VfB Stuttgart a um passo do abismo?

  • por Flávia Santos
  • 6 Anos atrás

 

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Muito se tem falado sobre a crise do Borussia Dortmund, time da elite do futebol alemão, que desceu bruscamente na tabela da atual temporada. Entretanto, logo após uma sequência de três vitórias contra o Freiburg (3:0), Mainz (4:2) e o Stuttgart (2:3), os auri-negros recuperaram o ânimo e seguem o campeonato mais confiantes. Sobrou para o VfB Stuttgart!

 

Agora, os holofotes se voltam para o tradicional clube do sul da Alemanha, que em tempos de glória foi campeão da Bundesliga por cinco vezes (a última vez em 2007), protagonizou em 1997 o famoso “Triângulo Mágico” com o brasileiro Giovane Elber, Fredi Bobic e Krassimir Balakov, teve o Dunga e outros brasileiros no time e guarda na memória o histórico amistoso contra o Santos de Pelé em 1963.

Se boas memórias salvassem time de rebaixamento seria muito bom. Só que não. A pior crise de todos os tempos vem assolando o Stuttgart há mais de duas temporadas. A Bundesliga já existe há pouco mais de meio século e o clube se gaba por fazer parte do seleto grupo de times que, na história do futebol alemão, foi rebaixado apenas uma única vez. Mas a atual conjuntura parece querer mudar esta estatística.

Tudo caminhava mais ou menos bem com Bruno Labbadia no comando do time. O treinador por três anos manteve o Stuttgart pelo meio da tabela, sem grandes riscos. Mais tarde (início de 2013), com a chegada do novo presidente Bernd Wahler, Labbadia foi misteriosamente demitido com a desculpa oficial de ter acumulado logo no início da temporada de 2013 três derrotas consecutivas. Sua saída coincidiu com a decisão do ex-zagueiro e capitão do time Serdar Taşçı de abandonar o barco para ir jogar no Spartak de Moscou. A partir daí, os sinais da crise interna, e mais tarde externa, foram aparecendo.

A demissão de Labbadia e a saída de Tasci já são fatos consumados. A causa desse colapso, que virou uma grande bola de neve, é o excessivo jogo de compra e venda de jogadores que viciou o Stuttgart num esquema parecido com o “Fast-food”, que sacia a fome gastando menos, mas desgasta a saúde em longo prazo – no caso, a qualidade técnica do time é que acabou sendo afetada.

Basicamente, os suábicos formaram uma nova zaga pescando jogadores da própria categoria de base, o caso de Timo Baumgartl e Tim Leibold. A ala do meio passou a ser ocupada por atletas adquiridos a preços poucos competitivos no mercado. A lista: Alexandru Maxim, Florian Klein, Adam Hloušek, Oriol Romeu, Sercan Sararer, Filip Kostic e a mais recente aquisição, o meia africano Serey Die, comprado por 2 milhões de euros.

Como todo Fast-Food, este nunca nutrirá o corpo por completo. Assim tem sido no VfB Stuttgart, que investiu na quantidade esquecendo da qualidade. Em menos de dois anos, o VfB trocou três vezes de treinador: Thomas Schneider, Armin Veh e o atual Hubertus Stevens. Nenhum deles foi capaz de estruturar o time da casa.

Em breve, o VfB terá de entrar com um pedido oficial obrigatório junto à DFB (Federação Alemã de Futebol) para disputar a Segundona, caso siga na lanterna em mais dois jogos. Se isso acontecer, o clube terá que arcar com um rombo financeiro de milhões de euros, a ser ressarcido aos patrocinadores e ao estádio Mercedes-Benz Arena.

A pergunta que fica é: de quem é a culpa?

Assim segue o VfB com a sua tragédia quase anunciada, fazendo história no futebol alemão, só que de forma negativa.

 

https://www.youtube.com/watch?v=t5UX1cJaOdA#t=23

Comentários

E...quase que de repente comecei a fazer a cobertura da Bundesliga: Caminhar entre os torcedores alemães sem ser percebida como jornalista, entrevistar jogadores, me tornar a primeira brasileira a desempenhar tal papel e ir topando de vez em quando com o Franz Beckenbauer nos corredores do Bayern de Munique. Quando vou aos estádios me pego pensando que sou como na música do Eddie, metade futebol, metade mulher.