Judivan, a nova aposta de Marcelo Oliveira

OLHO NELE JUDIVAN

Importantes celeiros de craques brasileiros, os três maiores clubes da capital das Minas Gerais, Atlético Mineiro, Cruzeiro e América Mineiro, carregam, como parte de suas histórias, o orgulho de terem revelado figuras de ímpar relevância para o futebol nacional. De Tostão a Lucas Silva, passando por atletas do calibre de Dirceu Lopes, Reinaldo, Toninho Cerezo, Éder Aleixo, Euller, Gilberto Silva, Fred, Danilo e Bernard, muitas são as figuras que Galo, Raposa e Coelho proveram para o Brasil. Seguindo esta tradição, vem da Toca da Raposa a mais nova promessa brasileira.

Aos 19 anos, Judivan é a nova aposta do treinador Marcelo Oliveira no Cruzeiro. Responsável pelo desenvolvimento de Mayke, Alisson e Lucas Silva no time celeste, o comandante tem demonstrado neste início de temporada que a base do clube tem muito a oferecer, apostando no garoto, que atuou em todos os jogos do clube em 2015. Rejeitado pelas categorias de base de Grêmio e São Paulo, o paraibano de Sousa conquistou no clube mineiro sua grande chance.

Não obstante, o atleta teve que lutar para conseguir a tão desejada oportunidade, tendo sido recusado pelo Cruzeiro em uma ocasião, só sendo aprovado dois anos mais tarde, em 2010. Há cinco anos no time e com um passado recheado de dificuldades, Judivan – que já vem sendo carinhosamente apelidado de “Jud van Persie” e “Jud van Nistelrooy” pelo torcedor – sabe que a concorrência no clube é grande e confia que Marcelo Oliveira saberá aproveitá-lo da melhor forma possível.

“Eu não tenho pretensão de me tornar titular logo de cara. Tenho trabalhado muito para estar jogando e evoluir, o que é muito importante para mim e principalmente ajudar o Cruzeiro. O Marcelo sabe trabalhar bem os jogadores que sobem da base para os profissionais. Ele sabe a hora certa em me escalar,” disse ao GloboEsporte.com.

Curiosamente, sua autodefinição vai ao encontro do que os analistas têm visto como suas principais características. Rápido e forte, Judivan, atacante que atua pelos flancos – sobretudo o direito –, vem mostrando enorme personalidade, ignorando o peso da camisa do clube e a forte concorrência por um lugar no time. Desde sua estreia como profissional, contra a Chapecoense, quando, na penúltima rodada do Brasileirão de 2014, deu assistência a Hugo Ragelli no gol de empate celeste, o jovem mostra forte presença.

Foto: Footstats - Mapa de Calor de Judivan na partida contra o Huracán mostra sua intensa movimentação

Foto: Footstats – Mapa de calor da partida contra o Huracán mostra sua intensa movimentação

Sua objetividade e incansável trabalho, debatendo-se contra marcadores e deixando-os para trás, trouxe ao Cruzeiro uma possibilidade distinta das que já possuía. Sua força na condução de bola e intensa movimentação permitem ao treinador Marcelo Oliveira realizar alterações interessantes na forma do time jogar. No entanto, em algumas ocasiões, o jovem ainda peca pela individualidade, prendendo muito a bola e fazendo a opção errada entre um drible e o passe – nada que o tempo e a experiência não consertem.

“Eu atuo mais pelas beiradas, em alguns treinos já atuei mais pelo meio, mas o lado que eu realmente gosto de jogar é pelo lado direito. Sou um jogador rápido, veloz, que pega a bola e busca o gol o tempo todo. São características minhas, desde a base sou assim. Eu tenho certeza que ele (Marcelo) vai explorar da melhor maneira possível”, falou ao Jornal O Tempo.

Desde seu debute, Judivan já disputou 13 jogos (quase sempre vindo do banco de reservas) e marcou 2 gols, um no amistoso internacional contra o Shakhtar Donetsk e outro contra o Guarani de Divinópolis, pelo Campeonato Mineiro.

“O bacana é que a torcida do Cruzeiro me colocou o apelido de ‘Judi-Van Persie’ e ‘Judi-Van Nistelrooy’. Ainda bem que não fui comparado com perebas, né?”, relatou, bem humorado, em entrevista à Rádio ESPN.

No momento, com o Cruzeiro passando por uma reconstrução em seu elenco, após as saídas de Éverton Ribeiro, Ricardo Goulart e Lucas Silva, Judivan tem disputado posição com Marquinhos, Willian, Alisson e De Arrascaeta. A tendência é que o jovem ganhe, gradativamente, mais minutos na equipe, sobretudo se mantiver o nível de suas exibições recentes. Foi dessa forma que Mayke, Lucas Silva e Alisson conquistaram espaço na equipe profissional e o mesmo deverá proceder com Judivan.

Respeitoso e confiante no trabalho de Marcelo Oliveira, dedicado e objetivo, Judivan superou as recusas de Grêmio, São Paulo e do próprio Cruzeiro e foi exitoso ao conquistar um lugar no time profissional do atual bicampeão nacional. Sem a queima de etapas, seu futuro apresenta-se animador e é muito provável que, em 2015, muito se fale do paraibano de apelidos holandeses e futebol eficiente.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.