Voa, Felipe!

  • por Tiago Lima Domingos
  • 5 Anos atrás

No clube de Roma que tem uma águia como mascote, quem voa alto mesmo é um brasileiro, que tem nome e sobrenome: Felipe Anderson.

Quem vê Felipe Anderson brilhando jogo a jogo na Lazio não imagina que, por pouco, o brasileiro não permaneceu no clube nesta temporada. Após um período inicial de adaptação, com pouquíssimos jogos como titular (foram apenas 9), eram muito fortes as especulações de um empréstimo do brasileiro a uma equipe de menor porte para poder jogar com maior frequência na dura Liga italiana. Quase um ano depois, é consenso: sorte que isso não ocorreu.

O início em 2014-15 não foi fácil. A história da temporada passada parecia se repetir. Felipe Anderson ficou na Lazio, mas o banco de reservas era o lugar mais frequentado. Até novembro, só havia sido titular em 3 das primeiras 13 rodadas da Serie A.

Dezembro foi o mês da reviravolta. Com Candreva machucado por 3 rodadas, Felipe teve a oportunidade de ser titular em sequência e viveu um mês de sonho. Nas três partidas, foram três gols e duas assistências. De uma mera opção no banco, passou a ser destaque. Em um clube que tem referências importantes como Klose, Mauri e Candreva, Felipe Anderson foi comendo pelas beiradas até se tornar, hoje, o melhor jogador da Lazio na temporada, aos 21 anos de idade.

Melhor jogador? Sim. Se for preciso apontar um destaque individual, esse destaque é Felipe Anderson. Que me desculpem Candreva, Biglia, Klose, ou o capitão Mauri, mas Felipe é diferente. Não é obra do acaso que o melhor momento da Lazio na temporada começou a se ensaiar de dezembro pra cá. É o toque de imprevisibilidade. É o jogador que parte pra cima, que busca o drible, que encanta. É o jogador que acabou com a Inter em pleno Giuseppe Meazza com 2 gols. É o jogador que, se não fosse por um tal de Francesco Totti, teria sido o melhor em campo em um derby da grandiosidade que é um Roma x Lazio. Felipe saiu de campo com um gol e uma assistência no clássico, ofuscado pelos dois gols de Totti.

O desempenho fulminante nos últimos 4 meses é assustador. Já fixado como meia esquerda no 4-2-3-1, ou 4-3-3 de Stefano Pioli, o brasileiro voa cada dia mais alto. Nos 10 jogos que disputou nesse intervalo, foi titular em 9. Quando não marca, dá assistência: foram 8 gols (artilheiro do clube ao lado de Klose e Mauri na Serie A) e mais 7 assistências (líder na Lazio junto a Candreva), somando participação direta em 15 gols da equipe. Nem mesmo as notícias da prisão de seu pai, acusado de ter cometido um duplo homicídio no Distrito Federal, e uma pequena lesão no joelho (dois dias após a triste notícia familiar), que o afastou por 3 rodadas do campeonato, frearam seu momento. Coincidência ou não, a Lazio perdeu duas das três partidas em que o brasileiro não atuou.

lazio formação

O que poderia ter o abalado, parece ter lhe dado forças. Dos cinco jogos seguintes à recuperação da lesão, a Lazio venceu 4, com 3 gols e duas assistências do brasileiro. Hoje, o time da capital é um dos mais vistosos da Itália, muito pela presença de Felipe Anderson, e briga por uma vaga direta na Liga dos Campeões com a rival Roma.

O bom momento deve ser observado com carinho pelo técnico Dunga. Com Oscar em má forma e com espaços para jogadores como Douglas Costa atuando em ligas periféricas, Felipe Anderson vai pedindo passagem. Se continuar nessa evolução, uma chamada para a Seleção principal será questão de tempo.

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Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.