Janeiro catalão

  • por Victor Mendes Xavier
  • 6 Anos atrás

Janeiro foi o mês da Catalunha no futebol espanhol. Isso porque os dois principais representantes da região tiveram as maiores evoluções na primeira divisão. Às suas maneiras, Barcelona e Espanyol cresceram de produção, venceram partidas importantes e definiram os sistemas de jogo para a turno final da temporada.

A força do futebol catalão pode ser comprovado na Copa do Rei: blaugranas e péricos estão nas semifinais da competição e são favoritos para irem à final, que seria histórica. Depois de 2014 ser marcado pelo ano de Madrid, com Atlético de Madrid campeão espanhol e Real Madrid campeão da Liga dos Campeões da Uefa, a Catalunha dá o troco (ainda que em menor peso, obviamente) nas primeiras disputas de 2015. Até quando vai durar essa fase?

O Barcelona de Luis Enrique: força pelos lados e velocidade nas transições

Escrevi há dois meses sobre os problemas ofensivos que o Barcelona vivia àquela altura da temporada. Pelo visto, Luis Enrique deu uma lida no texto e resolveu trabalhar. Não que atualmente esteja perfeito, mas foi um belo passo dado à frente. Hoje, as jogadas são construídas com mais fluência e coerência, ainda que, em alguns momentos, o time volte a se mostrar dependente da criação de Messi.

O caminho que o Barcelona deve seguir daqui até fim da campanha é o da velocidade na transição. Há uma semana, contra o Atlético de Madrid, os blaugranas atuaram de maneira cínica e peculiar comparado ao que estamos acostumado a assistir. Sem fazer questão de ficar com a bola, o Barça apostou tudo nos contra-ataques, com uma fortíssima transição ofensiva, resultando em dois de seus três gols naquele dia. O resultado foi o surpreendente 46% da posse de bola na etapa inicial, no Vicente Calderón.

Parte do bom momento azulgrená se deve ao estabelecimento de um onze inicial por parte de seu treinador. A menos que tenha alguma lesão ou suspensão, o Barcelona deve ir a campo nos jogos cruciais com Bravo/Ter Stegen; Daniel Alves, Piqué, Mascherano, Alba; Busquets, Rakitic, Iniesta; Messi, Suárez, Neymar. Além disso, Lucho testa alternativas para ganhar estabilidade defensiva, como Mathieu na zaga e Mascherano de volante, no lugar de Busquets (opção que pode ser vista, especialmente, no segundo tempo).

A força pelos lados, com Messi e Neymar em estados de graça, é o grande trunfo do time. Depois de variar a forma do sistema ofensivo e, consequentemente, o posicionamento de Messi, Luis Enrique achou no argentino como ponta direita um fator positivo para o crescimento de seu trabalho. Por sua vez, Suárez ainda não engrenou tecnicamente, mas cumpre o que o treinador tem pedido. O uruguaio, centralizado, puxa a marcação dos zagueiros e permite a criação de espaço para Messi e Neymar. Se os dois encontram facilidades para partir para o mano a mano contra os laterais rivais, usando e abusando de seus valiosos dribles, muito se deve ao papel tático que o camisa 9 tem cumprido.

No meio-campo, a grande mudança em relação a outros tempos: se com Guardiola e Tito Vilanova era o setor principal para o funcionamento do sistema, o trabalho atual dos meias, hoje, é diferente e mais defensivo.

Busquets, Rakitic e Iniesta têm que trabalhar nos roubos de bola e acionar o mais rápido possível o trio de ataque. A cadência ainda é necessária em certos contextos, mas já não é fundamental (sobretudo sem Xavi). Verticalidade, sim.

Nesse cenário, Rafinha Alcântara, de enorme partida contra o Villarreal no final de semana, será uma peça de importante destaque. Iniesta, em sua pior temporada em tempos, ainda mostra não estar adaptado à nova função.

Nos últimos 09 jogos do Barcelona, foram 08 vitórias consecutivas e apenas uma derrota há pouco mais de um mês.

Nos últimos 09 jogos do Barcelona, foram 08 vitórias consecutivas e apenas uma derrota há pouco mais de um mês.

O cenário no Camp Nou é de confiança. Após momentos de turbulência, o Barcelona se encontrou em um estilo mais direto, rápido, vertical e baseado nas jogadas de Neymar e Messi. Competitivo e com as ideias claras, está cada vez mais interessante vê-lo até onde pode chegar.

O Espanyol de Sérgio González: solidez, linhas compactadas e contra-ataque

É impossível não destacar o período blanquiazul. Em sua melhor fase em anos, a equipe, que começou a ser construída com Javier Aguirre, atingiu seu auge em 2014/2015 com Sérgio González. O defensivo (mas eficiente) 4-4-2 gera desconforto ao rival. Linhas bastantes compactadas, zagueiros de áreas, laterais recuados. Enfrentar o Espanyol nessas últimas semanas não foi fácil.

O quarteto formado por Lucas Vázquez, Stuani, Caicedo e Sergio García é a válvula de escape. Os contra-ataques, principal fonte de gol do Espanyol, quase sempre começam e terminam com um deles. Os volantes Canãs e Víctor Sánchez também são fundamentais para o esquema de González. Nesse ponto, total mérito para o treinador. Antes de se unirem, nenhum possuía dotes defensivos. Eram jogadores mais voltados à criação e à pressão alta. O sacrifício da dupla, agora mais recuada, tem rendido frutos ao Espanyol.

Talvez o estilo de jogo possa não funcionar ao longo do campeonato.

Se não tem conseguido muito êxito nas últimas partidas de La Liga, na Copa do Rei o Espanyol segue firme buscando uma inédita final.

Se não tem conseguido muito êxito nas últimas partidas de La Liga, na Copa do Rei o Espanyol segue firme buscando uma inédita final. As importantes vitórias contra Sevilla e Valência o credenciam para isso.

No entanto, visando a Copa do Rei, competição de mata-mata, certamente continuará ativado e dará bastante trabalho.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.