O gigante acordou

  • por Flávia Santos
  • 5 Anos atrás

Os números não mentem: foram oito gols marcados em três jogos seguidos, totalizando 13 gols em 13 partidas (1 gol por jogo). Em tão pouco tempo, uma marca digna de atenção. Quem pensa que o autor disso tudo é o Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo, engana-se. Seu nome é Bas Dost.


O holandês, que veste a camisa 12 do VfL Wolfsburg, é o matador da vez. A atual excelente fase de Dost na Bundesliga é de tirar o chapéu e aparece mais ou menos como uma compensação pelo tempo em que esteve lesionado e sem jogar. Veja o resumo dos gols de Dost na figura abaixo.

Gols do Dost
O centroavante chegou ao Wolfsburg em 2012 para abastecer a reserva de atacantes e ficou como terceira opção. Por isso, foram poucas as chances em que assumiu a titularidade. Uma das maiores pedras em seu caminho era o croata Ivica Olić (atualmente no Hamburgo SV). Dost chegou inclusive a cogitar deixar a casa dos lobos no final da temporada anterior, o que felizmente não aconteceu.

Mas, agora a conversa é outra. O jogador chama a atenção por ser um tipo forte e robusto com os seus 1,96 metro de altura. O gigante que ficou por algum tempo adormecido na Bundesliga já havia mostrado o que sabe quando jogou na Liga Holandesa (Eredivisie). Atuando pelo SC Heerenveen por duas temporadas, Dost marcou 52 gols e anotou 10 assistências em 73 partidas, e foi o artilheiro do campeonato na temporada 2010/11, uma máquina!

As qualidades do centroavante não são difíceis de decifrar. A sua habilidade maior é o seu toque, rápido e preciso. Quando marca, Dost dá uma aula de como jogar o melhor One-Touch. O holandês de 25 anos tem as característica de um centroavante clássico: boa presença de área, oportunismo, precisão nos chutes e um bom cabeceio. Um olhar atento para o jogo Bayer Leverkusen x Wolfsburg (5:4), onde o holandês marcou quatro vezes, permite observar como o camisa 12 é mestre em tirar rápidas vantagens. Na figura abaixo, note como o atleta enganou a defesa do Leverkusen (Papadopoulos e Hilbert) ao correr pelos lados e depois ficar entre os defesas até receber um passe e aproveitar a brecha. Essa parece vir sendo sua estratégia-modelo.

Dostfig2


Com essa destreza, Dost conseguiu passar para o resto do time mais confiança, o que melhorou a qualidade das assistências, as jogadas mais abertas pelos flancos e as oportunidades de gol. Aliás, dos 13 gols que o gigante marcou até o presente momento, nove resultaram de assistências especialmente de Kevin De Bruyne pelo lado direito.

No entanto, há uma velha máxima que diz: “quantidade nem sempre é qualidade”, e o futebol de Dost é a prova disso. Apesar de ter mostrado ser uma artilharia ambulante, Dost não tem versatilidade necessária para armar jogadas fora da área. Quando sai do seu posicionamento, trabalha muito pouco o contato com a bola, ou seja, praticamente não existe o “Ballkontakt”, como dizem os alemães. Além disso, o jogador não mostrou ser um bom driblador, ficando difícil imaginá-lo liderando sozinho uma saída de bola até o ataque como Arjen Robben do Bayern, por exemplo.

Se Bas Dost não é claramente um talento excepcional, o Wolfsburg vai tirando vantagens desse momento para somar pontos. Enquanto isso, o próprio gigante vai fazendo seu marketing em campo, de olho na vaga de titular da seleção holandesa.

Comentários

E...quase que de repente comecei a fazer a cobertura da Bundesliga: Caminhar entre os torcedores alemães sem ser percebida como jornalista, entrevistar jogadores, me tornar a primeira brasileira a desempenhar tal papel e ir topando de vez em quando com o Franz Beckenbauer nos corredores do Bayern de Munique. Quando vou aos estádios me pego pensando que sou como na música do Eddie, metade futebol, metade mulher.