Cerro Porteño e o fracasso além da fronteira

  • por Gustavo Ribeiro
  • 5 Anos atrás

Gigante em seu país, o Cerro Porteño acumula fracassos em competições internacionais.

Quando se fala sobre o futebol paraguaio, não tem como não citar Olimpia e Cerro Porteño. O primeiro, além de ser gigante dentro do país, já conquistou o continente e o mundo por algumas vezes. Já o segundo, que também tem um tamanho colossal dentro de seu território, até hoje não conseguiu dar o tão desejado passo além das fronteiras. E a eliminação na última terça-feira (11), na Primeira Fase da Libertadores para o Deportivo Táchira, foi apenas mais uma dentre as 37 já sofridas na competição.

Tudo bem que é um time ainda em formação, que perdeu alguns jogadores importantes na janela e que não conseguiu repor com a mesma qualidade. Mas a forma como a equipe caiu ainda na chamada Pré-Libertadores causou espanto em toda a imprensa paraguaia, que já planejava o que o time enfrentaria na fase de grupos. Mas essa foi apenas mais uma eliminação em competições internacionais do Cerro Porteño.

Dentro do Paraguai, ninguém questiona a superioridade do clube. Campeão nacional em 30 oportunidades e vice em outras 29, o time está a penas nove taças de igualar o Olimpia, que não conquista um título nacional desde o segundo semestre de 2011. Mas quando se trata de competições internacionais o tom da conversa muda. O torcedor azulgrana já se acostumou a começar a Libertadores confiante, cheio de esperança, mas terminar procurando desculpas para mais uma derrota, mais uma eliminação.

Em 56 edições de Copa Libertadores já realizadas, foi a primeira vez que uma equipe paraguaia caiu para uma equipe venezuelana na primeira fase da competição. A outra eliminação precoce aconteceu em 2008, quando caiu diante do Cruzeiro. Essa também foi a 50ª eliminação do Cerro Porteño em competições internacionais: são 37 na Libertadores, 4 na Copa Mercosul e outras 9 na Copa Sul-americana.

Dessas 37 eliminações, algumas merecem destaque. Em 1962, em sua primeira participação na Libertadores, o time foi goleado pelo Santos de Pelé por 9×1, sendo até hoje a pior derrota de uma equipe paraguaia na competição. Em 2003, jogando na Ciudad del Este, o time conseguiu a proeza de ser goleado por 6×2 para o Paysandú na fase de grupos.

Mas também vale ressaltar as boas campanhas que o clube já realizou. Em 1973, contando com jogadores do quilate de Saturnino Arrúa, Juvencio Osorio e Carlos Jara, o time ficou a apenas um ponto de se classificar para a final num grupo que tinha Colo Colo e Botafogo. Em 1978, novamente nos mesmos moldes de disputa, o time ficou fora da final, mas dessa vez já sem alguns dos principais jogadores da primeira metade da década.

Em 1999, mesmo após ser goleada ainda na fase de grupos, a equipe conseguiu chegar até a semifinal do torneio. Num grupo com Corinthians, Palmeiras e Olimpia, o ciclón foi goleada, mas também venceu e acabou alcançando a semifinal da competição. Na terceira rodada, me Assunção, tomou de 5×0 para o Palmeiras, que viria a ser o campeão. Mas o placar que mais assuntou foi o 8×2 tomado em São Paulo para o Corinthians.

Em 2011, o time voltou a figurar entre os quatro melhores do continente, mas o tão esperado e cobiçado título não chegou. A angústia deve ter sido ainda maior quando, em 2013 e 2014, os torcedores viram o maior rival chegar a mais uma final e o modesto e simpático Nacional debutar em uma decisão. Enquanto isso, o Cerro Porteño segue sem saber o que é uma final de competição internacional, seja de Libertadores, Sul-americana ou de qualquer outra disputa oficial.

Dos cinco times que mais vezes participaram da Libertadores, o Cerro Porteño é o único que nunca chegou a uma final. Em participações, a equipe só fica atrás de Nacional e Peñarol, ambos com 42, empata com seu arquival Olimpia com 37 e fica à frente do River Plate, que já disputou a competição mais importante do continente em 31 oportunidades. Em 279 jogos, o ciclón tem quase o mesmo número de vitórias e derrotas, o que ajuda a explicar esse fracasso no âmbito internacional: foram 99 vitórias, 82 empates e 98 derrotas.

Depois de tantos números e exemplos, continua difícil achar um motivo pelo qual o Cerro Porteño, mesmo com grandes times ao longo de seus 102 anos de história e sempre participando de todas as competições, nunca tenha conseguido dar o passo sonhado além das fronteiras e conquistado uma taça internacional.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.