Bellerín, o novo ala dos Gunners

Arte: Doentes por Futebol

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Que o Arsenal não é mais o mesmo dos últimos 10-15 anos não é mistério para ninguém. Enfraquecido pelas vultosas vendas de seus grandes destaques – passando temporadas sem fazer a devida reposição –, o time de Arsène Wenger manteve, entretanto, um padrão de trabalho.

Como no passado, o clube londrino segue gostando de apostar em jovens promissores, em detrimento de jogadores consagrados (situação que fugiu à regra mormente com Mesut Özil e Alexis Sánchez).

Assim, por conta de um azar (ou de uma sorte), a equipe viu-se sem o lateral direito Mathieu Debuchy, lesionado, e apostou em um garoto espanhol que tem mostrado enorme talento.

Héctor Bellerín, tal como Cesc Fàbregas, começou sua carreira nas Canteras do Barcelona, chegando ao Arsenal aos 16 anos e estreando profissionalmente já aos 18, em partida contra o West Bromwich, válida pela League Cup da temporada 2013-2014.

Como qualquer garoto, sobretudo tratando-se de alguém que já atuava em uma grande equipe, a mudança não foi fácil, como ressaltou em entrevista ao Mirror.

“Eu havia estado no Barcelona toda a minha vida, portanto foi muito difícil. Mas, após avaliar as coisas, decidi assinar com o Arsenal. Quando você quer ser um profissional, você tem que olhar e traçar seu caminho. E eu acredito que o lugar certo para mim foi escolher o Arsenal. Nos encontramos com Mr. Wenger e tudo correu muito bem. Quando há um time que garante que você poderá jogar no time principal, e, acima de tudo, na Premier League, é muito difícil dizer não.”

Apesar da juventude, o garoto, que após o encontro frente o Aston Villa chegou ao seu 12º jogo na temporada, marcando seu primeiro – e bonito – tento, tem mostrado enorme personalidade, manifestando segurança defensiva e boa capacidade de recuperação.

Não obstante, é no ataque que o espanhol, que também passou curto período emprestado ao Watford, mostra suas principais credenciais.

De forma impressionante, Bellerín bateu o recorde estabelecido por Theo Walcott nos piques de 40m e, no elenco do Arsenal, passou a ser o jogador mais rápido da história dos gunners. Walcott havia quebrado o recorde, em 2009, que pertencia a ninguém menos que a lenda Thierry Henry. E agora Hector Bellerín é o atual detentor deste título.

Outros números que impressionam e tornam ainda mais evidentes suas qualidades ofensivas são as participações em gols pelo time sub-21 dos Gunners. Em 29 jogos, Bellerín marcou cinco gols e proveu quarto assistências, números muito interessantes para um lateral. Para seu treinador, o garoto impressiona pela personalidade e por não sentir o peso da camisa Gunner.

“Ele é um garoto com personalidade, que não que fica perturbada pela pressão. Ele é muito rápido e sua bola final também é muito boa.”

Mostrando muitas qualidades técnicas e psicológicas, não há como não enxergar no espanhol um jogador para muitos e longos anos na lateral direita do Arsenal. Além disso, o garoto conta com o apoio de seu treinador e dos jogadores mais experientes da equipe. Para Mikel Arteta, capitão dos Gunners, Bellerín representa o futuro do Arsenal.

“Penso que ele é um jogador top. Ele pode ser o lateral direito do Arsenal por muitos anos em minha opinião, desde que ele tenha chances. Mentalmente, ele lida com o que é pedido no mais alto nível. Ele tem ritmo, ele tem técnica e é um cara muito positivo. Converso muito com o Héctor. Ele tem estado por perto há anos e temos conversado um com o outro por muito tempo. Eu o conheço muito bem porque ele fez parte da pré-temporada algumas vezes conosco. Ele é um garoto muito confiante e nós o tratamos como qualquer outro jogador, porque ele é parte de nosso elenco. Esperamos que ele se torne um grande jogador no clube,” disse ao DailyMail.

Com apoio dos companheiros e do corpo técnico do Arsenal, Bellerín também desponta como uma alternativa para o futuro da Seleção Espanhola. Vale lembrar que a Espanha não conta mais com Álvaro Arbeloa, aposentado da Seleção, e tem apostado suas fichas no experiente Juanfran, de 30 anos, no polivalente César Azpilicueta, de 25 anos, e em Daniel Carvajal, o mais jovem deles, atualmente com 23 anos.

O garoto, que, após passar pelos escalões sub-16 e 17, integra a Seleção Sub-19 da Fúria, também encarará a concorrência de Martín Montoya, reserva de Daniel Alves no Barcelona, e de Javier Manquillo, atualmente no Liverpool. Todavia, é o mais jovem deles e o que mais se destaca. Se sua trajetória continuar ascendente, com o bom aproveitamento das chances que vem recebendo, Bellerín vê à frente um campo aberto. Explorando-o como tem feito em seus avanços pelo flanco direito do Arsenal, o garoto terá um futuro brilhante.

Olho Nele!

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.