Aubatman e Reusbin: a Dupla Dinâmica

  • por Israel Oliveira
  • 5 Anos atrás
BATSINAL

É a hora da dupla entrar em ação.

Após derrota para o Augsburg no Signal Iduna Park por 1 x 0, o sinal de alerta brilhou nos céus de Dortmund.

O time que há menos de dois anos encantava a Europa em sua trajetória até a Final da Liga dos Campeões, agora se encontrava na lanterna da Bundesliga, condição que levaria o clube aurinegro ao rebaixamento direto.

BIPOLARIDADE DO DORTMUND

Leia mais: A bipolaridade do Dortmund

https://www.youtube.com/watch?v=gbkthZwWb-w

A cena de Roman Weidenfeller e Mats Hummels dialogando com fãs furiosos expressa melhor este momento que qualquer palavra escrita aqui.

A situação era tão alarmante, que o diretor executivo do clube, Hans-Joachim Watzke, foi providenciar uma licença para a disputa a segunda divisão, algo inimaginável para um time que só nessa década foi bicampeão nacional e que tem sido uma pedra no sapato ano após ano do poderoso Bayern. Quando o documento foi solicitado, o Borussia Dortmund estava na vice-lanterna e ainda não havia atuado em 2015, devido à pausa de inverno na Alemanha.

Com todo ano novo, existem novas perspectivas. Porém, o 2015 do Borussia não parecia ser muito promissor. Após o empate com o Bayer Leverkusen, e logo em seguida a derrota para o Augsburg, o pesadelo aumentou para cinco jogos sem vitórias.

O nível de atuação do time de Jürgen Klopp era baixo. Se o resultado contra o Leverkusen era aceitável pelo jogo ter acontecido na BayArena, a derrota para o FC Augsburg resumia todos os defeitos dos soldados de Klopp. Uma linha militar desorganizada, repleta de coração e emoção, e que, mesmo com boas armas, tropeçava em sua bagunça.

A equipe atacava com muita afobação e inibia o talento de seu principal nome, Marco Reus, que ficava extremamente sobrecarregado jogando no centro do meio-campo. Atuar neste setor limitava suas principais características: chegada ao ataque, potencial pra drible e capacidade de se infiltrar nos melhores espaços.

No ataque, um tanque, o italiano Ciro Immobile. Não por ser um veículo de força fatal, mas por ser extremamente imóvel, sem agilidade alguma (realmente fazendo jus ao sobrenome). Um instrumento enferrujado e mal adaptado ao seu novo campo de guerra.

(Leia mais sobre a carência do Borussia em relação a seus homens de frente)

Escondido, na ponta direita, encontrava-se Aubameyang, um automóvel extremamente ágil, mas que necessitava ser conduzido e acionado por integrantes mais qualificados. Ficar preso nas pontas estreita seu jogo de combate, agudo e de muito oportunismo perto das redes.

Esquema do Borussia contra o Augsburg:

borussia x augs

Era um time completamente sem sentido. Faltava cadência e um último homem mais sagaz pra concluir as inúmeras jogadas produzidas. A defesa insegura sentia o astral ruim e sempre cometia falhas. A partir deste jogo fatídico, Jürgen Klopp tomou uma decisão vital para o futuro da equipe e mudou o patamar dos aurinegros na temporada: sacou o letárgico Immobile em prol do ágil Aubameyang, que passaria a jogar na referência do ataque.

Essa decisão se mostrou extremamente correta e eficaz e ressaltou a sensibilidade do folclórico treinador alemão.

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Finalmente, a Dupla Dinâmica entra em ação:

https://www.youtube.com/watch?v=_ffaEPolDQY

Com Auba e Reus jogando próximos, o Dortmund se tornou extremamente volumoso ofensivamente, aproximando seus principais talentos e gerando diversas jogadas. A dupla tem se entendido muitíssimo bem e sempre marca presença na área inimiga.

Contra o Freiburg, fizeram uma apresentação promissora, de encher o torcedor de esperanças. Marcando agressivamente, conduzindo a bola com muita facilidade e velocidade, o Borussia remeteu os espectadores à equipe de não tanto tempo atrás: explosiva, envolvente e mágica. Não importa o nível do adversário, o que se viu era uma nova ideia, uma mentalidade diferente. Prova da prolificidade ofensiva de Reus/Auba é o volume de finalizações: a dupla produziu 11 das 22 da equipe no jogo. Reus anotou um gol, e Aubameyang guardou duas bolas nas redes.

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O novo esquema do Borussia:

novo borussia
İlkay Gündoğan tem sido parte vital do novo esquema do time, acrescentando toque de qualidade ao meio-campo, com sua excelência em distribuir o jogo e romper linhas, seja penetrando ou enfiando passes na vertical. Reus e Auba jogando próximos infernizam as defesas inimigas e monopolizam o ataque aurinegro. Com a lesão de Kampl, Mkhitaryan ocupou a faixa direita na linha de ligação ao ataque, mas tem liberdade pra “romper” o esquema e penetrar.

Contra o Mainz, um grande teste psicológico para a nova fase da equipe. Após falha da defesa, o Borussia, com um minuto de bola rolando, já estava perdendo. Os aurinegros viraram a partida, mas sofreram gol logo em seguida, colocando abaixo a tranquilidade para gerir o placar. Então, surgiu a genialidade de Reus: em assistência mágica para Aubameyang, de trivela, entre a posicionada defesa do Mainz 04, o alemão encontrou o gabonês, que mostrou sua qualidade em chutar para o gol. Das 21 finalizações, 10 foram da dupla. Novamente, ambos guardaram seus tentos, um para cada um.

Se há pouco tempo o Borussia estava desesperado com sua situação na tabela, na rodada 22 o time teve o desafio de enfrentar um adversário em pior situação que a sua. Frente a um Stuttgart no fundo do poço, encontrou um clima hostil, facilmente contornado pela agora organizada equipe de Klopp. Demonstrando solidez defensiva num jogo mais ameno, contou com a eficácia de Gündoğan para ditar o jogo, e claro, a infernal dupla Reus-Auba. Mais uma vez, um gol para cada, e estava selada a terceira vitória consecutiva para o Dortmund.

Leia mais: Stuttgart a um passo do abismo?

Neste fim de semana, no Derby do Ruhr, acontece o grande teste. Era a chance de consolidar a boa fase, espantar o fantasma do rebaixamento e estalebecer objetivos maiores para uma temporada antes “perdida”. O grande rival Schalke 04 estava na Zona de Classificação para a Liga dos Campeões e necessitava de uma vitória para permanecer nessa posição tão almejada.

CHUTES A GOL toques na bola

O que vimos foi um massacre. Se os azuis reais do defensivo Roberto Di Matteo possuíam antes do embate a quarta melhor defesa, o Borussia não tomou conhecimento do time treinado pelo italiano. Foram 31 finalizações contra 3 do time de Gelserkinchen. Os donos da casa dominaram a partida do início ao fim, com 60% de posse de bola e um número infinitamente maior de passes trocados (452 contra 191).

Um massacre que não foi maior graças às belas intervenções do promissor Wellenreuther (9 defesas) e as diversas bolas desviadas.

Em termos de chances criadas, foi uma atuação contagiante, pulsante, de grande qualidade técnica e muita intensidade, num dia de futebol quase perfeito. Mais uma vez, a dupla Aubatman e Reusbin salvou o dia do Borussia Dortmund. Cada um registrou um gol, ambos de puro oportunismo, e somaram 14 chutes.

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Motivos de Preocupação:

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O 3×0 só veio ratificar a extrema dependência do time em relação ao bom desempenho de Aubameyang e Reus.  Jürgen Klopp preferiu “pagar para ver” e esperar até o minuto 78 de partida, em que Auba finalmente fez o gol que abriu o placar, a alterar o formato da equipe e colocar Ramos ou Immobile para receber bolas na área. Isso é sintomático, é sinal de que o italiano e o colombiano não possuem a confiança do treinador.

artilheiros na bundesliga

A tabela de artilheiros mostra bem por que Klopp não pode confiar em Immobile e Ramos. Os números não mentem: Reus já fez mais gols que os dois somados. Se fossem contabilizados também os gols de Aubameyang, aí não teria nem graça comparar. Além de marcar, a dupla já distribuiu 07 passes para gols (Auba 4, Reus 3). Nos últimos 5 jogos (incluindo a Champions League), Aubameyang tem 5 gols e Reus tem 5 gols e 2 assistências.

https://www.youtube.com/watch?v=I9R5GZGxaiI

O alemão voltou a mostrar seu melhor futebol, marcando gols em todas as partidas. As estatísticas na Bundesliga só reforçam o poder que ambos exercem na equipe: dos 31 gols, 17 são da dupla Auba / Reus – 55% dos gols do Borussia.

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Futuro:

Enfim, apesar de ser preocupante o fato da dependência do Borussia em relação a sua dupla dinâmica, há de se exaltar o ótimo momento da equipe. Reus renovou seu contrato até 2019, o que demonstra comprometimento em seguir crescendo junto aos aurinegros. Além disso, eles estão praticando um futebol intenso, com muita variação e restaurando valores individuais (como Hummels, Gündoğan, Reus e Aubameyang). O torcedor aurinegro pode respirar um pouco aliviado e comemorar. Os sinais de tempos melhores estão nítidos em Dortmund.

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