Tite e Corinthians, uma história (tática) de conquistas históricas

Tite na chegada em 2010 | Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Tite na chegada em 2010 | Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Adenor Leonardo Bachi começou a carreira de técnico de futebol em 1990, dirigindo o Guarany de Garibaldi, do Rio Grande do Sul. Dez anos depois, o jovem técnico foi contratado pelo Caxias, onde fez história: título gaúcho sobre o Grêmio de Ronaldinho com direito a 3×0 na final. No ano seguinte, assumiu o Grêmio que havia vencido e voltou a ganhar o estadual, mas alçou voo mais alto, ganhando a Copa do Brasil do mesmo ano.

Em 2004, Tite chegou ao Corinthians com a missão de salvar o time do rebaixamento. Não só o fez, como levou a equipe à 5ª colocação da competição nacional. No ano seguinte, as desavenças com o dono da MSI, empresa que injetou capital no time alvinegro, tiraram o técnico do Corinthians. Ele passou por Atlético-MG e Palmeiras, mas não teve muito destaque.

Até que, sete anos depois de brilhar no Grêmio, assumiu o Inter. Em um semestre, Tite guiou o Colorado ao 6º lugar do Brasileiro e ganhou a Copa Sul-Americana. No ano seguinte, abocanhou o campeonato gaúcho, mas uma campanha instável o tirou do clube no fim de 2009.

Tite foi para os Emirados Árabes, mas ficou apenas quatro jogos por lá. Isso porque o Corinthians o chamou de volta. O técnico assumiu o Timão no ano de seu centenário, há seis jogos sem vencer, com oito rodadas por jogar para tirar quatro pontos do líder Fluminense.

O Corinthians venceu o Palmeiras na estreia, empatou com Flamengo, venceu Avaí, São Paulo e Cruzeiro, contou com um tropeço do Fluminense e assumiu a liderança a três rodadas do fim. Porém, um empate no Barradão retirou a liderança dos comandados de Tite. A vitória sobre o Vasco trouxe nova esperança, mas, na última rodada, já sem depender apenas de si mesmo, o Corinthians voltou a tropeçar e acabou na pré-Libertadores.

O primeiro Corinthians de Tite, no 4-3-1-2;

O primeiro Corinthians de Tite, no 4-3-1-2.

No ano seguinte, Tite se encontrou com a obsessão da torcida corintiana: a Copa Libertadores. Porém, a experiência contra o Tolima foi pra lá de traumática e deu a entender que o técnico seria demitido após a eliminação na fase prévia, contando com a aposentadoria de Ronaldo dias depois. Foi quando apareceu a figura de Andrés Sanchez, o homem que bancou o comandante.

Mantido, o técnico chegou à final do Paulistão, mas perdeu para o Santos, que venceria a Libertadores daquele ano. No Brasileirão, o Corinthians comandou de ponta a ponta. Nos primeiros 10 jogos, foram 8 vitórias e 2 empates, com direito a acachapantes 5×0 no São Paulo. Tite trouxe novos conceitos ao Brasil, iniciando uma nova era. Seu time jogava com marcação adiantada, pressão na bola e marcação por zona, nada de encaixe individual – organização tática que rendeu o título na última rodada, no empate com o Palmeiras.

O 4-2-3-1 campeão brasileiro.

O 4-2-3-1 campeão brasileiro.

2012 começou conturbado: a boa campanha na Libertadores contrastou com a eliminação nas quartas de final do Paulistão. Aí, outra vez, apareceu o dedo do técnico, que trocou Júlio César por Cássio, encontrando no goleiro um dos pilares da conquista da Libertadores. O título veio passando por Vasco, Santos e chegando até o Boca. Sobrando em todos os quesitos, enfim o Timão se libertou.

O 4-2-3-1 campeão da Libertadores.

O 4-2-3-1 campeão da Libertadores.

O Corinthians do falso nove, que sobrava no país taticamente, ganhou um centroavante. Guerrero chegou para entrar na história alvinegra com dois jogos, dois gols e o título mundial jogando de igual para igual com o Chelsea, campeão europeu. Tudo como o esperado, Tite se consagrando como o maior treinador do Corinthians e o mais moderno entre os brasileiros.

Assim jogou o Corinthians na final contra o Chelsea.

Assim jogou o Corinthians na final contra o Chelsea.

2013 não foi o melhor ano da era Tite, mas também não foi o pior como muita gente vende. Com a contratação astronômica de Alexandre Pato, o técnico buscou novas ideias para encaixar o atacante no time, mas teve dificuldade. Mesmo assim, levou o Paulistão e a Recopa Sul-Americana.

Na Libertadores, caiu para o Boca, e no Brasileirão montou um time extremamente eficiente na defesa, sofrendo apenas 22 gols em 38 rodadas, mas muito pragmático à frente, o que acabou impedindo conquistas no segundo semestre. Ele não ficou.

A base tática de 2013

A base tática de 2013

Fora do Corinthians, Tite tirou um ano para estudar. Foi à Europa, passou por Inglaterra, Itália, Alemanha, Espanha, entre outros. Estudou, viu e voltou cheio de ideias para reassumir o Corinthians visando a pré-Libertadores, o mesmo fantasma da campanha de 2011.

Com uma preparação diferenciada, os alvinegros foram aos Estados Unidos e por lá fizeram além de dois amistosos um intercambio muito interessante. Na volta, o time estreou batendo o Marilia e deixou boas perspectivas para a pré-Libertadores, principalmente pela nova ideia tática: o 4-1-4-1. Este esquema, aliás, começa a ganhar simpatia no Brasil.

O 4-1-4-1 que Tite trouxe ao Corinthians em 2015

O 4-1-4-1 que Tite trouxe ao Corinthians em 2015

Depois disso, vieram os 4×0 sobre o Once Caldas em uma noite de futebol vistoso e conceitos modernos, muito parecidos com os que o mesmo Tite havia “apresentado” ao país anos atrás. O time apresentava linhas compactas, marcação pressão, intensidade máxima, ocupação inteligente de espaço e intransponibilidade na defesa. O ataque se tornou efetivo e também ajudou nas novas ideias.

Na vitória sobre o São Paulo na estreia da Libertadores, Tite mostrou como seu Corinthians está acima dos outros taticamente. São 15 jogos na temporada, com 12 vitórias e três empates. Invicto, marcando 27 e sofrendo só 7 gols nesse período.

Corinthians marcando com duas linhas bem compactas.

Corinthians marcando com duas linhas bem compactas.

Tite mostrou que o ano sabático lhe fez muito bem, para voltar e reeditar uma belíssima parceria com o Corinthians. Modernismo tático não é garantia de títulos no imponderável futebol, mas, sem dúvidas, é um importante passo à frente.

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Estudante de jornalismo. Redator e editor no Taticamente Falando. Colunista no Doentes por Futebol. Contato: [email protected]