4-2) de jogadores que você certamente viu surgir, acompanhou ou até mesmo apostou e que hoje disputa o campeonato paulista da série A1 por clubes de menor expressão.

Rafael Santos

Foto: divulgação/Portuguesa

Foto: divulgação/Portuguesa

Criado na base do Corinthians, o goleiro era visto no Parque São Jorge por muitos como o futuro dono da camisa 1 do time profissional. Apontado como grande promessa, Santos ficou conhecido como “novo Ronaldo”, em alusão ao ídolo e vencedor goleiro corintiano na década de 90. Em 2008, o jovem jogador foi finalmente promovido pelo técnico Mano Menezes à equipe principal. Na época, era o terceiro goleiro reserva do Corinthians. A estreia pelo Timão aconteceu na derrota para o América-RN, por 2×0 e culminou com a chegada de Renan, que havia se destacado pelo Avaí, para ocupar o posto de titular. Assim, Rafael foi emprestado. Com passagens por Avaí, Bragantino, Botafogo-SP e São Caetano, hoje busca seu lugar ao sol defendendo a Portuguesa.

Francis

Foto: Divulgação/Palmeiras

Foto: Divulgação/Palmeiras

Oriundo da base palmeirense, Francis jogou com diversas revelações do clube, como Vágner Love, Diego Cavalieri, Deola, Diego Souza, Ilsinho, entre outros com carreiras de sucesso e passagens pela Europa. Atuando na posição de volante, o jogador chegou a se destacar em algumas partidas pelo Palmeiras, especialmente no ano de 2006, mas aos poucos foi perdendo espaço. Após uma passagem discreta pelo Atlético-MG, rodou por clubes do interior de São Paulo e hoje defende o Audax, alternando a posição de volante com a de lateral direito.

William Magrão

Foto: redbullbrasil.com.br

Foto: redbullbrasil.com.br

Ao término de 2009, o Grêmio viu uma promessa virar afirmação durante o Campeonato Brasileiro. Willian Magrão era o dono do meio-campo tricolor. Armava e articulava. Com poder de marcação e qualidade com a bola nos pés, ele era o volante sonhado por qualquer técnico. No ano seguinte, logo nos primeiros jogos de 2010, uma lesão travou sua ascensão profissional, fazendo-o parar por meses. De contrato renovado com o Grêmio, retornou aos gramados, entretanto, com certa irregularidade, o que fez com que fosse emprestado para a Ponte Preta. Sem conseguir se firmar como titular em Campinas, foi repassado a Cruzeiro, Portuguesa e Figueirense. Em 2015, Magrão chegou ao debutante Red Bull, pelo qual vem atuando como zagueiro, posição em que já jogou em outras oportunidades.

Julio Santos

ecsaobento.com.br

Foto: ecsaobento.com.br

O zagueiro era uma das grandes promessas da base do São Paulo após ser campeão da Copa São Paulo de Futebol Junior de 2000 com seu estilo rápido e técnico. Entretanto, teve poucas chances no time profissional e deixou o clube em 2003. Depois disso, rodou por Paysandu, Goiás, Vasco, Portuguesa, São Caetano, futebol francês, Mazembe, do Congo, Passo Fundo, Icasa, Lajeadense, São José-RS, Novo Hamburgo e Caxias-RS, até chegar recentemente ao São Bento para a disputa do campeonato paulista de 2015.

Zé Carlos

Foto: Divulgação/Botafogo

Foto: Divulgação/Botafogo

Zé Carlos começou a carreira no Goiás em 1998, e após 4 temporadas de sucesso no clube esmeraldino se transferiu para o São Caetano, sendo campeão paulista com boas atuações pelo Azulão. Foi contratado pelo Corinthians, pelo qual disputou apenas 4 partidas (entre elas, duas pela Libertadores), marcando 2 gols. Com ótima proposta do Japão, o jogador preferiu garantir o famoso pé de meia e viajou para jogar por 2 anos pelo Cerezo Osaka. Por indicação do amigo Túlio, ex-companheiro de Goiás, o Botafogo o contratou para a temporada de 2008. No alvinegro carioca, Zé começou sua passagem na meia e como titular. Era destaque pelos belos gols de falta e chutes de longa distância. No entanto, após perder o pênalti que desclassificou o time nas semifinais da Copa do Brasil, começou a ser mal visto pela torcida e retornou ao Goiás. Rodou ainda por diversos clubes e hoje defende o Ituano.

Alê

Foto: Divulgação Rio Claro FC

Foto: Divulgação Rio Claro FC

Volante aguerrido e de muita movimentação, Alê surgiu com destaque na base do São Paulo há mais de 10 anos, sendo alçado aos profissionais e atuando no time de cima de 2004 a 2006, até perder espaço e rumar ao tradicional Juventus, da Mooca. Ainda em 2006, foi para o Botafogo e, em seguida, embarcou para o Japão para atuar pelo Cerezo Osaka. Voltou ao Brasil em 2009, novamente ao São Paulo, e ainda colocou no currículo: Santo André, Atlético-MG, Atlético-PR, Guaratinguetá, XV de Piracicaba e Avaí. E agora acrescenta o Rio Claro.

Renan

Foto: Divulgação Atlético-PR Site Oficial

Foto: Divulgação Atlético-PR Site Oficial

“Campeão do mundo pelo São Paulo” é possivelmente o trecho mais ostentoso do currículo de Renan. Volante revelado pelo tricolor em 2004, o jogador integrou o elenco profissional que ergueu as taças do campeonato paulista, da Libertadores e do Mundial de Clubes da FIFA em 2005. Fez 77 partidas e marcou 1 gol. No entanto, apesar das qualidades apresentadas, acabou emprestado ao Juventude no ano seguinte e, a partir de então, iniciou uma rodagem profissional que inclui clubes de todas as regiões do Brasil, além de Portugal e Arábia Saudita. Com 29 anos, Renan está de volta ao estado de São Paulo, compondo o elenco do São Bento.

Boquita

Foto: Divulgação MAC

Foto: Divulgação MAC

Depois de se destacar em todas as categorias de base do Corinthians, tendo chegado à seleção brasileira sub-20 em 2009, Boquita ascendeu na carreira sendo campeão da Copa São Paulo de Juniores, Copa do Brasil e Campeonato Paulista, todos em 2009, e da Série B em 2011 sendo destaque da “Barcelusa”, como ficou conhecido o time da Portuguesa após campanha memorável. Antes da Lusa, passou uma temporada no Bahia, por empréstimo. Após uma lesão mal diagnosticada que o afastou por mais tempo que o programado, defendeu ainda o Atibaia, em 2013, e na temporada passada jogou o Paulistão pelo Atlético Sorocaba, que acabou rebaixado, e a Série B do Brasileiro pelo Vila Nova-GO. Agora, aos 23 anos e tantos clubes, tentará a sorte no Marília em 2015.

Lulinha

Foto: Divulgação / Red Bull Brasil

Foto: Divulgação / Red Bull Brasil

Ele tem só 24 anos, mas já viveu muita coisa no futebol. Em 2007, foi destaque e artilheiro da Seleção Brasileira Sub-17, com 16 gols em 16 jogos, e levou a seleção à conquista do Campeonato Sul-Americano. Ainda se destacou pelas seleções de base em outros torneios e se tornou o maior artilheiro dos juniores do Corinthians com incríveis 297 gols. As grandes atuações atraíram olhares de clubes como Barcelona e Chelsea, mas o jogador renovou com o Corinthians. Com apenas 17 anos, sua multa rescisória passou de US$ 5 milhões para incríveis US$ 50 milhões. Até que, ainda em 2007, com status de salvador, o meia foi integrado ao elenco profissional e não conseguiu evitar a pior campanha da história do clube, com a queda para a segunda divisão. Se tornou reserva e, sem perspectivas no clube que o revelou, saiu para respirar novos ares. Passou pelo futebol português, onde atuou no Estoril e Olhanense, e no retorno ao Brasil, em Bahia, Ceará e Criciúma, até acertar recentemente com o promissor Red Bull para tentar um recomeço na carreira.

Diego Maurício

Promessa da geração de Neymar e Oscar, Diego Mauricio se destacou pelo Flamengo na Copa São Paulo de Futebol Junior e foi campeão do Sul-Americano Sub-20 pela Seleção, em 2011. Entrando aos poucos no time de cima, Diego conseguiu algum destaque pelo Rubro-Negro, que chegou a recusar uma oferta de R$ 11,5 milhões (€ 5 mihões) do Shakhtar Donetsk da Ucrânia pelo atacante. Após uma fase ruim, recebeu novas chances como titular com o técnico Joel Santana no ano seguinte, mas novamente sem impressionar, acabou voltando para a reserva. E acabou indo parar no Alania Vladikavkaz, da Rússia. Em seguida, sem adaptação no exterior, voltou ao Brasil e acertou com Sport por empréstimo, mas, em pouco mais de oito meses de clube, fez apenas sete jogos, um como titular, nenhum gol e foi afastado do elenco por baixa produtividade. Em 2014, foi apresentado no Vitória de Setúbal, após ter rescindido com o clube russo, mas, sem ritmo e motivação, acabou indo embora de Portugal, dessa vez rumo ao interior de São Paulo, para acertar com o Bragantino.

Sérgio Mota

Foto: Divulgação Ceará SC

Foto: Divulgação Ceará SC

Alguns diziam que ele seria o “novo Raí”. O meia Sérgio Mota, campeão Brasileiro pelo São Paulo em 2007 e 2008, não conseguiu o mesmo espaço que o ídolo citado e acabou traçando outros caminhos pelo futebol nacional. De grande promessa, virou um jogador comum, relegado a clubes sem tanta expressão. Após surgir nas categorias de base do São Paulo e fazer uma bela Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2007, passou a ser conhecido como um futuro craque tricolor, sem corresponder à altura das responsabilidades no time profissional. Após empréstimos e passagens sem sucesso por Toledo (PR), Ceará, Icasa e Santo André, Mota teve o contrato com o tricolor encerrado e não renovado. Ainda jogaria em América-MG, Penapolense e Botafogo-SP. Hoje, com apenas 25 anos, retorna a Penápolis para tentar provar seu valor, dessa vez sem tanta pressão.

DPF

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Paulistano, projeto de jornalista e absolutamente ligado a tudo o que envolve essa arte chamada futebol, desde a elegante final de uma Copa do Mundo às peculiaridades alternativas das divisões mais obscuras de nosso amado esporte bretão. Frequentador assíduo nas melhores (e piores) várzeas e peladas de fim de semana, sempre à disposição para atuar em qualquer posição.