Super Atlético de Madrid: ativar!

  • por Victor Mendes Xavier
  • 6 Anos atrás
Arte: Fred Miranda (Doentes por Futebol)

Arte: Fred Miranda (Doentes por Futebol)

O Atlético de Madrid ficou à beira do fracasso na Europa. Os colchoneros derrotaram o Bayer Leverkusen nos pênaltis e conseguiram avançar às quartas de final da Liga dos Campeões da UEFA. Além da classificação, a equipe conseguiu “prolongar”, de maneira competitiva, a temporada, já que a possibilidade de manutenção de título na Liga Espanhola é cada vez menor.

Sem qualquer tipo de oportunismo, é inegável mencionar que o Atlético está “off”. Não só os resultados, mas as atuações, principalmente em âmbito doméstico, deixam um ar de preocupação aos torcedores. No último sábado, no empate por 0x0 contra o Espanyol em Barcelona, o sistema defensivo foi envolvido fisicamente por um elétrico Caicedo. Sem querer tirar os méritos do equatoriano, que faz temporada brilhante, mas quando algo como isso acontece o alerta precisa ser ligado.

Fica difícil de explicar o que Simeone vem buscando. Quando perdeu Diego Costa e Filipe Luís, peças de suma importância ofensiva, Cholo respondeu com a construção de uma identidade de ataque mais notória. Não à toa, aumentou a posse de bola em relação à temporada passada: 49,8% de 2014/2015 contra 48,1% de 2013/2014.

Ao assumir essa “nova” faceta, o Atléti corre riscos atrás. A transição defensiva tem sido débil e a equipe se defende pior, principalmente em 2015. Chega a ser “injustiça” citar o duelo contra o Barcelona pela volta das quartas de final da Copa do Rei devido ao contexto (o Atlético não tinha o resultado a favor e foi obrigado a fazer um gol), mas também é um fato que aquele jogo mostrou como a defesa rojiblanca é mais propensa às falhas na atual campanha.

Principalmente sem Gabi e Tiago, Simeone se mostra negligente nas escalações, especialmente na proteção à retaguarda. Por exemplo, a insistência de Koke como volante. É evidente que o espanhol tem argumentos para jogar ali (até porque é bom mencionar que ele surgiu assim, como um futuro substituto de Xavi), mas parece subutilizado mais recuado. Mais adiantado, com Arda Turan ao lado, atua com excelência.

Nesta sexta-feira, o sorteio UEFA definiu que o próximo adversário do Atléti na Champions será o grande rival Real Madrid. Na temporada, foram seis dérbis e ampla vantagem colchonera: quatro vitórias e dois empates. É justamente contra o eterno inimigo que o Atléti terá que mostrar todo seu poderio.

Até o jogo de ida, há a obrigação de recuperar o bom momento e a intensidade que o marca. Simeone sabe disso. O momento não é doce, é verdade, mas também não permite que o Atlético de Madrid seja subestimado. Por tudo que mostrou nos últimos anos, Cholo e seus comandados merecem um crédito. É tudo uma questão de ativação. E que o Real Madrid abra o olho.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.