Quando Felipe Flores marca, a vitória é certa

  • por Gustavo Ribeiro
  • 3 Anos atrás
Foto: lanacion - Flores comemorando seu gol diante do Atlético

Foto: lanacion – Flores comemorando seu gol diante do Atlético

Quatro anos depois, o Colo Colo voltou a disputar uma partida de Copa Libertadores. O adversário era nada menos que o Atlético Mineiro, campeão da competição em 2013 e um dos favoritos a ficar com a taça na atual temporada. Até ontem, nunca havia perdido uma partida de estreia na competição. Por outro lado, um time chileno, jogando como mandante, não vencia uma equipe brasileira há quatro anos. Números pouco favoráveis aos gringos, que tinham ontem um trunfo na manga: Felipe Ignacio Flores Chandia, ou simplesmente Felipe Flores.

Já eram jogados 39 minutos da primeira etapa. O Atlético era muito superior e parecia ser questão de tempo para conseguir abrir o placar. Mas o Colo-Colo conseguiu puxar um ótimo contra-ataque com Valdés, que tocou para Felipe Flores entrar em diagonal. Mesmo longe do gol e sem o melhor ângulo, acertou um belo chute de fora da área para abrir o placar no Monumental: 1×0, e a partida tomou um novo rumo. Não porque o time abriu o placar, mas por causa do autor do gol.

O Colo-Colo nunca perdeu nas partidas em que Felipe Flores fez gol. Nas 29 anteriores, o clube chileno venceu em 25 oportunidades e empatou em outras quatro. Era um bom preságio de que as chances do time sair com um bom resultado já eram bem maiores, pelo menos se olharmos pelos números. Aliás, Felipe Flores merece mais destaque, principalmente por tudo que passou até aqui, superando a desconfiança de todos para se tornar um dos jogadores mais decisivos da equipe.

Até meados de 2013, era praticamente impossível encontrar algum torcedor do Colo-Colo que tinha o mínimo de simpatia pelo atacante. Revelado pelo clube 2004, chegou a ser vendido, até retornar em 2012. E não saiu mais. Mas foi em 2013 que Flores começou a recuperar o carinho da torcida, que, até então, exigia que a diretoria aceitasse sem hesitar as propostas do futebol europeu pelo atacante. Até então, em 2013, Flores já tinha disputado 37 jogos e marcado apenas cinco gols. O atacante, na época com 27 anos, tinha propostas para sair do país, mas, revelado e criado no clube, queria ficar e mostrar seu valor.

O clube resolveu apostar em Héctor Tapia para o comando técnico. Pouco tempo depois, o time que estava na parte debaixo da tabela teria que enfrentar uma Universidad de Chile que brigava por vaga na Libertadores. O jogo, disputado no Monumental, em Santiago, estava 2×2, com tudo levando a crer que terminaria empatado. Até que aos 45 minutos do segundo tempo, Flores recebeu dentro da área e chutou na saída do goleiro Herrera. Foi o 3×2 e ali o atacante começava a mudar sua imagem frente à torcida.

Já em 2014, o time liderou o Clausura e chegou na penúltima rodada precisando de uma simples vitória contra o Santiago Wanderers para assegurar o título. Mas o jogo começou a ficar enjoado e a torcida no Monumental se mostrou impaciente. Mas, aos 45 do primeiro tempo, Felipe Flores deixou novamente sua marca para dar o trigésimo troféu do clube em sua história. Foi o momento em que Flores, de uma vez por todas, passou de vilão para herói.

Hoje, disputando posição com Paredes, Suazo e Delgado, ainda não é titular absoluto, mas, é sempre uma das primeiras opções no banco de reservas. Pelo que vem fazendo nas últimas temporadas e a forma com que vem sendo decisivo em vários jogos grandes, no entanto, pode ser apenas questão de tempo para conseguir uma vaga no time titular.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.