Botafogo, Rio Claro, Santa Cruz: notas sobre (certo) profissionalismo

Antes de mais nada, um agradecimento ao globoesporte.com por me alimentar com várias (e estranhas) notícias sobre futebol. Agora, vamos às notas:

1) Dia 1º de março teve Botafogo x Flamengo. Foi o maior público pagante do ano até agora. A renda foi de mais de R$ 2 milhões. E os artistas do espetáculo – os clubes – levaram R$ 259 mil e R$ 246 mil, respectivamente. Ou seja, míseros 23,75% do total. Quem acha que faz sentido a FERJ e o Maracanã S.A. levarem mais dinheiro que os dois times levanta a mão.

(( Foto: Gilvan de Souza / Flamengo ))

(( Foto: Gilvan de Souza / Flamengo ))

2) No mesmo clássico o Botafogo estampou um anúncio varejão da Casa&Video com preço de smartphone nas costas e tudo. O acordo foi de R$ 140 mil por duas partidas (contra Fla e Flu). A ideia partiu do marketing do clube, que acha interessante inovar com patrocínio de empresas de varejo. Eu não tenho nada contra esse tipo de empresa, mas a ação me incomoda por dois motivos: o tipo de acordo desvaloriza a camisa do clube (pelo valor, pela curta duração e até pela estética – ficou muito feio) e o Botafogo reforça a ultrapassada ideia de que patrocínio no futebol é igual a marca na camisa. Sim, um minuto de TV custa muito. Mas logo no uniforme não é garantia de retorno de investimento nem retorno sobre objetivos nem nada. E toma-lhe desvalorização do marketing esportivo!

((Foto: Victor Silva / SPress/ Flickr Oficial Botafogo FR)

((Foto: Victor Silva / SPress/ Flickr Oficial Botafogo FR))

3) O Rio Claro, da 1ª divisão paulista, jogou com o Porta dos Fundos na porta dos fundos. Uma ação que mantém a ideia de tirar o portal da internet e levá-lo pro mundo real. Como eles devem ter pago uma ninharia ao clube e apareceram na Globo, o investimento provavelmente valeu a pena. A diretoria do time também mostrou coragem em aceitar o patrocínio pontual, que obviamente seria alvo de piadas. Ao contrário do que rolou com o Bota, riram com o clube e não do clube.

((Reprodução Youtube ))

((Reprodução Youtube ))

4) Essa tem um mês, mas vale citar. O Santa Cruz contratou uma empresa de marketing pra melhorar a área dentro do clube. Depois de fazer o Chico Science se revirar no túmulo e não conseguir nem fazer um lançamento decente do novo uniforme, isso é o mínimo que podemos esperar deles. O clube tem uma torcida incrivelmente apaixonada que enche o estádio independentemente da divisão que o time frequenta. Imaginem o potencial de marketing que está sendo desperdiçado por eles há anos. Vamos ver se agora acertam a mão.

((Reprodução Site Oficial Santa Cruz FC))

((Reprodução Site Oficial Santa Cruz FC))

Aguardo seus comentários sobre o maravilhoso mundo do marketing esportivo brasileiro.

Bônus: estão discutindo (ainda, de novo, sei lá) a criação da categoria sub-23 nos clubes. Nada muito novo. Você provavelmente deve saber que lá fora há vários times com sub-23, inclusive jogando a segunda divisão da liga nacional. Isso desenvolve o jogador, o clube, o esporte, movimenta a economia… Mas eu só acredito vendo. E imagino que vocês também.

Comentários

Sou coordenador de redes sociais do America-RJ e planejamento publicitário. Escrevo sobre marketing esportivo e futebol. Etc e tal.