A Tempestade em Roma

  • por Sikorski
  • 5 Anos atrás

Em meio ao reinado absoluto da Vecchia Signora nas canchas italianas, uma maré negra se abateu sobre Roma. Os gladiadores da capital parecem cada vez mais suscetíveis aos infortúnios da vida futebolística, e a cada mês a lista de integrantes do DM engorda. O obstáculo frente a um rival que triunfa monetária e futebolisticamente sobre toda sua liga há anos, só dificulta a já comum perseguição ao título italiano, que parece não querer sair de Turim.

Com um elenco esparso, dividido entre jogadores contestados, apostas e outros consagrados, a Roma persegue o topo de um futebol que hoje em dia busca renovação e melhorias. O produto do time comentado resulta em incertezas, mas que consegue sobressair–se e ser um grande rival ante aos adversários nacionais e, contando com o peso de sua camisa, consagra sua merecida – e já comum – segunda posição na Série A TIM italiana.

Porém, a busca por um tropeço da rival Juve e pela possibilidade de tomar a primeira posição é cada vez mais um sonho distante. Com um time repleto de peças únicas e essenciais, a comissão técnica sofre, e seu departamento médico já teve de lidar com 28 lesões – e consequentes desfalques – do time da capital. A derrota para a Sampdoria, nesta segunda (16/03), comprova a má fase do time, que cada vez mais se distancia da líder Juve e nota a aproximação das rivais e a real ameaça ao seu segundo lugar.

O técnico Rudi Garcia se vê sem alternativas para a projeção de um bom time em campo, já que Strootman – que havia voltado de lesão – tem um quadro que não demonstra esperanças em relação ao seu joelho (suspeita de falha em cirurgia), De Rossi se recupera de uma lesão na panturrilha e na virilha. Seydou Keita, atualmente muito elogiado por suas atuações, também já fez parte da lista médica este ano, com problemas musculares. E vários outros também passeiam na tênue linha bamba que os separa de uma contusão, por vezes tropeçando e desfalcando os giallorossi por alguns jogos.

O zagueiro Leandro Castán, o lateral Balzaretti, o meia Strootman e os atacantes Ibarbo (recém–chegado ao time) e Totti são os atuais desfalques do time romanista, todos pertencentes a posições importantes e vitais e que com certeza fizeram falta nos 11 empates na atual temporada – contando com Europa League.

Preferindo um esquema transitório, geralmente figurando no 4–3–3 no pontapé inicial de jogo, a Roma aposta na rápida distribuição para seus pontas (Gervinho, Iturbe, Ljajic e Florenzi executam a função, na maioria das vezes) e na eficiência de seu homem de área, que também é uma incógnita, pois Totti já não goza do vigor de anos atrás, e divide o fardo com Pjanic.

Característica comum temporada passada, a Roma de 2015 já não apresenta a chegada de seus três meias como uma arma letal. Sem Strootman, sobrou a contenção do meio campo para jogadores que também são constantemente alterados no esquema inicial (De Rossi, Nainggolan, Keita, Pjanic e Florenzi já foram usados na linha central), e a aposta nas pontas cresceu de forma estrondosa. Se antes, com Strootman, a Roma alfinetava as linhas defensivas adversárias com atletas de bom chute e certo perigo de gol ou reorganização rápida do jogo ofensivo, agora o time parece se segurar como pode com seus centrais, que hesitam na subida desenfreada, procurando proteger a defesa também baleada.

Os giallorossi parecem, mais uma vez, estagnados na perseguição à liderança. Enquanto isso, as apostas que chegam decepcionam – caso de Iturbe –, e outros como Doumbia, tentam mostrar serviço. A recente saída de Destro fragilizou ainda mais o ataque e sobrecarregou o ídolo e capitão Francesco Totti. A solução parece realmente uma temporada melhor planejada e trabalhada física e taticamente, já que o time fraqueja em competições europeias e coleciona eliminações desastrosas, e os investimentos mostram-se cada vez mais como desperdícios para o torcedor romanista.

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Estudante, catarinense e apaixonado por futebol. Torcedor por hobby do Tottenham e grande apreciador da garra e classe do futebol europeu.