Duas faces de uma noite de sorte

  • por Rodrigo Dornelles
  • 6 Anos atrás

A sorte, queiram os mais céticos ou não, é fator determinante na vida e no esporte. Não poderia ser diferente com o futebol. Por mais que o trabalho e a competência sejam preponderantes, o acaso, às vezes, decide partidas, destinos e títulos.

Na noite de quarta-feira (4), dois brasileiros entraram em campo pela Copa Libertadores. Duas vitórias, seis pontos, e duas faces de uma mesma moeda apresentados. Duas faces do que chamamos de “sorte”.

Foto: Divulgação/Internacional - Colorado precisa parar de contar com a sorte.

Foto: Divulgação/Internacional – Colorado precisa parar de contar com a sorte.

Porto Alegre, Brasil. Internacional e Emelec jogam no Beira-Rio. A falta de organização do Colorado, sobretudo em seu sistema defensivo, causa problemas ao time e transforma o encaixado time equatoriano em uma espécie de Barcelona. Mal em campo, atrás no placar após a virada dos adversários, o Inter vê o Emelec desperdiçar chances com a displicência típica dos centros “alternativos” do futebol sul-americano. Apesar da inconsistência tática, a “sorte” e o talento individual colorados prevalecem e o time brasileiro vira para garantir a vitória.

Buenos Aires, Argentina. O campeão da América recebe o entrosado e arrumado Corinthians. O silêncio ensurdecedor dos portões fechados empurra o Cuervo pra cima do Timão e os argentinos criam uma chance atrás da outra. A tão falada “sorte” está ao lado dos alvinegros e oportunidades clamorosas de gol são desperdiçadas pelo time do Papa. Em um lance dividido, Elias ganha no meio, arranca e tenta o passe. A bola rebate no zagueiro e, com “sorte”, volta para o pé do volante, que estufa as redes. Três pontos na conta.

Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians - Timão teve sorte ao bater o San Lorenzo.

Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians – Timão teve sorte ao bater o San Lorenzo.

Duas partidas, duas cidades, dois estádios, a mesma “sorte”. Apesar das semelhanças, há diferenças. O Corinthians encarou um forte adversário, já está organizado e arrumado e, ao que tudo indica, fez “apenas” uma partida ruim. A “sorte” neste caso é de conseguir os três pontos em uma má noite e vida que segue.

A outra face é válida para o Internacional, que não joga bem nesta temporada, apresenta incontáveis problemas de organização defensiva e fez outro jogo ruim na Libertadores, mais uma vez contra um adversário que não é dos mais fortes dentro do continente. Os três pontos são os mesmos, mas neste caso a “sorte” não pode mascarar as falhas. Pelo que se apresenta até o momento, apenas adia o sofrimento.

Para os dois casos, vale o ponto positivo de que, mesmo jogando mal, a vitória aconteceu. Méritos para a competência de converter as oportunidades em gol. Mas a “sorte” é mais ingrata que vida de goleiro, é preciso parar de contar com o incontável.

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Gaúcho de Pelotas, no "estrangeiro" (Curitiba) há 19 anos. Repórter esportivo da Rádio Banda B. Amante do futebol platino, bem pegado e bem jogado. Sim, Libertadores é muito melhor que Champions League.