Talisca vive momento apagado em Portugal

  • por Levy Guimarães
  • 5 Anos atrás

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Talvez nenhum jogador brasileiro tenha causado tanto impacto nos primeiros meses da atual temporada europeia quanto Anderson Talisca, então recém-chegado ao Benfica. Com status de principal contratação para 2014/2015, o meia ex-Bahia logo de cara mostrou boas apresentações pelo clube encarnado e até recebeu uma merecida convocação para a seleção. Em um período no qual o Benfica ainda se recuperava da pré-temporada turbulenta após a saída de vários jogadores importantes, foram vários os gols decisivos e salvadores pelo Campeonato Português e pela Liga dos Campeões (apesar da melancólica eliminação na fase de grupos no certame continental), alguns deles verdadeiros golaços.

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Mas se nos primeiros três meses da temporada Talisca era o centro das atenções, agora o momento é um pouco diferente. Apagado nas últimas partidas, o brasileiro tem tido dificuldade para cumprir com eficiência uma função-chave no esquema de Jorge Jesus, a de organizador de jogo da equipe, antes feita por Enzo Pérez, negociado em janeiro com o Valência. Ainda desconfortável na posição, Talisca não tem sido tão participativo, tem errado uma quantidade razoável de passes e por enquanto não demonstra a mesma tranquilidade que tinha Enzo para controlar e pensar o jogo.

Em suas melhores atuações pelo Benfica, o brasileiro esteve praticamente como um segundo atacante, jogando com liberdade pra se movimentar da esquerda para o centro:

SL Benfica 2014/2015

Com a saída de Enzo, Talisca foi recuado e assumiu a posição do argentino, flutuando mais pelo centro do campo, mas se aproximando menos da área. Com isso, Jonas se tornou titular absoluto ao lado de Lima no ataque.

SL Benfica 2014/2015 pt. 2

A queda de rendimento, inclusive, vem ameaçando a titularidade do garoto de 21 anos. Isso se deve também à boa fase de Pizzi, que vem cada vez ganhando espaço dentro do elenco. Quando é escalado na que os portugueses chamam de “posição 8”, o jogo benfiquista flui melhor, graças à boa movimentação e bom passe do português – como foi na vitória por 3×0 sobre o Vitória de Setúbal e na goleada por 6×0 contra o Estoril, ambas pelo campeonato.

Para quem se acostumou a atuar quase como um ponta pelo Bahia, pode ser difícil se adaptar a uma função nova, jogando mais recuado e com responsabilidades diferentes dentro de campo. Apesar de ter potencial para ser um meia completo, Talisca se notabilizou principalmente pelo drible e pela ótima finalização (especialmente a média distância), e para render o esperado como meia central, precisa aprimorar sua visão de jogo, movimentação e marcação, além de cadenciar mais o ritmo da partida.

É possível que o melhor lugar para Talisca seja mesmo atuando pelos lados do campo, mais incisivo e com mais liberdade para finalizar, cruzar e penetrar pela área. Apesar de o Benfica o ter contratado já pensando em um substituto para Enzo Pérez, pode haver um equívoco nesse prognóstico do clube. O fato é que as melhores atuações do brasileiro pelo atual campeão português foram ao lado de Enzo, mais avançado, encostando nos atacantes.

Talisca é novo, tem talento e deve ser jogador de seleção por muito tempo. E Jorge Jesus é um técnico especialista em encontrar soluções. Nessa combinação, não deve demorar muito para que o brasileiro se reencontre e volte a justificar os tantos elogios que tem recebido no Brasil e em toda a Europa.

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.