Bamford merece um futuro Blue

Por O Futebólogo

É fatídico. O Chelsea, historicamente, tem contado com jovens que aparentam ter um futuro grandioso pela frente, mas não veem seu talento e potencial desabrochar no clube. Scott Sinclair, Nemanja Matic (que teve de sair para ser valorizado), Jack Cork, Franco di Santo, Gael Kakuta e Josh McEachran não tiveram tempo para evoluir nos Blues. A bola da vez é Patrick Bamford, que esteve cotado para integrar o elenco londrino, mas, com as chegadas de Didier Drogba e Loic Remy, viu-se preterido e partiu para o Middlesbrough.

Cria do Nottingham Forest, o atacante, que completará 22 anos em setembro deste ano, é a grande arma de um bem sucedido Boro. Outrora lembrada pelo talento de Juninho Paulista, a modesta equipe tem tido uma temporada excelente na presente edição da Championship, ocupando a terceira posição com o mesmo número de pontos do líder e do vice-líder. E seu bom desempenho passa pelos pés do garoto.

Veloz, habilidoso e dono de muita movimentação, o inglês tem se mostrado um talentoso e moderno atacante. Embora não seja nenhum gigante, tem considerável estatura (1,85m), que o auxilia, ainda, nas bolas aéreas – embora não sejam seu forte. Em seu terceiro empréstimo desde que foi contratado junto ao Forest, nesta temporada o jovem já mostra que tem cancha e qualidade para ganhar espaço no time de José Mourinho.

É interessante ressaltar a mentalidade do garoto, apesar de sua juventude. No início da presente temporada, cotado para permanecer em Stamford Bridge, com o crescimento da concorrência no ataque, previu a diminuição ou inexistência de oportunidades no time e, sabiamente, optou por mais um empréstimo.

Curiosamente, o Middlesbrough tem sido uma importante escolha para o atacante e para o Chelsea, uma vez que, treinado por Aitor Karanka, ex-auxiliar de José Mourinho no Real Madrid, o time é uma alternativa que permite ao técnico português, em função do bom relacionamento com o espanhol, manter uma linha direta com o jogador, recebendo todas as referências e relatórios do desenvolvimento de seu pupilo.

“Eu discuti o patamar da minha carreira com o José, em muitas ocasiões e estou muito feliz com isso. O objetivo de todos nós é que eu continue me desenvolvendo como jogador sob a supervisão de José e que eu tenha uma longa e bem sucedida carreira no Chelsea.

José Mourinho realmente não delineou o plano da minha carreira. Eu ia ficar no clube nessa temporada, esse era o plano original, mas quando a chance de trazer o Didier de volta aparece, você não pode simplesmente recusar o Drogba, pode? Então o José me deu a escolha, se eu queria ficar no clube e jogar pouco – uma quantidade realmente mínima de futebol – ou eu poderia sair por empréstimo. Foi uma decisão fácil no final,” falou ao Metro.

Sua técnica faz com que o atleta também seja opção pelos flancos, sobretudo o esquerdo, do ataque. A despeito disso, é pelo centro que realmente se destaca e se diferencia. Autor de 15 gols e 7 assistências em 34 jogos pelo Boro, vive momento especial, tendo anotado três gols nos últimos três jogos. Sua forma recente tem criado sorrisos esperançosos no torcedor e rendido elogios de seu treinador.

“Patrick mostrou muita confiança com a forma que ele marcou ambos (os dois gols da última partida, contra o Ipswich Town) e merece esses gols por causa de seu índice de trabalho,” falou Karanka ao DailyMail.

Provando seu valor em seu empréstimo, Bamford merece uma chance no Chelsea. Dará certo? Evoluirá? Não se pode prever. A única certeza que se tem é a de que, sem oportunidades, essas perguntas seguirão sem resposta.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.